Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto
De Brasília
Cláudio Humberto Rosa e Silva
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br
Eu vou acabar com o auxílio-moradia no Senado
(Do senador Antônio Carlos Magalhães, nesta terça)
Licitação suspeita
Tem toda a pinta de escândalo a licitação Geseng 05/2000, no valor de R$ 20 milhões, para a construção da sede do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), no Rio de Janeiro.
As propostas foram abertas no dia 15 passado. Em apenas 24 horas, num rito sumaríssimo, a comissão já havia analisado a trabalhosa parte técnica e conferido notas. Como todo mundo já previa, vencedora foi a construtora Sergen.
Roleta policial
Foram os detetives Antônio Carlos Cipriano de Melo, Carlos Coelho Macedo e os agentes Sérgio Roberto Kapanovic e Alexandre Campos de Faria, os policiais civis do Rio que em maio do ano passado foram ao Mato Grosso do Sul para capturar o supernarco Fernandinho Beira-Mar e terminaram acusados de extorsão contra o chefe.
Se a grana foi movimentada em Ponta Porã, uma das maiores lavanderias do país, é só dar um pulinho em Assunção para tentar as roletas do Batelli Excelsior Cassino, o mais recente empreedimento de Ciro Batelli, o eterno entrevistado de Amaury Jr. na TV.
Sobram argumentos
O secretário de governo de Celso Pitta, Carlos Augusto Meinberg, acusado pela oposição de ser o mala preta do prefeito, é o responsável pela autêntica operação de guerra na Câmara Municipal para tentar brecar uma CPI que apure as denúncias da ex-primeitra-dama.
Guto, cérebro de todo o esquema instalado na prefeitura da maior cidade do País, segundo íntimos amigos, tem mais de 400 milhões de bons argumentos para segurar a barra do chefe.
Assalto à Viúva
O substitutivo do Orçamento da União para o ano 2000, do deputado Carlos Melles (PFL-MG), explica a longevidade do ministro Rafael Greca e a briga de foice pelo seu lugar: de R$ 234,4 milhões, o orçamento do Ministério dos Esportes e Turismo, controlado pelo PFL, pulou para R$ 483 milhões. Só o item Implantação de Infraestrutura Esportiva em Comunidades Carentes, que gera votos e grana de empreiteiras, saltou de R$ 8,1 milhões para espetaculares R$ 128,9 milhões, este ano.
É o PFL garantindo a campanha eleitoral dos seus candidatos.
Daqui não saio
FHC encontrou um osso duro de roer: o ministro Rafael Greca só sai demitido e, ao contrário de todas as evidências, acha que isso não vai ocorrer agora nem nunca, a ponto de elaborar planos de longo prazo.
FHC está plantando o que colheu: apostou em notas nos jornais para desgastar o ministro, ao invés de demiti-lo, permitindo a Greca transformar essa sobrevida num sonho de eternidade. Quem ouve o ministro acha que ele está em outro planeta.
Banditismo impune
Cheira mal a atitude do presidente da Câmara, Michel Temer, de empurrar com a barriga o caso do deputado bandoleiro Paulo Marinho (PFL-MA). Réu em quase 200 processos, grande parte por roubo de dinheiro público e até de veículos, ele foi condenado e teve suspensos os seus direitos políticos por seis anos. Essa decisão obriga a Câmara a declarar o cargo vago e a convocar o suplente. Como Marinho é amigo e protegido de Inocêncio de Oliveira, a atitude de Temer é interpretada como parte de um acordo com vistas à próxima eleição da Mesa.
Empresas legais
A Gerencial Brastec informa que as empreiteiras contratadas em nome da Sasse Seguros, para executar obras de recuperação de imóveis financiados pela Caixa Econômica Federal, são detentoras de atos constitutivos devidamente registrados e possuidoras de inscrições fiscais junto ao poder público, desautorizando a acusação de criação de empresas de fachada. Garante ainda que os pagamentos são feitos diretamente pela Sasse, após envio de notas fiscais e guias de recolhimento junto ao INSS, FGTS e ISS.
Rabo preso
A queda do secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, deixou a família Lerner em estado de alerta. Segundo um deputado de oposição, uma das filhas do governador, publicitária, teria imenso rabo na gaveta de Candinho. Ela e uma amiga. O rabo atende pelo nome de Bercier, é francês e alimenta as aspirações da elite local.
Samba Um
Quando se juntam a vontade de vender com a de comprar o resultado pode ser imprevisível. O presidente da Argentina, Fernando de la Rúa, que tem a última palavra, decidiu se livrar de vez do Boeing 757 Tango Uno, a banheira emergente do governo Menem. Já baixou de US$ 60 milhões para US$ 45 milhões, aceita em suaves prestações e até mesmo em troca de umas expressivas toneladas de frango brasileiro. Com uma boa conversa, pode ser possível até um esquema de leasing, que vem agradando tanto a FHC e ao Ministério da Defesa. Acabará vendido a US$ 30 milhões, preço de um jatão novo e sem tanto badulaque.
Zeca Dois
O governador Zeca do PT (ou do PFL?) está cada dia mais parecido com seu ícone FHC. Quer viajar pelo Brasil e para o exterior em avião próprio, depois de aceitar os préstimos de seu amigo Nélson Cintra, que lhe cedeu um aparelho um tanto modesto. Já abriu edital. Quem se habilita?
Pensando bem...
... quem vai botar gergelim no pão do McRafik?
Barrados no baile
O secretário de Infra-Estrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Rômulo Macedo, braço direito do ministro Fernando Bezerra, foi barrado no Palácio do Planalto. Ele não havia enviado um fax pedindo cadastramento para participar da entrevista coletiva que Bezerra iria conceder, por isso chegou com dez minutos de atraso. Situação pior foi de Alessandra Pires, da assessoria do ministro. Sem o fax prévio, ela ficou 20 minutos na portaria e só foi liberada quando a coletiva acabava.
Irreconciliáveis
O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), acena para a esquerda, na tentativa de recompor alianças, mas o clima não lhe é favorável.
Um deputado estadual do PT, Paulão, já afirmou que o governo de Lessa não resiste a qualquer investigação e a senadora petista Heloísa Helena foi mais longe: acusou os irmãos do governador de formarem uma quadrilha, chefiada pelo mais velho, Otávio, eminência parda do governo por cujas mãos passa até concorrência para aniversário de boneca.
O PODER SEM PUDOR
A vida é um teatro
A professora Carmen Lúcia Antunes Rocha, da PUC-MG e membro da Comissão de Estados Constitucionais da OAB federal, foi convidada para proferir palestra em Curitiba, em fevereiro, sobre As instituições democráticas e o papel do Ministério Público.
A professora hesitou quando soube que o local da palestra, auditório Fernanda Montenegro, era um teatro: Não sou artista e sim uma professora. Mesmo assim, pensou vários dias e aceitou o convite:
Vivemos em um país cujo presidente da República queria ser um ator; a Constituição tem sido mais uma peça no teatro da política brasileira e o papel do constitucionalista está se transformando numa representação dos nossos melhores sonhos republicanos.
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