Carimbo de suspeição
‘‘Com tamanha cara-de-pau, o senador deve usar Óleo de Peroba’’
(Da petista Heloísa Helena sobre o tucano José Roberto Arruda, que atribui a resistência a Teresa Grossi, do BC, à ‘‘discriminação contra a mulher’’)
Era conhecido na véspera o resultado da concorrência nº 055/2000 do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), R$ 24 milhões, para a construção de sua sede no Rio de Janeiro. Na mesma data de abertura das propostas de preço, 15 de março, a ‘‘Gazeta de Sergipe’’ publicou anúncio cifrado antecipando que ‘‘Serviços de Engenharia, apoiados pelos Fortes da Construção, almoçará bolo na forma da futura sede de Aprendizagem Comercial, onde a receita foi previamente preparada para o paladar dele’’. Serviços de Engenharia é o nome por extenso da Sergen, a empresa carioca que venceu a licitação. Veja o anúncio em ‘‘Dossi꒒, no site www.claudiohumberto.com.br.

Denúncia formalizada
O anúncio cifrado indicava que algumas empreiteiras ganharia R$ 200 mil para apresentar propostas de preço mais elevadas do que a Sergen, assim como afirmava que ‘‘ o Chef muito guloso terá 2.000 fatias’’ do ‘‘bolo’’. Por coincidência, muitas horas antes da abertura das propostas, marcada para as 18h do dia 15, exatamente à 1h42m37 um funcionário do Senac-RJ denunciava o acerto através de email, com acusações tão graves quanto explícitas à direção do órgão. O caso já é do conhecimento do Tribunal de Contas e do ministério público do Rio.

Implosão tucana
O governador do Ceará, Tasso Jereissatti, anda tão magoado com FHC que já considera a hipótese de trocar o PSDB pelo PPS.
Se ele fizer isso, Ciro Gomes abre mão de sua candidatura a presidente.

Escândalo, só dos outros
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez há dias mais um eloquente discurso, desta vez sobre as denúncias de Nicéa Camargo contra o ex-marido prefeito de São Paulo, e foi até aparteado pelo colega Roberto Requião (PMDB-PR). Ambos deram um show de retórica.
Perderam uma excelente oportunidade de recordar o recente escândalo dos precatórios do DNER e o envolvimento do ministro Eliseu Padilha (Transportes), nessa área do governo FHC controlada pelo PMDB.

Cara recauchutagem
O governador Joaquim Roriz (DF) mandou afastar a delegada Débora Menezes, titular da Delegacia da Mulher. Ela se queixa de ‘‘perseguição política’’, mas na verdade é acusada de desviar R$ 40 mil doados pelo empresário João Carlos Di Gênio, dono do Objetivo, para a confecção de uma cartilha de orientação às mulheres que são vítimas de violência.
A delegada é suspeita de torrar o dinheiro em operação plástica, aplicações de ‘‘botox’’ e numa temporada em spa. A Corregedoria da Polícia Civil tem até fotos que reforçam as denúncias.

Sem papo com FHC
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva foi dos primeiros a apoiar a reeleição de FHC e a de Covas (este, contra a vontade de Medeiros, que apoiou Maluf). Em troca, teve todas suas propostas para os programas de governo de FHC e Covas literalmente engavetadas.
Paulinho não fala com FHC - com quem trocava figurinhas com frequência - desde o final do ano passado. O ministro Dornelles já o convidou duas vezes para visitar o presidente. Desencantado com a falta de resultados práticos anteriores, Paulinho simplesmente desconversa.

Malas prontas
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, está organizando um grupo de governadores nordestinos e parlamentares para viajar aos Estados Unidos. Entre os dias 29 de abril e 5 de maio ele faz um tour com o grupo para conhecer as obras de transposição de águas na Califórnia, Colorado e Washington. O ministério garante que quem vai pagar a conta é o Banco Mundial, que patrocina a viagem. Mas ninguém fala em valores.

Dog’s serial killer
Em sua irrefreável fobia canina, um conhecido e respeitado jornalista virou o terror dos cães da quadra onde mora, em Brasília. Já matou vários animais administrando-lhes guloseimas onde se encontra escondida uma pastilha de Sonrisal. A efervescência do medicamento fecha a glote e mata o cão em menos de duas horas, por afixia.

Quebra de sigilo
A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul enviou a ACM uma sugestão de projeto de lei que exclui do benefício do sigilo bancário os membros dos poderes executivo, legislativo e judiciário, do ministério público e dos tribunais de contas e os ocupantes de cargos ou funções no serviço público. De acordo com a proposta, todos os ocupantes dos cargos citados teriam 30 dias, a partir da promulgação da lei, para informar se possuem contas bancárias, investimentos ou ações no exterior. ACM ainda não disse se vai abraçar a idéia.

Inferno e céu
O jornalista Agnelo Alves (irmão do ex-ministro Aloísio Alves) vive um dilema. Guindado a senador por conta da ida de Fernando Bezerra ao ministério, ele está prestes a trocar o céu de senador pelo purgatório da campanha à prefeitura do município de Panamirim, onde faz política.
Seus correligionários acham que ele é imbativel e Agnelo dificilmente terá como não ir para a disputa. No carnaval, Agnelo, que participou da comitiva da beatificação de um grupo de mártires, rezou em Roma por um milagre.

Feche os olhos, ministro
O ministro Néri da Silveira, do Supremo Tribunal Federal, só não é mais carola que o papa. Do tipo vai à missa todo santo dia, vive rezando e quase sempre comunga. Por isso, convém ele não dar uma espiada qualquer dos sites na Internet da cantora mexicana Gloria Trevi, que está presa em Brasília e de cujo processo de extradição é relator. Em especial aquele - www. trevi.com - que mostra fotos em que a artista aparece do jeito que veio ao mundo, com chifrinho de diabinha, tridente e fogo, muito fogo, à sua volta. Gloria é acusada de crimes sexuais contra menores.

Quem é quem
Alguém disse aí que Gloria Trevi é a Xuxa do México?
Tremenda injustiça: Trevi tem 20.545 páginas na Internet; Xuxa, incluindo o atleta de natação e referências na imprensa, só 818.

O PODER SEM PUDOR
Ouvinte é fogo...
O programa ‘‘Jogo Aberto’’, da rádio Arapuan da Paraíba, entrevistava o senador biônico Milton Cabral, irmão do dono da emissora, Antônio Cabral (embora todo mundo soubesse que a emissora era do senador).
Lá para as tantas, um ouvinte, depois de elogiar o radialista Petrônio Souto, apresentador do programa, fez a pergunta proibida, no ar:
- Quantos votos teve o senador Milton Cabral?
Colocado em xeque, radialista foi esperto diante do patrão, no estúdio:
- Meu amigo, foi tanto voto que eu nem me lembro...
O senador, que ganhou o mandato sem votos, sorriu orgulhoso e aliviado.

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