Cláudio Humberto (De Brasília)
Gesner processado
Se ele acha que não estou dizendo a verdade, que me processe e eu vou provar
(Do ex-chefe do SNI, general Newton Cruz, que acusou Paulo Maluf de lhe propor um golpe militar contra Tancredo Neves)
O Ministério Público Federal decidiu ingressar com ação cautelar contra Gesner Oliveira, presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça, para suspender o contrato de aluguel da nova sede do órgão, no valor de R$ 40 mil. O procurador Luiz Francisco de Souza acha que esse valor é no mínimo exagerado e tem razão: a estatal Radiobrás pagava aluguel de R$ 21 mil e recusou uma oferta de R$ 28 mil da dona do imóvel, a empreiteira Stylos Engenharia, ligada ao secretário de Obras do governo local, Tadeu Filippelli.
Chave de cadeia
A ação judicial contra Gesner de Oliveira só não foi iniciada antes porque o procurador Luiz Francisco de Souza teve dificuldades de obter laudo pericial que apontasse o valor de mercado do aluguel do imóvel, situado no Setor Comercial Note, em Brasília. Duas imobiliárias e até o Creci se recusaram a colaborar com o MP e, por isso, devem ser também processadas. O passo seguinte do procurador será processar Gesner Oliveira por crime de improbidade administrativa, dentro de 30 dias.
Amigos do peito
O presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carrazai, é um colecionador de desafetos na área política, mas trata bem os amigos que têm empresas de consultoria. Um dos empreendimentos mais felizes nessa área, que presta serviços de administração de créditos junto à CEF, é uma certa Mares Consultoria, de São Paulo.
Ataque bandido
Enquanto, na Câmara, o deputado bandoleiro Paulo Marinho (PFL-MA) vociferava contra adversários, atacava a Justiça e ofendia jornalistas, incluindo esta coluna, seu nome era tristemente lembrado numa solenidade do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, no Ministério da Justiça, nesta terça. Ali, a valente promotora maranhense Lídia Cavalcante recebia solidariedade pelas perseguições de que tem sido vítima desde quando denunciou o envolvimento de Marinho em prostituição infantil. O bandoleiro está com os direitos políticos suspensos e responde a cerca de 200 processos.
Shopping de índio
O (ainda) ministro do Esporte e Turismo, engenheiro Rafael Greca, tentou emplacar, através de um escritório de Curitiba, onde é eminência parda, um grande projeto imobiliário, que incluía deslumbrante shopping center na área em torno de Cabrália, no sul da Bahia. A mesma região onde, dia 22 de abril, o governo pretende mostrar aos índios como o Brasil foi descoberto. O projeto foi vetado e Greca preferiu não levar a briga adiante, porque ia pegar mal como o diabo. E se o diabo tem costas quentes, o risonho ministro não tem do que se queixar: é assim, ó, com o primeiro-filho, Paulo Henrique Cardoso.
Banda de surdos
Anthony Garotinho está mais perdido que cego em tiroteio da polícia do Rio. Lamentar que o traficante Marcinho VP está à solta depois de quase ser preso, é passar recibo de desinformado. Ou omisso. Sua secretaria de Segurança Pública grampeou os telefonemas de Marcinho com o documentarista piedoso João Salles. Não agiu quando podia e agora, perdida a chance, ele faz o sermão da montanha para ouvidos moucos.
Serra só ri
Criada para retirar da pauta a discussão sobre o caos da saúde pública no Brasil, a CPI Pró-Serra, também conhecida como CPI dos Medicamentos, prestou outro grande serviço ao seu inspirador: d. Nicéa Camargo pediu uma CPI para investigar o enriquecimento ilícito de ACM. O silêncio na CPI dos Medicamentos foi ensurdecedor.
Saúde no bolso
Jorge Pagura, não. Jorge Pagara.
Programa de milhagem
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, está em Lisboa, num Seminário de Energia. O da Defesa, no Chile, na 11ª Feira do Ar e do Espaço. O de Planejamento, Martus Tavares, em Nova York, na 41ª Reunião de Governadores do BID. O da Cultura, Francisco Weffort, no encontro da Preservação do Patrimônio Histórico da América Latina. O da Educação, Paulo Renato Souza, visita escolas em Londres. Raul Jungmann, do Desenvolvimento Agrário, aproveita o bônus e vai a Washington, dia 7 de abril, para o seminário Brasil 500 anos: Progresso Social e Desenvolvimento Humano.
Protesto no muro
O cartunista Latuff lança mão do spray e da ousadia para grafitar nesta quarta, às 10h30, os muros da avenida Presidente Vargas, no Rio, entre os números 1001 e 1073, a cem metros da Secretaria de Segurança. Latuf inaugura o estilo grafite relâmpago, criando o Banda Podre S/A. Ele terá menos de duas horas para terminar o trabalho e pede a presença da imprensa, porque para esse tipo de coisa a polícia chega rapidinho.
O vampiro de Curitiba
Declaração do ex-secretário de segurança do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, recentemente exonerado por Jaime Lerner: A CPI do Narcotráfico é uma súcia de publicitários; o deputado petista Padre Roque é bastardo; Roberto Requião é um alienado mental, desonesta (sobre a imprensa); oportunista, frouxo e leviano (sobre o Ministério Público) e covarde (sobre o Tribunal de Justiça do Paraná). Esse destemperado foi secretário de segurança em dois governos.
Madame veneno
Se continuar denunciando sem provas, Nicéa Camargo ainda acaba levando um pitto da CPI dos Medicamentos.
O trator de Yunes
O veterano advogado criminalista Leonardo Frankhental é quem está representando Jorge Yunes em vários processos contra Nicéa Pitta. Frankhental acusará Nicéa de extorsão: duas semanas antes de entregá-lo em suas denúncias, ela pediu dinheiro a Yunes. E não sabia que ele tinha duas testemunhas atrás da porta. Frankhental, enfurecido, agora quer saber com que dinheiro Nicéa comprou 40 pares de sapatos de uma só vez na loja Nazareth, em São Paulo, quando voltou de Nova York.
O PODER SEM PUDOR
Tempo esgotado
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fazia duras críticas à indicação de Tereza Grossi para a diretoria de fiscalização do Banco Central, nesta terça, quando foi interrompido por ACM, que presidia a sessão:
O seu tempo acabou, senador.
Simon foi rápido no gatilho, como sempre:
Eu excedi nove minutos e 22 segundos, senhor presidente; d. Tereza vai ficar no cargo por quatro anos.
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