Cláudio Humberto (De Brasília)
Não bebo, não fumo e não cheiro. Meu único vício é matar
(De Marcinho VP, mostrando sua porção Hildebrando Pascoal em entrevista ao Jornal do Brasil, há quatro anos)
Lobby poderoso
FHC e seu ministro da Educação, Paulo Renato Souza, cederam às pressões de ACM e do dono do Grupo Objetivo, empresário José Carlos Di Gênio, e já está decidido: vão reconduzir o conselheiro Lauro Ribas Zimmer à Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Zimmer é um dos conselheiros mais antigos do CNE e pesam contra ele denúncias de tráfico de influência e de venda de pareceres para facilitar a criação de cursos e de instituições de ensino superior.
Influência mantida
Os nomes dos seis novos conselheiros serão divulgados no Diário Oficial da União desta terça (29). Se confirmada a recondução de Zimmer, Di Gênio mantém sua influência no CNE. Além de Zimmer, outro que atua na Câmara de Educação Superior do CNE sob sua orientação é o conselheiro Yugo Yokida. Aliás, o vínculo dos dois conselheiros com Di Gênio é digamos mais do que político.
Estratégia esperta
É dado como certo, no governo do Rio, que o cineasta riquinho João Moreira Salles decidiu tornar público o seu relacionamento com o traficante e assassino Marcinho VP porque ficou com medo de que suas conversas com o bandido, grampeadas pela polícia, fossem desvirtuadas. A estratégia de antecipar-se foi esperta, mas riquinho não escapará de uma intimação para depor na polícia.
Pensando bem...
Marcinho VP não acabou o livro por falta de letra... de câmbio.
Quem tem medo
A família Moreira Salles, dona do Unibanco, está preocupada com a repercussão do estranho relacionamento entre o seu rebento João Salles com o traficante Marcinho VP, sobretudo no exterior. Afinal, eles têm negócios com países que levam a sério a questão das drogas.
Cliente V(I)P
Marcinho VP deve ter conta no Unibranco.
Fora do script
Cabeças ainda vão rolar na Segurança do Rio por causa do episódio João Moreira Salles e Marcinho VP. Certas opiniões um tanto soft não combinam com a posição do governador Anthony Garotinho.
Otários & otários
Há quatro anos, o então chefe da Polícia Civil do Rio, delegado Hélio Luz, minimizou a polêmica entrevista de Marcinho VP ao JB. E chamou de otário o cineasta Spike Lee, que pagou a Marcinho para filmar um clipe de Michael Jackson no Morro Dona Marta. Luz insinuou também que Spike Lee usava cocaína. Marcello Allencar, governador na época, considerou questão de honra prender o traficante. Ah, bom.
Viva a imprensa livre
Quando a diretoria do Unibanco soube que a polícia carioca iria indiciar o documentarista João Moreira Salles, foi arquitetada uma verdadeira operação de guerra, capitaneada por com alguns dos mais influentes diretores de jornais do País, para tentar livrar a barra do filho do Dr. Walther. Não deu certo. Está sendo impossível esconder a realidade, apesar da evidente tentativa de romancear a culpa de riquinho.
Laços de ternura
A relação da família Moreira Salles com a imprensa é das mais íntimas. Anos atrás, a mãe de João, Dona Elisinha, jogou-se do sétimo andar do edifício onde vivia, na Av. Atlântica, e a tragédia simplesmente não foi noticiada. A morte trágica de uma das mulheres mais inteligentes, elegantes e conhecidas do País não aconteceu para a grande imprensa.
Fuga chique
A área de segurança do governo do Rio trabalha com a informação de que o bandido Marcinho VP saiu do Brasil para a fronteira com a Argentina num jato Falcon 10.
Quem tem um avião desses é o Unibanco, cujo prefixo é PT-LVD.
Caixinha, obrigado
O novo presidente do BNDES, Francisco Gros, foi homenageado em almoço pelo presidente do conselho de administração da Varig, Jorge Hilário Gouveia Vieira. A Varig quer só R$ 400 milhões do BNDES.
Me dá um dinheiro aí
Um livro de Hildebrando Pascoal só vai ter letra morta.
Não é bem assim
Oficialmente, o governo federal não reajusta os vencimentos dos seus servidores há cinco anos, mas, de gratificação em gratificação, a despesa com pessoal nos três poderes cresceu 36% entre 1995 e dezembro de 1999. Segundo dados do Siafi, a que esta coluna teve acesso, em 95 a União gastou R$ 37,9 bilhões no item Pessoal e Encargos Sociais; em 99, R$ 51,6 bilhões. Só na área da Justiça (tribunais superiores, Distrito Federal e Territórios), a despesa subiu 103,57%: de R$ 2,7 bilhões em 95 para R$ 5,7 bilhões em 99.
STJ contra o auxílio
Não é unânime, nos tribunais superiores de Brasília, a solução que abortou a greve da magistratura. O Superior Tribunal de Justiça distribuiu nota apócrifa, nesta segunda, atacando a concessão do auxílio-moradia aos juízes. Anexou até um dossiê com velhas decisões do STJ nos tempos em que se chamava Tribunal Federal de Recursos. O STJ não assina, mas quem distribuiu o papelório foi sua assessoria de imprensa.
Bye bye Brazil
Tudo cheira a trambique na empresa sem alvará M.Brazil, de Marcelo Carvalho de Toledo, denunciado pela revista IstoÉ. O ex-professor de lambada, que está sendo investigado por tráfico internacional de mulheres, continua oferecendo empregos no exterior, que variam de cozinheiros, dançarinos em navios de cruzeiro, executivos e especialmente babás, que viram escravas de famílias estrangeiras. Na página da mbrazil.com.br há vários empregos mas sequer um nome de empregadores. E um contrato de adesão on-line em troca de R$ 1.500.
O PODER SEM PUDOR
Família marajá
Luiz de Gonzaga Mendes Barros recebia um repórter de Brasília em seu gabinete de procurador-chefe da Assembléia Legislativa de Alagoas, e ouviu uma provocação. Segundo o jornalista, além de marajá, dono do maior salário do Estado, Mendes de Barros também seria chegado ao nepotismo, já que seus dois filhos eram funcionários da Assembléia.
Dono de cortante senso de humor, o entrevistado corrigiu:
É mentira. Não tenho só dois, mas três, já que minha filha também trabalha aqui. E tem mais: ela está grávida, o que me leva a prever que, daqui a mais ou menos 18 anos eu empregarei o meu neto.





