Cláudio Humberto De Brasília Cláudio Humberto Rosa e Silva E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br ‘‘São Paulo não tem a pureza que Mário Covas procura demonstrar’’ (Do secretário da Fazenda do Paraná, Giovani Gionédis, que vai à Justiça contra a guerra fiscal paulista) Caixa de surpresas Logo após o Carnaval mais um escândalo deve cair no colo de FHC: circula em Brasília, por enquanto em poucas mãos, um alentado dossiê sobre as relações muito especiais entre diretores da Caixa Econômica Federal e a multinacional G. Tech, de automação bancária, controladora da Racimec, a empresa que opera todo o esquema de loterias. Os números da suposta maracutaia são impressionantes. Contrato é uma loteria O ‘‘Dossiê G. Tech’’ é obra de indignados servidores da Caixa. Eles acham suspeito que a empresa tenha faturado R$ 302,7 milhões em 1999, em contrato sem licitação, com sucessivos aditivos e à base da espoliação das pobres lotéricas, que são obrigadas a pagar comissões à G. Tech até das contas de água que recebem. A Caixa paga também impressionantes 7,5% de seu faturamento bruto à G. Tech, a título de comissões e, aí, só em 99 a multinacional faturou R$ 187,5 milhões. O xis da questão A G. Tech, que manda e desmanda na Caixa, é a maior parceira de automação bancária do Citibank. Os economiários acham que não é casual o fato de dois influentes diretores da Caixa, Fernando Carneiro e Henrique Costabile, serem oriundos daquele banco americano. Líder estressado O ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, bateu biela. Depois que se viu obrigado a conceder a liminar que presenteou os juízes com o tal auxílio-moradia, ele se descobriu extenuado. Por isso, atendendo a recomendação de amigos, começou um tratamento especializado para reduzir o seu stress. STJ sai do muro O ministro Paulo Roberto Costa Leite será eleito nesta quinta presidente do Superior Tribunal de Justiça para o biênio 2000-01. Conhecido por não ficar em cima do muro em questões polêmicas, Costa Leite acha que toda a crise em torno de salários dos magistrados federais aconteceu ‘‘por falta de coragem’’. Para ele, nunca houve interesse do Planalto ou do Legislativo em fixar teto para a remuneração de todo o funcionalismo, como determina a Constituição. Motivo: ‘‘manutenção de privilégios’’. Responda rápido Marcinho VP é um bandido 30 horas? Espelho meu A polícia do Rio confirmou esta coluna, revelando que investiga a possibilidade de o traficante Marcinho VP ter deixado o País num jatinho Falcon 10, prefixo PT-LVD, pertencente à família Moreira Salles, dona do Unibanco, à qual pertence João, o cineasta riquinho, amigo do bandido. ‘‘O Dia’’ não citou, que coisa feia, mas leu ‘‘furo’’ aqui. O segredo de Dona Hilda A prefeita da pequena Arcos (MG), Dona Hilda, é uma octogenária e elegante senhora. Há dias foi recebida por FHC em audiência especial e dele conseguiu a promessa de uma obra de saneamento de mais de US$ 4 milhões. ‘‘É de obras assim que eu gosto’’, disse o solícito anfitrião. Outras senhoras prefeitas não mereceram tanta atenção. Nem prefeitos de capitais, que jamais foram recebidos para um cafezinho no Planalto. Os jornais não contaram, mas a prefeita Hilda é a dona da empreiteira Andrade Gutierrez, generosa contribuinte das campanhas de FHC. Varig, Varig, Varig O débito de R$ 292 milhões da Varig no INSS saiu misteriosamente dos computadores daquele instituto. Quando reapareceu, dois meses depois, num passe de mágica, era só de R$ 21,5 milhões. Se isso fosse com a Vasp de Wagner Canhedo, com a TAM do comandante Rolim ou com a Transbrasil de Omar Fontana, a mídia estaria sendo tão discreta no trato do assunto? Categoria luxo As taxas e impostos judiciais e cartoriais poderão subir até 1.172% para os contribuintes e 23.453% para firmas, caso os deputados do Rio aprovem, depois do Carnaval, o projeto de Anthony Garotinho. O governador vetou tabelas que mantinham gratuitos os serviços dos Juizados Especiais, aos quais a população carente recorre para resolver pequenas causas até R$ 5,44 mil. Os donos de cartório estão rindo à toa. Men at work O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, tem em mãos uma denúncia de que engenheiros estrangeiros estão trabalhando irregularmente no gasoduto Brasil–Bolívia. Todo estrangeiro trabalhando no País deve ser acompanhado por um profissional brasileiro, segundo lei federal que vem sistematicamente sendo descumprida Brasil afora. Favorecendo assim a espionagem industrial e colocando no olho da rua técnicos brasileiros, já arrochados pela invasão das multinacionais. Creditrouxa A empresa Alpha Club está fazendo estragos financeiros não apenas no Rio mas em diversos Estados, prometendo lucro fácil através de uma espécie de marketing direto. Os contratos estabelecidos com os incautos ‘‘sócios’’ do clube são completamente irregulares. A taxa de adesão para ‘‘ficar rico’’ custa R$ 3,8 mil, o que permitiria descontos em vários estabelecimentos, até no exterior. A Alpha Club é sediada em Portugal. Para reaver o dinheiro, o associado precisa enlouquecer antes, tentando atrair novos adeptos. Céu de brigadeiro É grande o engarrafamento de aeronaves suspeitas, que circulam livremente pelo espaço aéreo latino-americano levando drogas, bandidos foragidos e outros bagulhos ilegais. O Paraguai é seu aeroporto preferencial. Recentemente pousou lá e foi apreendido o Cessna PT-LVT, registrado em Brasília. O PODER SEM PUDOR Vice insubordinado Durante coletiva, uma repórter perguntou ao governador Lavoisier Maia (RN) pela reforma do aeroporto em Parnamirim, prometida pela Aeronáutica naqueles tempos de regime militar. Lavoisier desconversou: – A Aeronáutica com seus brigadeiros-do-ar, muito competentes, homens de bravura, Esquadrilha da Fumaça, pilotos muito bem treinados... Outro repórter abordou a concessão de terrenos costeiros, pela Marinha, para hotéis e casas de veraneio. Lavoisier continuou na mesma toada: – Ah, a Marinha! Muito boa a Marinha, estimo muito os marinheiros, fuzileiros navais, bravos almirantes, tenho todo o respeito pela Marinha... Presente à coletiva, o atual senador Geraldo Melo notou o pauperismo das respostas e, em bilhete a Lavoisier, lembrou que os assessores estavam ali para qualquer consulta. A resposta veio ao microfone: – Mas menina, só faltava essa! Subordinado meu não me diz o que fazer! O ‘‘subordinado’’ a que ele se referia era o vice-governador do Estado.