‘‘Casamento de Fernando Henrique, indissolúvel, só com Dona Ruth’’
(De ACM sobre a aliança PMDB-PSDB para derrotar o mínimo do PFL)

O sobrevôo tucano
Os bancos Garantia e Opportunity se preparam para fazer uma oferta de compra da Band, a Rede Bandeirantes de Televisão. O valor do negócio é um segredo de estado, mas pode chegar a US$ 1,1 bilhão.
Auditores especialmente contratados ultimam a ‘‘due dilligence’’, como homens de negócios chamam o minucioso levantamento sobre a real situação da empresa, para só então iniciarem as tratativas.
Por trás e pela frente dos negócios estão conhecidos tucanos. FHC é, digamos assim, um ardente torcedor da operação. No mínimo.

O sobrevôo da águia
Durante a negociação de venda de um pacote de filmes por US$ 120 milhões ao SBT, a direção do grupo americano Time Warner manifestou a Sílvio Santos o interesse em comprar 30% de sua rede de TV.
Sílvio explicou que a legislação ainda não permite a transação, mas o Congresso deverá aprovar emenda que permite a participação de grupos estrangeiros nas empresas nacionais de rádio e televisão. Como o lobby é poderoso e irresistível, a emenda será aprovada com facilidade.

Pensando bem...
... São Paulo está precisando de um prefeito auto-sustentável.

Catraca
Celso Pitta mostrou que entende mesmo de estacionamento. Instituiu a prefeitura-rodízio. Com direito a assalto no pernoite.

Permitido estacionar
Já para o governador do Rio, Anthony Garotinho, toda denúncia é ‘‘van’’.

Mea culpa
Quem mandou o Pitta liberar as peruas? Agora aguenta.

Quanto custa
Informação para o leitor curioso com as despesas do curso de inglês de D. Nicéia Camargo: o American Language, intensivo, durante quatro meses na Universidade de Colúmbia, em Nova Iork, custará, em média, US$ 4.629, no próximo ano letivo.

Pedágio, obrigado
FHC liberou R$ 12 milhões para recuperar a Transamazônica e a Santarém-Cuiabá, duas rodovias federais de onde se vai de nada para lugar nenhum. As populações locais estão sem remédios, alimentos, gás de cozinha e outros gêneros de primeira necessidade. O ministério dos Transportes e o DNER devem achar que lá é muito longe.

Siqueira não perdoa
Os estudantes da Universidade do Tocantins estão preocupados com a sanha privatizante do governador Siqueira Campos.
Seu governo não apenas cobra mensalidades dos estudantes como ainda pretende transferir a Unitins à iniciativa privada, deixando na mão a maioria pobre do seu corpo discente.

Protesto de lobistas
Lobistas de Brasília devem denunciar ao Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica do Ministério da Justiça, contra a propina de R$ 250 mil que teriam sido cobrados por certa autoridade da República, segundo conversa entre o advogado e um empresário ligado ao processo de fusão das cervejarias. Os diálogos foram revelados nesta coluna. Os lobistas estão inconformados e acham que cobrar só R$ 250 mil foi ‘‘dumping’’, no mínimo uma ‘‘concorrência deslesal’’.

Quero ser grande
O ex-prefeito do Rio, César Maia ataca outra vez: ele acha que já é hora de pedir o impeachment do governador Anthony Garotinho, que pensava crescer o bastante para chegar à presidência, em 2002. Tanto que não somente nas ruas de Campos, reduto eleitoral do governador, mas também na capital circulam carros com adesivos: ‘‘Garotinho, um projeto para o Brasil.’’ Sem indicação de qualquer partido. Vôo solo. E de risco.

Escândalos no Amapá
Três prefeitos do Amapá foram afastados dos seus cargos por suspeita de roubalheira, dois deles de esquerda. Em Pracuúba, Dorimar Neves Nunes, do PSB (partido do governador João Capiberibe), foi acusado de sumir com os duodécimos, passando a perna nos vereadores. O tucano Ricardo Bravo, prefeito de Calçoene, atrasou os salários 18 meses e só aparecia na cidade uma vez por mês, segundo seus opositores, ‘‘para raspar o tacho’’. E Manoel Gomes Coelho, do PT, prefeito de Laranjal de Jari, que passou a chave na prefeitura e foi embora para sua chácara.

FHC: orelhas vão arder
A Força Sindical promete um 1º de Maio de arromba, ‘‘o maior do mundo’’. Em São Paulo, a manifestação será na Praça Bagatelle. Haverá shows de artistas famosos (sem cachê) e serão sorteados cinco apartamentos prontos para morar, dez automóveis e cem outros prêmios, de computadores e geladeiras. A central mandou imprimir 3 milhões de cupons com direito ao sorteio. Se aparecerem menos de um milhão de pessoas, os sindicalistas - em ponto de bala para criticar o governo cujo presidente ajudaram a eleger - ficarão decepcionados.

O PODER SEM PUDOR

Pânico de canhão
A colaboração foi enviada pelo leitor Elvânio Jatobá, residente na Tamarineira, no Recife. Ele lembra que o ex-governador pernambucano Gustavo Krause nunca foi muito chegado a cerimônias oficiais, especialmente com ‘‘fundo musical’’ de tiros. Por isso certa vez ele se assustou ao ser saudado com uma salva de tiros de canhão, quando chegou para presidir uma cerimônia. Ele tem pânico de canhão.
Ao final da solenidade, o governador tentou sair de fininho, para evitar nova homenagem, mas um oficial percebeu e gritou:
– O senhor governador está se retirando!
O único canhão preparado, dos tempos da Primeira Guerra, cheio de pólvora seca, por infeliz coincidência, estava bem próximo do atônito Krause, que se viu obrigado a parar. O fortíssimo tiro do canhão despoletou o velho pânico de Krause, que foi embora aos berros:
– Homenagem de grego! Homenagem de grego!
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