‘‘A Justiça é cega, mas não é muda’’
(Do presidente eleito do STJ, ministro Paulo Costa Leite, em resposta a ACM, que o criticou por ‘‘falar demais’’)

Fenaseg e os trouxas
Fernando Serrano, de Maringá (PR), é dono de um automóvel de coleção que ficou dois anos parado. Quando o veículo voltou a circular, ele quitou o IPVA em atraso, porque era imposto devido, mas para sua surpresa teve que pagar também o seguro obrigatório. Serrano contestou (afinal o carro estava na garagem), mas foi inútil. Uma certa Fenaseg, Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados, alegou que o seguro teria sido pago em caso de um sinistro impossível. Só não contou que também cobraria o débito judicialmente, ganhando duas vezes.
Nem Marcinho VP imaginaria algo tão engenhoso para arrancar dinheiro dos trouxas.

A propósito...
...que fim levou o processo de cobrança do calote de quase R$ 1 bilhão, que a Fenaseg aplicou no Ministério de Saúde em 98, referente à parcela do seguro obrigatório de veículos que exige dos proprietários B.O.?

Dois Fernandos
Em sua primeira viagem oficial como presidente da Argentina, Fernando de La Rúa utilizou um vôo regular da empresa aérea Lufthansa, que o levou ao Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça). Na comitiva, apenas 14 pessoas: os ministros da Economia, das Relações Exteriores e um auxiliar; dois porta-vozes, o chefe da segurança e dois auxiliares; o fotógrafo oficial, uma tradutora etc. Não levou nem a mulher.
No tempo do milongueiro Carlos Menem, iam cerca de 35 pessoas, além de caronistas variados, no boeing Tango Um.

Dr. Óleo de Peroba
O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Gesner Oliveira, é candidatíssimo ao troféu Óleo de Peroba do mês. Ele divulgou nota para explicar a revelação desta coluna de que o Erário paga seus deslocamentos a São Paulo para dar aulas na Fundação Getúlio Vargas. Diz, em síntese, que tais atividades acadêmicas interessam ao Cade.
Ah, bom. Então deveria recolher aos cofres do Cade o rico dinheirinho que embolsa na FGV, graças às facilidades do órgão que dirige.

Panela portuguesa
De pai para filho foram os mimos em terras lisboetas.
A personalidade do ano do Brasil em Portugal foi o genro de FHC, David Zylberzstajn, presidente da Associação Nacional do Petróleo. Levou o Oscar do ano passado, bem entendido.

Trapalhadas na Corte
Se depender do governo de Angola, o ex-premiê português Mário Soares está lascado. Um editorial da agência oficial de notícias Agopop diz que Soares é o ‘‘bobo’’ deste Carnaval, que o ‘‘rei está nu’’, passando recibo de democrata sem sê-lo. Desolado com a derrota em Portugal e no Parlamento Europeu e ‘‘já receado com as últimas patacas que recebeu (...) decidiu regressar de suas campanhas na África’’.

O Khol de Portugal
O governo angolano afirma que o bandoleiro Jonas Savimbi, da Unita, desrespeitou o acordo de Lusaka orientado pelo ex-presidente Mário Soares. Ataca toda a família Soares – o filho e a mulher, Maria Barroso – e jornalistas portugueses, e exige uma profunda investigação do ‘‘escândalo Khol’’ à portuguesa: um avião que se acidentou na África do Sul, com o filho de Soares a bordo (que escapou por milagre), estava cheio de diamantes e marfim surrupiados de Angola, mas segundo a Angopop a notícia, divulgada na Internet, desapareceu misteriosamente,.

Comunidade solidária
Estranhamente sumido do oba-oba brasileiro em Lisboa, Mário Soares já obteve a solidariedade do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. É o roto ajudando o esfarrapado.

Óleo pouco é bobagem
Deve ser a ressaca de Carnaval. Até agora as principais entidades ambientalistas não se manifestaram, comprovando in loco o vazamento de óleo cancerígeno da balsa Miss Rondônia, da Texaco, no Pará.
O óleo vazou da proa no sábado, depositando-se no fundo do Rio Pará. Desde então se multiplicam as explicações contraditórias do Ibama, Secretaria de Meio Ambiente e Capitania dos Portos. A Capitania até agora não tem um laudo do acidente e tudo indica que a poderosa Texaco será multada em apenas R$ 10,5 mil. E estamos conversados.

Nem tudo é trabalho
Certamente enfastiado com a chatice das sessões do Congresso, o deputado Ricardo Noronha (PMDB-DF) matou o trabalho, nesta quinta, para dedicar-se a uma atividade menos extenuante.
Pelas 15h30, ele estava no Shopping Conjunto Nacional, em Brasília, fazendo ponto nas imediações da Loja Arapuã e azarando as adolescentes em desfile.

Alguém está mentindo
Há algo de podre no reino de Fernandinho Beira-Mar. Ivan Lacerda, superintendente da Polícia de Mato Grosso do Sul, vai entrar na Justiça contra o chefe da Polícia do Rio, Rafik Louzada. Alega que jamais os policiais civis do Rio pediram busca oficial. Pediram apenas apoio, há quase um ano. Rafik acusa a polícia de MS de ajudar Fernandinho.
É briga de garoto grande.

Dívidas perdoadas
O deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) é um crente. Ele acha que o papa João Paulo II vai pedir o perdão da dívida externa dos países mais pobres do mundo. Mais: ele acredita que o papa será atendido.
Católico fervoroso, Severino lembra que o pedido do papa faz parte da tradição bíblica: ‘‘No ano do Jubileu, que se repete a cada 50 anos, está escrito que todas as dívidas devem ser perdoadas, inclusive as terras adquiridas em consequência do empobrecimento do antigo proprietário’’.

O PODER SEM PUDOR

Amante precoce
Político às vezes passa cada vexame... Que o diga o vereador Jorge VI, líder do bairro de Bebedouro, em Maceió, que certa vez foi procurado por uma família em desespero. Pai, mãe, irmãos e agregados imploravam socorro ao filho predileto do clã, um jovem de 23 anos, trabalhador e estudioso, preso na delegacia do bairro, acusado de seduzir uma menor.
Na delegacia, Jorge VI tentava convencer o irredutível delegado:
– As moças de hoje não são mais ingênuas, aprendem a namorar cedo. O senhor sabe, delegado...
Confiante, o vereador solicitou uma informação à mãe do preso, certo de que receberia o detalhe que faltava para convencer o policial:
– Quantos anos tem essa moça?
A mãe do tarado respondeu, com sua inalterável expressão de súplica:
– Dois anos, doutor.

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