Cláudio Humberto De Brasília Cláudio Humberto Rosa e Silva E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br ‘‘Todos nós temos na vida um caso, uma loira’’ (De Hervê Cordovil, autor do clássico ‘‘Uma loira’’, cantado por Dick Farney) Coisas do coração D. Ruth Cardoso quase não retornou dos Estados Unidos, onde fazia um curso, para acompanhar o maridão na visita oficial a Portugal. Só topou a viagem, segundo uma amiga paulistana do casal, após receber a garantia de que já não reside em Lisboa, sequer em Portugal, alguém cujo relacionamento com FHC provocou profundo desgosto na primeira-dama. Mais não disse. Financiamento ilegal O Fundo de Previdência Parlamentar da Assembléia Legislativa do Maranhão patrocinou a carreira dos principais acusados de envolvimento no crime organizado no Estado. Juntos, os ex-deputados José Gerardo e Francisco Caíca devem ao fundo R$ 465,5 mil. Eles foram cassados e estão presos desde o final do ano passado acusados de comandar e ordenar crimes e roubos de carretas e cargas. Os dados integram um relatório (mantido em sigilo) de uma comissão requerida pela deputada Teresa Murad. Ao todo, o fundo emprestou R$ 13,1 milhões a cerca de 40 pessoas entre deputados, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos. Frio na barriga Pedro Malan (Fazenda) vai finalmente ganhar status de presidenciável. Na próxima pesquisa VoxPopuli/CNT de intenção de votos para presidente, no fim do mês, ele estará entre os prováveis candidatos. Ele finge que não quer, mas não pensa em outra coisa. Ninho de serpentes A diretoria da Previ, o bilionário fundo de pensão do Banco do Brasil, assinou nota desmentindo que o seu presidente, Luiz Tarquínio, tenha firmado compromisso com os sócios Bradesco e Opportunity para abrir mão do direito de veto na CSN ou na Vale, conforme divulgou ‘‘Veja’’. A nota foi assinada por todos os diretores, incluindo aquele que – acreditam seus próprios colegas – foi a fonte da revista: o diretor Victor Paulo Gonçalves, que está em campanha pela reeleição sob os auspícios do presidente da Vale do Rio Doce, Benjamin Steinbruch. Tudo em casa A Agência Nacional do Petróleo, chefiada pelo primeiro-genro David Zylberstajn, contratou a empresa de assessoria de imprensa Companhia de Notícias, pertencente a um ex-genro de FHC. Agora, um ex-funcionário da Companhia de Notícias, João Paulo Uriartt, foi contratado pela ANP para normatizar o trabalho e fiscalizar os serviços prestados pela empresa que era sua patroa até 24 horas antes. Crise em gestação O general Alberto Cardoso pode até querer, mas a resistência é grande. Como secretário de Segurança Institucional, ele pretende deslocar a Polícia Federal para o seu comando, mas para isso teria que mexer na Constituição. O ministro José Carlos Dias bateu pé e recebeu de FHC, nesta quarta, a garantia de que o DPF não sai do Ministério da Justiça. Mas, pensando bem, e a julgar por outras garantias, isso nada significa. E FHC poderá ter uma crise nas mãos, em forma de carta de demissão. Nem Hildebrando ACM pode até nem processar Nicéa ex-Pitta, por considerá-la lelé da cuca, mas não esquece o tratamento que recebeu da TV Globo, no episódio da entrevista da ex-mulher do prefeito de São Paulo. Diz alguém que trabalha com ele, com jeito de quem repete o que o chefe pensa: – Negaram a ACM o direito que concederam até a Hildebrando Pascoal, que foi ouvido simultaneamente à apuração das denúncias contra ele. Na jugular do doutor O pânico tomou conta do gabinete do prefeito Celso Pitta, com a notícia da convocação de Nicéa ex-Pitta para depor na CPI dos Medicamentos, nesta sexta. Pode ser uma bomba tão grande quanto a entrevista de madame: a secretaria de Saúde do município é ponto manjado do submundo político de São Paulo, por isso o neurologista Jorge Pagura, o secretário, é hoje um homem mais atormentado que o próprio Pitta. Em nome do amor Há dois anos, Nicéa ex-Pitta deu os primeiros sinais de fumaça. Quando secretário de Finanças de Paulo Maluf, Celso Pitta disse desconhecer o aluguel de um Tempra com motorista, por quase um mês, Nicéa desmentiu-o, afirmando que ele sabia da transação de Pedro Neiva com a Fórmula Viagens e Turismo, no valor de R$ 6.125,71. Ouviu de Pitta uma resposta típica de machão: ‘‘Deixa comigo.’’ Ele estava seguro de que se safaria de uma CPI, graças ao apoio do deputado Delfim Netto (PPB-SP) e do então senador Gilberto Miranda (PMDB-AM). Pé-de-meia garantido Ainda não foi desta vez que Luciana Murad, aliás Gimenez, levou os R$ 30 milhões que pediu ao roqueiro Mick Jagger num tribunal de Nova York, conforme informou esta coluna. Mas o filho de mamãe Gimenez, Lucas, já tem garantidos, em princípio, US$ 10 mil mensais de pensão, até entrar na maioridade. Os R$ 30 milhões ainda estão sendo discutidos, o mesmo total obtido pela ex-senhora Jagger, Jerry Hall. Mas será missão duríssima para Luciana. Para não dizer impossível. Esqueceram de mim A CPI do Narcotráfico, que esteve em Mato Grosso do Sul, perdeu uma bela oportunidade de saber muita coisa, pois não ouviu uma testemunha poderosa: o major aposentado da PM Sérgio Roberto de Carvalho. O homem, preso no Comando Geral da PM em Campo Grande, tinha cem quilos de cocaína numa de suas fazendas. Possui transportadora de petróleo, avião, está riquíssimo. Chegou a fugir, mas foi preso no Guarujá (SP). O gigantesco esquema dele, que inclui pilotos e diversos ‘‘funcionários’’, aponta ligações com uma poderosa rede internacional, mas curiosamente, o major foi esquecido. Espólio em disputa O ministro Rafael Greca (Esportes e Turismo) já é ex e nem sabe. Os colegas pefelistas já se engalfinham pelo seu lugar, na esperança de que a vaga pertença ao partido e ao Paraná. João Elísio Ferraz de Campos, aquele da Fenaseg, por exemplo, diz ter o apoio do governador Jaime Lerner e não sai da cola do amigo e sócio, o senador Jorge Bornhausen (SC), presidente nacional do PFL. Como Greca, João Elísio não é exatamente um esportista, mas tem outra coisa em comum com o ministro que cai: é suspeito de uma tonelada de irregularidades. O PODER SEM PUDOR Língua afiada O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que prefere perder o amigo à piada, não se conteve ao encontrar o deputado José Janene (PPB-PR) no saguão do Hotel Bourbon, em Londrina, logo após uma coletiva: – Pelo menos fiz uma obra útil em Foz do Iguaçu – provocou Requião, que foi governador do Paraná. – Que obra, senador? – perguntou Janene. – A penitenciária. A prefeitura de Foz havia denunciado Janene dias antes por superfaturamento de uma obra de iluminação pública feita por uma empresa de sua propriedade. Claudio Humberto Rosa e Silva E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br

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