Cláudio Humberto De Brasília Cláudio Humberto Rosa e Silva E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br ‘‘Um segundo turno com Marta Suplicy será uma experiência linda’’ (De Luiza Erundina, do PSB, destacado o ‘‘momento histórico’’ da disputa entre duas mulheres progressistas pela maior prefeitura do País) Alejandra é mesmo forte Quem se lembra da argentina Alejandra Estela Herrera Rieznik, cuja misteriosa amizade com FHC foi revelada nesta coluna em julho de 99? A amizade continua firme e forte, à custa do contribuinte: ela embolsa todos os meses R$ 12.600 brutos, pagos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ganha mais que o próprio presidente. Segundo comprovantes do Siafi, durante todo o ano de 99 Alejandra embolsou R$ 103,5 mil líquidos. No ano 2000, entre janeiro e março o erário já compareceu com R$ 18.507,99, depositados pontualmente na sua conta nº 6025943, a agência nº 1503, do Banco do Brasil. Relação mal explicada FHC visitou Alejandra na noite de 1º de julho de 99, uma quinta-feira, na sua quitinete em Brasília, no bairro Sudoeste, à QSRW 1, conforme aqui se revelou. A visita durou quatro horas: ele chegou às 20h30 e só foi embora após à 0h30. Antes de subir as escadas (o prédio não tem elevador) para alcançar o apartamento 105, de Alejandra, o presidente deu autógrafos e ouviu vaias. Duas horas depois, um furgão chegou ao prédio com o jantar. No dia seguinte a Anatel depositaria R$ 8.865,00 na conta de Alejandra no BB. A Secretaria de Imprensa do Planalto informou tratar-se de ‘‘amiga da família’’, mas D. Ruth não acompanhava o marido. Era tudo mentira A Polícia Federal fez uma acareação entre o ex-deputado Airton Soares, advogado de empresas de distribuição de bebidas, e a dra. Hebe Romano, membro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça. Soares havia dito que Hebe Romano garantira a ele ter sido vítima de ‘‘tentativa de suborno’’. Era mentira. Airton Soares será indiciado por falso testemunho. Abram o olho Pergunta que se recusa a calar: – Será que FHC e Mário Covas e outros menos votados já vacinaram as respectivas contra o vírus Nicéa? Diligência na mira O Planalto tem recebido queixas de autoridades do Executivo sobre interpelações, por escrito, do deputado Robson Tuma (PFL-SP). Ele usaria papel timbrado de comissões permanentes de fiscalização da Câmara, com número de ordem fajuto, para pedir explicações que, a rigor, devem ser solicitadas através da mesa diretora. Para uma autoridade da área econômica, isso não é exatamente uma surpresa: – O deputado é conhecido por perseguir a diligência. E como persegue. O diabo e a cruz Não quer nem ouvir falar em precatórios e se recusou a dar opinião sobre a renegociação feita pelo governador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Em reunião da Executiva Nacional do PSB, nesta sexta em Brasília, ele se limitou a dizer: ‘‘Este assunto é judicial. Quem fala são advogados’’. Soares desafinou Antes da ‘‘banda podre’’ começar a tocar no Palácio Guanabara, o deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) chegou a pedir ao governador Garotinho a permanência de Luís Eduardo Soares e garantias de vida para o defenestrado coordenador de Segurança do Rio. Bolsonaro acreditava que Soares era o indicado para revelar o desvio de R$ 3 milhões dos salários de bombeiros e PMs, através, por exemplo, de favorecimento a determinados batalhões, fato já revelado nesta coluna. CH astrologia Como anunciou esta coluna, durou pouquíssimo a trégua entre o secretário de Segurança, coronel Josias Quintal, e o Coordenador, Luís Eduardo Soares. Nem precisava consultar os astros para saber que óleo e água não se misturam. Entende do riscado Não é piada de porta de delegacia: o presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública da Assembléia do Rio é o deputado José Guilherme Godinho, o Sivuca. Integrante do conhecido grupo de extermínio carioca ‘‘Homens de Ouro’’ e ex-presidente nacional da Scuderie Le Cocq, do que se diz orgulhoso, Sivuca poderá vir a investigar as denúncias de ‘‘banda podre’’ do ex-coordenador de Segurança do Rio. Pensando bem, é o homem certo, no lugar certo. Aquele abraço Cariocas nativos e adotados vão abraçar a lagoa Rodrigo de Freitas neste domingo, a partir das 10h da manhã, como forma de protesto e mobilização da sociedade contra a poluição de um dos símbolos da cidade. Os manifestantes vão exigir providências imediatas e concretas das autoridades e transparência nas investigações para apurar responsabilidades. Um dos pontos de encontro é o Corte do Cantagalo. Auxílio-pilantropia O melhor negócio do momento em Pernambuco é ter uma entidade ‘‘filantrópica’’. Que o diga o deputado Geraldo Coelho (PFL), que há dez anos é ‘‘dono’’ da Comissão de Finanças da Assembléia pernambucana. Pressionado pela imprensa, Coelho abriu sua caixa-preta, na qual 54 entidades usufruem de R$ 20 mil mensais das cotas dos 49 deputados. Eles mesmos distribuem e fiscalizam o repasse, garantidos em leis aprovadas por eles também. Mas o TCE entrou no galinheiro e quer ver as contas das raposas até o final deste mês. Água da mesma pipa O governo de Angola está preocupado com a lavanderia Mário Soares, em Portugal, acusando o ex-presidente português de contrabando de diamantes. Mas devia também se preocupar com a própria imagem, refletida na brutal repressão à liberdade de imprensa em seu país. O jornalista free-lancer Rafael Marques, que ousou chamar de ditador e denunciar a corrupção do presidente José Eduardo dos Santos, pode pegar dois anos de cadeia. Não apenas Rafael, mas vários outros jornalistas angolanos vivem debaixo de mordaça e terror. O PODER SEM PUDOR O troco de Lampreia Mal iniciara o governo Itamar Franco em 1992, o embaixador do Brasil em Lisboa, Luiz Felipe Lampreia, foi tranquilizado pelo ex-ministro José Aparecido de Oliveira, influente amigo do novo presidente: ao contrário do que os jornais especulavam, ele não queria ser embaixador. O portador do recado foi um amigo comum, o jornalista Alberto Dines. Dias depois, Aparecido seria nomeado exatamente para esse cargo e ganharia a inimizade eterna do atual ministro das Relações Exteriores. Agora Lampreia deu o troco: o secretário de Direitos Humanos, José Gregori, pediu a autorização de Aparecido para convencer FHC a fazer um ato de justiça, nomeando-o secretário-geral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. A CPLP foi criação de Aparecido, no seu fértil período em Lisboa. Novamente o portador foi um jornalista, Sebastião Nery. Mal sabia Aparecido que era tudo encenação. O que Gregori queria era exatamente o cargo pelo qual Aparecido tanto esperou e merecia. Gregori assume o posto no meio do ano, como já antecipou esta coluna, em substituição ao angolano Marcelino Moco. E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br

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