Cláudio Humberto


De Brasília



Cláudio Humberto Rosa e Silva
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‘‘É preciso ter coragem para defender a linha do governo’’
(De FHC, cobrando apoio dos aliados para o salário mínimo de R$ 151, que fixou)


Propina: 250 mil
Um dos diálogos entre um advogado, ex-deputado petista, e um empresário com interesse na fusão da Brahma com a Antarctica, a que esta coluna teve acesso, mostra a discussão sobre o valor da propina. Segundo interpretação do Ministério Público, as palavras ‘‘médico’’ e ‘‘psicossomático’’ são usadas para se referirem ao intermediário da negociação. Eis um trecho:
Advogado - Estive lá com aquele médico que quer ajuda, aquela coisa toda... Ele quer fazer o evento que orçou em 250.000 reais.
Empresário - Mas o que esse médico vai fazer?
Advogado - Vai fazer um congresso nacional de medicina psicossomática.
Empresário - C(*)!... (impublicável)
Advogado - É, tem mil e poucas entidades e vão se reunir aí num centro de convenções de primeiro mundo...
Empresário - E qual a ligação dele com a (nome citado explicitamente)?
Advogado - É o cara que trata da (nova citação).
Empresário - Ah, ele trata dela...
Advogado - É o psicossomático da (outra citação), entendeu?
Empresário - Sei...
Advogado - Esse é o negócio dele.

Samba-enredo
O prefeito afastado Celso Pitta e sua ex devem ser bons sujeitos, apesar de ruins da cabeça, porque gostavam muito de samba. Mantinham um esquema de apadrinhados na diretoria de eventos do Anhembi. Eram 94 funcionários, com salários de até R$ 7 mil. A comunidade negra tinha emprego certo, porém salário menor, em média R$ 800. As escolas de samba Nenê da Vila Matilde, Mocidade Alegre, Vai Vai, Camisa Verde e Rosas de Ouro, entre outras, se comprometiam a apoiar o prefeito.
E pensar que São Paulo era chamado de ‘‘túmulo do samba’’.

Justiça no poder
Está cada vez mais difícil para o prefeito afastado Celso Pitta.
Quando ele recorrer à Justiça para tentar permanecer no cargo, não faltará quem lembre: o vice-prefeito de São Paulo, Régis de Oliveira, que é substituto (e adversário) do titular, foi desembargador e presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Recordar é viver
O ex-ministro João Mellão publicou artigo em ‘‘O Estado de S.Paulo’’, nesta sexta, confessando-se ‘‘culpado’’ de ser ‘‘parente em sexto grau’’ do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Armando Mellão. A falta de solidariedade familiar de Mellão, o João, só é pior do que sua memória: ele foi sumariamente demitido pelo então prefeito Paulo Maluf (imagine!) da Secretaria de Habitação, em meio a suspeitas de um nebuloso caso de extorsão a um supermercado paulistano.

Primeira classe
Por pouco o governador do Piauí, Francisco Moraes Souza, o Mão Santa, não viajou com o tenente-coronel Correia Lima, acusado de organizar o crime no Estado. O Mão Podre ia sob escolta da PM depor em Parnaíba, e como pifou um táxi aéreo da empresa Poti, foi transferido para o avião oficial. As duas Mãos se encontraram no hangar e o embaraço foi grande. As regalias aéreas do coronel estão sendo investigadas, para saber quem está pagando as alegres viagens do acusado e seus colegas PMs.

Imortal à vista
O senador José Roberto Arruda arranjou um patrono e tanto para uma possível candidatura à Academia Brasileira de Letras. O colega Francelino Pereira (PFL-MG), aquele que já frequentou ‘‘o maior partido do Ocidente’’, elogiou o livro ‘‘Lúcia, mãe de Glauber’’, de autoria de Arruda. Disse que a obra ‘‘surpreende pela narrativa, demonstrando raro conhecimento da cinematografia brasileira, desde suas origens’’.

Campanha
As Organizações Globo lançam neste domingo, no ‘‘Fantástico’’, uma agressiva – e bem humorada – campanha publicitária do seu site www. globo.com, cujo conteúdo será constituído por todos os seus veículos de comunicação. Criada pela agência Lew, Lara, de São Paulo, a campanha usa artistas do cast da Globo, como Regina Duarte e Débora Secco, e pretende tornar o novo site um divisor de águas no acesso à Internet.

Gandaia patriótica
A Fundação Cultural de Curitiba, de d. Margarita Elisabeth Pericás Greca foi escolhida para organizar as atividades culturais das comemorações dos 500 anos, presididas por seu marido, o ministro Rafael Greca (Esporte e Turismo). Foram R$ 600 mil depositados na agência 1433-8, do Banco do Brasil. As peripécias festeiras de dona Margarita estão sendo investigadas pelo Ministério Público, porque o dinheiro é nosso e quem se diverte são eles. O ministro justifica a ‘‘doação’’ porque a Fundação Roberto Marinho, entre outras entidades, também recebeu.

Agora é o mosquito
Às voltas com uma epidemia de dengue, o Paraguai descobriu em Itaipu Binacional focos do ‘‘tigre asiático’’, mosquito mais mortal que o aedes aegypti. Já são nove casos. É bom o Brasil ficar de olho, especialmente na região de Foz do Iguaçu. A proximidade com as fronteiras, além da precária infra-estrutura sanitária paraguaia, não recomendam deixar o mosquito voando como um Beira-Mar qualquer. O bichinho mata mesmo.

Entre a cruz e a camisinha
O governador do Rio, Anthony Garotinho, que é evangélico, foi pego na mentira e ainda vai ter que se queixar ao bispo de Volta Redonda, D. João Messi, depois de negar a existência de um projeto estadual de controle da natalidade. Garotinho empurrou a questão para um deputado local, que empurrou para o governador, que jogou para a primeira-dama, Rosinha. O fato é que o projeto de ligaduras de trompas e vasectomias gratuitas existe e Garotinho saiu pela tangente: ‘‘Se o bispo é contra, os católicos não são.’’ A briga com a Igreja promete ser boa.

A esmolinha do HSBC
Um cliente do HSBC encerrou sua conta na agência Catete, no Rio, depois de algumas trapalhadas do banco, aquele que sofreu o primeiro bug do milênio na Inglaterra, antes mesmo da virada de 2000.
Para sua surpresa, foi avisado pela gerente que tinha um saldo devedor com a gigantesca instituição. O saldo era de R$ 0,26. O pasmo cliente levou em moedas contadas, para alívio da gerente idiota, que preferiu receber esmola de cego a cativar o correntista insatisfeito.

O PODER SEM PUDOR
Não tem perigo
O paciente ex-ministro José Aparecido de Oliveira aceitou debater com estudantes, nos anos 80, os fatos políticos de 1961, quando o presidente Jânio Quadros renunciou após sete meses no cargo. Aparecido foi secretário de Jânio. Um rapaz, com a arrogância própria da idade, criticou o gesto do ex-presidente, atribuído às ‘‘forças ocultas’’, e declarou:
– Eu nunca teria feito isso!
Aparecido não perdeu a chance:
– Você pode até estar certo, mas esse problema você nunca vai enfrentar.
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