‘‘Quem fizer pode ter certeza de que vai responder pelo que fez’’
(Do governador do Rio, Anthony Garotinho, desafiando a passagem da ‘‘banda podre’’ da polícia)




Ator, neoliberal e entreguista
FHC não conteve a vaidade, revelando ter sido convidado a ser ator por Glauber Rocha. Mas deveria ter antes checado o que o cineasta de ‘‘Terra em Transe’’, pensava dele, em 1974: No Brasil, o gancho do Pentágono é o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que funciona em São Paulo. Quando eu filmar a Odisséia, convidarei o professor Fernando Henrique Cardoso para o papel de sedutor, embora não saiba se o Príncipe topa contracenar nu com Ariadne no Labirinto do Cebrap. O professor Fernando Henrique Cardoso disse que não era assoprador de novidades nos ouvidos do Príncipe. Claro: O Príncipe é ele, assim o batizei no Peru em presença do magnífico Darcy Ribeiro. Uma tese que o Cebrap não aceita e por isso não consigo me entender com o Príncipe: a revolução de 64 começou na Guerra do Paraguai. Fernando Henrique Cardoso é apenas um neocapitalista, um entreguista (declaração publicada por Gilberto Felisberto Vasconcellos em ‘‘O Príncipe da Moeda’’ (ed. Espaço e Tempo, 1997).

Parada de sucessos
Com a demissão do Coodenador de Segurança do Rio, Luís Eduardo Soares, a Banda Podre agora vai tocar afinadinha.

Boca-de-siri
A revelação é de deputados evangélicos de Edir Macedo: a secretaria de Segurança Pública de São Paulo proibiu a divulgação dos números da violência na cidade, durante o Carnaval. Quem tentou saber nas delegacias paulistanas foi impedido por uma espécie de ‘‘Lei da Mordaça’’. Segredo absoluto foi a ordem.

Em campanha
Pelo sim, pelo não, o ministro Pedro Malan (Fazenda) faz sua campanha particular para presidente. Agora disponível e acessível, ele aceita convite até para festa de boneca. Até participou (pela primeira vez), em Brasília, do encontro anual dos superintendentes da Caixa Econômica Federal de todo o País. Passou o tempo todo sorrindo, apertando mãos, distribuindo (e recebendo) tapinhas nas costas e dando explicações.

Lerner se ama
O senador Roberto Requião voltou a disparar contra os gastos publicitários do governo do Paraná. Como uma calculadora ambulante, o senador anda fazendo projeções sobre quanto será torrado nos próximos 25 anos, caso o ritmo continue: R$ 2,5 bilhões. Só nos últimos quatro anos Lerner gastou R$ 500 milhões em propaganda.

De olho na corrupção
O Executivo está em primeiro lugar no Placar da Corrupção no primeiro trimestre de 1999. O Placar trimestral é uma das atrações on-line da Transparência, Consciência e Cidadania (tcc-brasil.org.br), entidade não-governamental, sem fins lucrativos, braço brasileiro da Transparency International (TI), de Berlim. Presidida pelo sociólogo David Fleischer, tem sede em Brasília e se destina, entre outros objetivos, a alertar a população para a corrupção e má gerência dos recursos públicos.

Ah, entendi
Quer dizer que as imagens digitais do Direct TV são retorcidas, como sugere sua propaganda?

Viciados em xampu
A maluquice ainda não chegou por aqui, mas está assustando as autoridades inglesas. Adolescentes estão injetando na veia o xampu PantSne Pro V, acreditando que um dos componentes do produto tem efeitos alucinógenos. Especialistas advertem que o aditivo na fórmula do xampu não produz efeito de droga e sim a morte, por ser altamente tóxico. A polícia está investigando o roubo de PantSnes Pro V nas drogarias de algumas cidades inglesas. A Procter and Gamble, fabricante do xampu, alertou para o risco de vida nesse hábito mortal.

O Xerife vem aí
Com tanta ladroagem em foco, o senador Romeu Tuma (PFL) acha que sua fama de xerife pode alavancar sua candidatura à prefeitura de São Paulo, que será anunciada nesta segunda.

Vergonha nacional
A Federação Nacional dos Médicos já não descarta a possibilidade de uma greve nacional contra os vergonhosos R$ 2,40 pagos pelo governo, por consulta, no Sistema Único de Saúde. O presidente da Fenam, Heder Murari Borba, defende a unidade e até a fusão das entidades numa Ordem Nacional dos Médicos, espécie de OAB da categoria. Enquanto isso não acontece, o ministro José Serra finge dialogar, recebendo os seus amigos da Associação Médica Brasileira (AMB) para conversas cujo teor jamais é divulgado, queixa-se Borba.

Lágrimas de crocodilo
Pareceu final de novela o discurso de inauguração da nova sede da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. O presidente, José Carlos Gratz, deu um show de lágrimas, dizendo que vivia o melhor momento de sua vida ao inaugurar a faraônica obra em Vitória, que levou quase dez anos para ficar pronta e custou R$ 50 milhões. Gratz, que está sendo investigado pela CPI do Narcotráfico e é pré-candidato à prefeitura da capital, lembrou ter apertado o cinto da Casa para erguer tal obra monumental. Aproveite, deputado.

Lei Afonso Arinos
O furibundo jornal ‘‘Hora do Povo’’, produto híbrido de Orestes Quércia com o MR-8, errou a mão ao defender Pitta e acusar FHC com a manchete: ‘‘Elites corruptas querem fazer do bom crioulo boi de piranha’’.

Recordar é viver
A apuração da ‘‘banda podre’’ da polícia do Rio fatalmente vai esbarrar na famosa lista do bicheiro Castor de Andrade, que deu em nada. Políticos, ex-governadores (entre eles Paulo Maluf), um secretário de Polícia Civil carioca, o ex-presidente da Fifa, João Havelange e ministros de tribunais superiores teriam recebido cerca de US$ 1 milhão do finado bicheiro carnavalesco. O 9º Batalhão da PM inteiro recebia mesada, junto com delegados da PF. O deputado estadual José Guilherme Godinho, o Sivuca, foi um dos maiores beneficiários do generoso Castor.

O PODER SEM PUDOR

Eleitor eletrônico
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que disputou em 1996 a prefeitura de Londrina com Antônio Belinati (PFL), jogou a toalha na manhã do primeiro turno da eleição.
– Fizemos todo o possível, mas não vai dar – disse ele a dois repórteres, em frente ao Hotel Bourbon.
Todas as pesquisas apontavam o favoritismo de Belinati. A apuração foi suspensa no meio da madrugada, por ‘‘falha no sistema’’, e na manhã seguinte Hauly e Belinati – surpresa! – teriam de ir para o segundo turno. Fraude? Falha dos institutos de pesquisa?
Acredita-se que houve falha dos eleitores de Belinati – aquele povão da periferia – que estranharam as urnas eletrônicas. Mas, no fim das contas, Belinati acabou vencendo.

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