‘‘Modéstia, presidente. O senhor é um ótimo ator’’
(Do âncora Boris Casoy, após FHC admitir que não atuou em filme de Gláuber Rocha por não se considerar bom ator)

Pimenta: sabor amargo
Pimenta na vara dos outros é refresco: ação trabalhista movida em 1993 por um professor da Universidade de Brasília só obteve sentença final em dezembro de 99, no Supremo Tribunal Federal (STF). Como isso ainda está sujeito a embargos e impugnações, graças à permissiva lei processual, com sorte o professor só sentirá o sabor da vitória dentro de dois anos.
Essa história seria banal se o autor da ação não fosse Wagner Pimenta, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Lixo no ventilador
A disputa pelo poder, na Paraíba, foi parar na lata do lixo. Literalmente.
No Palácio da Redenção, sede do governo, guardado a sete chaves, encontra-se um pormenorizado dossiê que aponta: o preço da coleta de lixo em João Pessoa e Campina Grande é o dobro do que é praticado no mercado. As duas maiores cidades do Estado são administradas por adversários políticos do governador José Maranhão, que só espera a hora mais adequada para jogar o lixo no ventilador.

Banho-maria
É passageira a trégua obtida pelo governador do Rio, Anthony Garotinho, entre o coordenador de Segurança, Luís Eduardo Soares, e o secretário de Segurança Pública, Josias Quintal.
Ambos são como óleo e água; não se misturam. Luís Eduardo Soares fala demais. E continua falando a favor do cineasta João Moreira Salles.

Pensando bem...
...perdemos a chance de ter um candidato ao Oscar de melhor ator e um prêmio Nobel de Literatura.

Carma 30 horas
Os banqueiros se queixam de preconceito, mas o relacionamento do cineasta riquinho João Moreira Salles, um dos herdeiros do Unibanco, com o traficante assassino Marcinho VP, mostra que não tem jeito mesmo: até quando fazem o bem, os banqueiros ficam do lado do mal.

Versão do embaixador
O embaixador do Suriname no Brasil, Rupert Laurence Christopher, decidiu falar e bater forte na CPI do Narcotráfico, acusando o deputado Morani Torgan (PFL-CE) de irresponsável por divulgar informações sem provas bem provadas. Christofer diz que Torgan está servindo involuntariamente a interesses eleitoreiros nas próximas eleições em seu país e pondo em risco as boas relações com o Brasil. O embaixador quer ser ouvido através do Itamaraty e questiona o conteúdo de um livro que o acusa, ‘‘escrito por um ex-terrorista’’ holandês.

CPI do CNE
Dois deputados do PT, Padre Roque Zimmermann (PR) e Gilmar Machado (MG), vão pedir uma CPI para investigar as denúncias contra o Conselho Nacional de Educação, apresentadas no final de 1999 nesta coluna e, mais recentemente, pela revista ‘‘Istoɒ’. Os deputados querem examinar a relação promíscua de conselheiros com os barões do ensino privado do País, incluindo tráfico de influência e venda de pareceres no CNE e na Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

Código nele
Um carro oficial causou pânico no Lago Sul, em Brasília, às 21h45 de segunda (28). Desenvolvendo altíssima velocidade, avançou o sinal e pelo menos um pedestre se queixa de um quase atropelamento. Ele mal teve tempo de ver a placa e o ilustre passageiro – e jura que daqui por diante só sai de casa um galho de arruda pendurado na orelha.
O carro era Vectra preto, placa 043, e transportava José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Senado.

Assaltos e bocejos
Em Fortaleza, um out door é assustador, espalhado pelo Sindicato dos Bancários. Diz mais ou menos o seguinte: ‘‘Senhor assaltante, já que o governo nem os banqueiros fazem nada para nos defender, roube o que quiser, mas poupe a vida dos bancários e dos vigilantes’’.
Enquanto isso, o titular da SSP, general de pijama Cândido Vargas, faz uma palestra por dia. Para provocar bocejos e animar assaltantes.

Madame é um estouro
A socialite paranaense Cristiane Mocelin Canet está sendo investigada pela Polícia Federal e mordida pelo leão da Receita.
Figura frequente nas colunas sociais, madame não esfria a barriga no tanque mas é acusada de ser boa em lavanderia, através de casas de câmbio e de um pequeno banco, pelas contas do tipo CC-5.
Ela é sobrinha do ex-governador Jaime Canet e amiga do peito de João Elísio Ferraz de Campos, presidente da Fenaseg. Madame sabe muito e, se abrir o bico, vai faltar cadeia pra tanto tubarão.

Brazil S.A.
Os negócios do ex-lambadeiro Marcelo Toledo, denunciado pela ‘‘Istoɒ’, vão de vento em popa. Ele atualizou nesta terça o site mbrazil.com.br, mantendo os depoimentos de empregados satisfeitos e de alguns empregadores, especialmente de au-pair no exterior. E está contratando assessores de imprensa. Quem se habilita?

Corrente da felicidade
Em Nova York, Michael & Kathleen Dunn são os patrões ‘‘festeiros’’ de Tereza Regina Teixeira. Nair Alves da Silva está feliz porque acorda às 7 horas e ‘‘está livre às 20h30’’. ‘‘Cida’’, do Canadá, diz que está ‘‘ralando bastante’’; outra conta que saiu escondida dos parentes e sente falta das filhas. O depoimento de quem passou o diabo não está na página. No Rio, a M.Brazil, do mesmo Toledo, funciona normalmente, ‘‘porque os problemas foram lá em Jundia풒, diz uma secretária, ao telefone.

Casa Civil e Casa Militar
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira, que diz ter dispensado o auxílio-moradia, é contra o benefício de R$ 3 mil para os juízes, porque eles não têm, como os deputados, duas casas para sustentar.
Há casos, Excelência, em que são muito mais que duas.

O PODER SEM PUDOR

A volta de Da Vinci
Viúvo, o governador Pedro Simon entregou o bastão de primeira-dama a uma irmã. Na época, esteve em Porto Alegre uma exposição itinerante do genial arquiteto, inventor e pintor Leonardo da Vinci. Para a abertura da exposição foram enviados convites para as principais autoridades, inclusive a ‘‘primeira-dama’’. O convite, muito criativo, começava assim: ‘‘Eu, Leonardo da Vinci, convido vossa senhoria’’ etc.
A irmã de Simon não poderia comparecer ao evento, mas fez questão de enviar uma mensagem. Ditou à secretária o seguinte telegrama:
– Caro Leonardo da Vinci. Infelizmente não poderei comparecer à abertura da sua exposição, por compromissos inadiáveis. Porém, desde já desejo muito sucesso na sua jovem e promissora carreira.
A secretária, é claro, pagou o pato.

Cláudio Humberto Rosa e Silva
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br