Cláudio Humberto De Brasília Cláudio Humberto Rosa e Silva E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br ‘‘Não é mais o Celso Pitta com quem casei’’ (De Dona Nicéa, ex-Pitta, vingando-se na TV das puladas de cerca do maridão) Com pinta de CPI Ainda vai acabar em CPI a gestão de Emílio Carazzai na presidência da Caixa Econômica Federal. Todo dia aparece um dossiê na praça. O último denuncia o reino absoluto, na CEF, da empresa Gerencial Brasitec Serviços Técnicos Ltda, pernambucana como Carazzai (nascido no Paraná), dona de uma mina de ouro exclusiva: centenas de obras de reparos em habitações financiadas e seguradas pela CEF em todo o País. A parede rachou, a casa foi inundada? O seguro da Caixa (Sasse) paga o reparo. A Brasitec vistoria, fixa o valor da obra, faz consulta a três construtoras e escolhe a que apresentar o preço mais próximo do seu laudo. Mas, na prática, é a Brasitec que fatura tudo, através de empresas de fachada. A reação catarinense Emílio Carazzai nem pode alegar desconhecimento das acusações. Ele acaba de receber uma denúncia formal de inconformados empresários catarinenses, datada de 24 de fevereiro, respaldada por documentos oficiais, incluindo laudos periciais de rara contundência. A Gerencial Brasitec é acusada de superfaturar preços em até 60% e de criar empresas de fachada, em nome de parentes, amigos e funcionários, em endereços fictícios, as quais ‘‘contrata’’ para fazer reparos. Mas todo dinheiro, muito dinheiro, acaba nos cofres da própria Gerencial Brasitec. O nome do boi O dono da Gerencial Brasitec é o deputado federal Luciano Bivar (PSL), que apareceu na TV, nesta quinta (9), em rede nacional, pregando a moralidade pública e a livre iniciativa. Bivar é conterrâneo de Carazzai e manda tanto no pedaço que até já chegou a assinar pela Sasse um contrato de empreitada com uma de suas construtoras de fachada, a Maná Empreendimentos. Atitude exemplar O Detran de Brasília é considerado o melhor País, com elevada eficiência e baixíssimos índices de corrupção não apenas na área burocrática, como nas ruas. É também um dos mais bem preparados. Dos 24 PMs agentes de trânsito formados em janeiro passado, por exemplo, nove têm curso superior (dois advogados, três engenheiros, dois contadores e dois administradores de empresas) e quatro estão no último ano da faculdade. Todos têm, no mínimo, segundo grau completo. E essa gente honrada ganha apenas R$ 641 por mês. Atitude vergonhosa Com os direitos políticos suspensos por decisão do Superior Tribunal de Justiça, o sentenciado Paulo Marinho – em cuja casa a polícia apreendeu um carro roubado da Prefeitura de Caxias (MA) – não pode mais exercer o mandato de deputado. Mas graças a manobras do amigo Inocêncio de Oliveira (PE), líder do PFL, que também é seu vizinho numa fazenda do Maranhão, a mesa diretora da Câmara ainda não se reuniu para declarar seu cargo vago, como manda a lei, e empossar o suplente, Nam Souza. À mercê de fraudes Além das suspeitas de irregularidades que permeiam a implantação do sistema de voto eletrônico do País, a lei eleitoral é falha e omissa, segundo explica o especialista Gilberto Serodio. Determina, por exemplo, que o Tribunal Superior Eleitoral forneça aos partidos cópia dos arquivos recebidos dos TREs com os chamados ‘‘votos eletrônicos’’. O que ninguém sabe é que o partido precisa ter um computador similar em capacidade e performance ao do TSE, o HP-UX, com sistema operacional próprio, que custa mais de 1 milhão de dólares. Um bom negócio Além dos vencimentos elevados e das passagens aéreas, o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça, Gesner Oliveira, faturou R$ 27.026,07 em diárias, durante o ano de 1999, segundo comprovante do Siafi em poder desta coluna. Sem contar os R$ 1.800 que recebe todos os meses a título de auxílio-moradia. Ou, para ser exato, ‘‘ressarcimento de aluguel funcional’’. Não são noviços Mário Soares e seu filho, João, donos de rentável lavanderia em Portugal, são velhos conhecidos do submundo lusitano. Macau, a centenária colônia devolvida aos chineses na virada do milênio, foi palco de grandes malabarismos do moço, usando o nome do papai. Madame é louca Jornalistas estão recebendo telefonemas irritadiços de uma senhora que se identifica como ‘‘Madame Gouveia Vieira’’. Defende com veemência o novo presidente do BNDES, Francisco Gros, elogiando os seus ‘‘muitos serviços ao País’’ e ameaça com um ‘‘vocês não sabem com quem estão mexendo’’. Vaticina que ‘‘o Gros logo, logo substituirá o Tápias’’ e segue seu palavrório, entremeado por palavrões, com forte sotaque carioca. Quem tem uma assessora dessas não precisa de inimigos. Recuerdos de Amambay Esta segunda será um dia agitado em Campo Grande (MS). A CPI do Narcotráfico chega à capital e, na terça, os deputados Moroni Torgan, Magno Malta, Laura Carneiro e Lino Rossi vão sobrevoar a fronteira do Paraguai num helicóptero da Polícia Federal. Verão do alto, entre outras, as paradisíacas cidades de Capitán Bado e Amambay, por onde transitaria o supertraficante que a polícia carioca tanto procura. Vacina mortal A Secretaria estadual de Saúde de São Paulo avisa: vacina de febre amarela faz mal à vida. Evoé, Zeca O Salgueiro, escola de samba do Rio, não perde nada com o atual debate para trocar o nome do Mato Grosso do Sul para Estado do Pantanal. O enredo do Carnaval do ano que vem, garantido com pelo menos R$ 400 mil dos cofres públicos, fica em cima do muro: ‘‘Mato Grosso, um Estado do Pantanal’’. O governador Zeca do PT é um sábio. Algo em comum Além de embaraçar seus amigos, na desastrada (ou ardilosa, segundo os jornalistas amigos) entrevista à revista ‘‘Época’’, FHC revelou que tem mais em comum com ACM do que supõe. Ambos adoram ar condicionado. ‘‘A Ruth detesta’’, disse o presidente. Era o caso de se mudar para a casa do baiano. O PODER SEM PUDOR Combatente baiano O exercício do poder, na Bahia, às vezes foi marcado pelo bom humor. Em abril de 1961, por exemplo, quando os Estados Unidos protagonizaram a desastrada tentativa de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba, o deputado estadual Raimundo Reis (PSD) enviou ao governador Juracy Magalhães um requerimento carregado de ironia, pedindo um navio da companhia estatal de navegação, que transportava baianos entre Salvador e Itaparica, para ‘‘defender a liberdade das Américas’’. Juracy despachou no alto do requerimento, de próprio punho: – Conceda-se o navio. Que o requerente providencie voluntários. Não se falou mais no assunto.