Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto De Brasília Cláudio Humberto Rosa e Silva E-mail: [email protected] www.claudiohumberto.com.br Se a liminar cair antes que o teto vigore, proporei greve (Do presidente da Ajufe, juiz Fernando Tourinho, esperando a decisão do STF) Só trouxa paga Montado numa das maiores fortunas do País, dono de empreendimentos milionários como indústrias (Coca-Cola, por exemplo), shopping centers etc., o governador tucano do Ceará, a pessoa física Tasso Jereissatti não paga um tostão de Imposto de Renda. Na verdade, ele recebe devolução! Sua restituição referente a 1999 foi depositada em sua conta no Banco do Brasil (Agência José de Alencar, situada na Praça Waldemar Falcão). O CPF do governador milionário, que elide IR, é 010.328.523-72. Privilégio de poucos A Presidência da República assinou contrato de aluguel, no valor de R$ 15 mil, de um apartamento na aprazível Academia de Tênis, em Brasília, pelo período de dez meses. O Planalto não informou quem vai ter o privilégio de ocupar o imóvel, situado num local dotado de bares, restaurantes, piscinas, fitness, cinemas e, claro, quadras de tênis. A Academia, aliás, tem três CGCs e pelo menos um deles está inscrito na Dívida Ativa da União, conforme comprovante em poder desta coluna. Rei posto Completaria 90 anos neste sábado (4) o falecido presidente Tancredo Neves. A data passa em brancas nuvens. Gente fina é outra coisa FHC deve passar bem, no Carnaval. A Presidência da República comprou 60 quilos de kani kama, presunto de camarão muito apreciado nas boas mesas. É iguaria ideal, nos trópicos, para acompanhar champanhe e vinho branco geladinhos. O contrato foi até publicado no Diário Oficial desta sexta (3) e custou R$ 689,40 ao erário, pagos à empresa Aligel Distribuidora de Alimentos. Chapéu alheio O governo é uma mãe para os amigos do tucanato. Enquanto com uma mão privatiza estatais, com outra aduba empresas amigas com contratos e a bufunfa dos fundos de pensão. É o caso de Atilano Oms Sobrinho, do Grupo Inepar, que em pouco tempo construiu um império com pés de barro. Para participar do leilão da Telemar, o da telegangue, a Inepar não tinha dinheiro, mas o tucanato aumentou para 20% a participação do fundo de pensão Previ no capital da empresa. Mas não foi só a Previ que entrou na roda: o Centrus, fundo de pensão do Banco Central, ficou com 10%, o Aerus (setor aéreo) 5,38% e o Petros (da Petrobras) com 4%. Desperdício no Senado O Senado Federal vai jogar pela janela cerca de R$ 50 milhões no tal Projeto Interlegis, que prevê a distribuição de computadores e antenas parabólicas às câmaras municipais de todo o País, com o objetivo de criar uma espécie de Legislativo Virtual. Pura bobagem. O projeto é uma invenção do Prodasen, o centro de processamento de dados da Casa, que aliás já viveu dias melhores, e seus responsáveis não contaram a ACM que todos os serviços previstos para o Interlegis já estão disponíveis de graça no ótimo site do Senado na Internet. Ali-babá e os 500 anos A celebração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil está enchendo o bolso de muita gente. Uma grande rede de supermercados chegou a comprar (isso mesmo) o direito de uso da logomarca do evento caravelas estilizadas em verde-amarelo. Gastou algo em torno de R$ 1 milhão e depois descobriu que sua utilização é pública e gratuita. O felizardo é um paulista mais conhecido pelo caso de violência que o vitimou do que por seu talento como publicitário. Pronta para a luta A atriz Patrícia Pillar está uma arara com as frequentes aparições públicas do namorado Ciro Gomes com a ex-mulher Patrícia Gomes, deputada do PPS e candidata a prefeito de Fortaleza. Patrícia Pillar parece disposta a lutar pelo namorado: foi vista num shopping (do governador Tasso Jereissatti, como quase tudo que dá dinheiro no Ceará) adquirindo equipamentos de ginástica. Inclusive musculação. Quanto mais longe... FHC deve estar mal-intencionado. Durante a visita que fará a Lisboa, entre os dias 7 e 9 próximos, o Planalto teve o cuidado de instalar a sala de imprensa no Hotel Eduardo VII, bem no centro da cidade. Tão próximo ao local onde FHC ficará hospedado quanto o Méier de Copacabana, no Rio, ou o distante bairro de Santana da Avenida Paulista, em São Paulo. É ele Um dos mais ativos integrantes da CPI dos Medicamentos, deputado Fernando Zuppo (PDT-SP), do tipo que vocifera contra laboratórios exploradores da boa fé do povo, é o mesmo que no governo Sarney presidiu a antiga Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), atual Conab, de onde foi afastado sob suspeita de corrupção. Zequizofrenia O governador do MS, Zeca do PT, que adora viajar nos aviões dos amigos e se hospedar em mansões de empresários, decidiu adotar o low profile. Para os outros. Não quer seu staff dando pinta de PFL, aparecendo em badalações e jantares, porque o PT não tem perfil deslumbrado. Zeca quer o perfil PFL só para ele. E, se for preciso, vai começar a canetar no primeiro escalão. Banco Central of Brazil O concurso para pesquisador em economia do Banco Central deveria ser realizado em Washington. No edital, os candidatos às 30 vagas estão dispensados de português e redação e de teoria econômica em geral, prevalecendo teorias do tipo inflation target. A prova de títulos vale 45 pontos para os 50 das provas. E doutorados em universidades americanas contam 25 pontos. Ou seja: quem teve grana ou gênio para aprender economia direto na matriz nem precisa saber se Brasil se escreve com s ou com z. O PODER SEM PUDOR Lição de Mocidade Quando João Agripino era governador da Paraíba, entre 1966 e 70, havia um popular conhecido por Mocidade que, apesar da loucura, era muito perspicaz e gostava de discursar e conversar sobre política. Ele não tinha onde morar, por isso João Agripino mandou acomodá-lo num pequeno quarto nos fundos do palácio. O governador adorava suas histórias. Um dia, o ajudante de ordens entregou: Governador, Mocidade foi preso. Estava discursando para os estudantes, falando mal do seu governo e do regime militar. Agripino mandou que o soltassem. Levado ao palácio, Mocidade chegou calado, cabisbaixo. O governador, que era autoritário, foi duro: Bonito, não é, seu Mocidade? Eu lhe dou casa, comida, roupa lavada, dinheiro para comprar cigarro e o senhor faz discurso contra o meu governo... Mocidade mostrou por que era tão querido no Palácio da Redenção: João, governo é para sofrer mesmo! Agripino apenas sorriu, meteu a mão no bolso e deu mais algum dinheiro para Mocidade comprar cigarros.





