Cláudio Humberto (De Brasília)
A sociedade saberá distinguir quem levantou a bandeira e quem quer encampá-la
(Do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, censurando os R$ 160,00 do governo para o salário mínimo)
Matando a fome...
Nas discussões sobre salário mínimo, FHC mostrou não saber com quantas cestas básicas se mantém uma família. Certamente porque o erário garante o abastecimento da despensa no Palácio da Alvorada.
Em apenas um dia, esta semana (terça, 22), a Presidência da República encomendou a quatro empresas de Brasília exatos R$ 70.180,08 em hortifrutigranjeiros, suficientes para comprar, por exemplo, cerca de 90 toneladas de tomates. Para o refinado inquilino do Alvorada, a Araguaia Alimentos Especiais vendeu R$ 26.102,76 de puro deleite gustativo.
...e saciando a sede
Para garantir que não faltará água nos Palácios da Alvorada e do Planalto, como ocorre em grande parte da população, a Presidência da República também fez investimento importante em água mineral, adquirindo R$ 23.623,00 de uma só tacada.
Só a empresa Indaiá Brasil Águas Minerais Ltda. assinou contrato para fornecer a FHC e seus colegas de trabalho o equivalente a 42 mil litros. Foram comprados ainda R$ 7.414,02 em bebidas diversas.
Balançando a roseira
Ainda repercute em Brasília o piti do banqueiro Edemar Cid Ferreira, irritado porque o governo não liberou dinheiro para a sua Associação Brasil 500 Anos, ONG criada sob a promessa de só usar recursos privados. O mecenas queria R$ 15 milhões em espécie, de um total de R$ 40 milhões (incluindo a renúncia fiscal), e levou R$ 7,1 milhões, rateados entre Ministério da Cultura, Petrobras e a Comissão do 5º Centenário. Achou pouco. Seu piti foi testemunhado pelos ministros Francisco Weffort (Cultura) e Rafael Greca (Turismo). FHC se considerou desrespeitado pelo discurso inflamado do dono do Banco Santos.
Jabá, bom jabá
São 35 os jornalistas de todo o Brasil que desfilam ao volante do Classe A, aquele carrinho feio da Mercedes, absoluto fracasso de vendas.
O contrato é de comodato e, ao final do prazo, os felizes jabaculezeiros poderão optar entre a compra do carrinho ou sua simples devolução.
Freud explica
O funcionário exemplar do Senado, Murillo da Silva Porto, confesso sadomasoquista, foi assessor de Mário Covas e chefe de gabinete de Francelino Pereira. Nem precisa divã.
Estrelato
Já tem revista masculina de olho na Masoch involuntária de Brasília.
Notícias do Planalto
Esta coluna recebeu vários e-mails e telefonemas de jornalistas que fazem a cobertura no Congresso relatando um fato ocorrido nesta quarta.
A colunista Tereza Cruvinel, de O Globo, profissional competente, aguardava há meia hora uma conversa com o líder do PT, Aloizio Mercadante, e se desentendeu com uma estagiária que alugava o deputado. A estagiária acusa Tereza de agredi-la com o próprio celular.
Notícias do Planalto 2
Lísia, a estagiária, reagiu aos gritos. Tereza Cruvinel disse que ela precisava aprender a respeitar os outros para chegar onde ela chegou o topo da profissão. Os gritos até interromperam uma entrevista do tucano Artur Virgílio (AM) à TV Câmara, a alguns metros de distância.
O bate-boca esquentou mesmo quando Tereza chamou Lísia de foca gorda. Aí Mercadante se viu obrigado a intervir para conter os ânimos.
Sempre à frente
São Paulo, como sempre, está um passo à frente do resto do País, agora também em matéria de corrupção: na Paulicéia, quem fica à frente dos negócios não é um mero laranja, mas um farto melão.
Armando Mellão, presidente da Câmara paulistana, vai ter dificuldades para se livrar da acusação de envolvimento com a máfia dos fiscais.
Trocando a mobília
Não dá mais tempo, porque a mobília emergente do Palácio Alvorada já foi instalada. Mas FHC e Dona Ruth podem dar um pulinho até 12 de março no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, para ver o mico que pagaram. Lá estão expostos móveis funcionais, bonitos, baratos e ecologiamente corretos, de madeira amazônica certificada. São de designers brasileiros, como Alexandre Barros Neves, vencedores do Prêmio Manejo Sustentável.
A vingança de Tupã
O presidente da Funai, Frederico Marés, terá uma prova de fogo na próxima terça. Vai se encontrar com as lideranças indígenas na comunidade de Contão (RR), para discutir uma conturbada demarcação de terras. Os 5 mil índios exigem, entre outras providências, a demissão do administrador local da Funai, Walter Blós. Marés, que demitiu o sertanista Orlando Villas-Bôas por fax, pediu aos caciques garantias de que não será amarrado, torturado ou pior, coroado com um cocar. Pediu por fax.
Eu vou pra Califórnia
Alcides Tápias deve ter aproveitado a viagem do ministro da Saúde para demitir o protegido de José Serra. O ministro faz palestras na Universidade da Califórnia e só volta neste domingo (27).
Antes, Tápias pediu a FHC que não deixasse Andrea Calabi na rua da amargura e arranjasse outro cargo no governo para o moço.
Nem precisava: fora dele, Calabi tem lugar garantido na TV Globo, no quadro que Luciano Huck, seu enteado, ganhou no Fantástico.
Camelôs oficiais
Até os dados sobre venda de armas no Paraguai são falsos. A queixa é do embaixador Bernardo Pericás às autoridades locais, empenhadas com o Brasil na luta contra o crime organizado. Mas o parceiro do Mercosul está se esforçando. Vem apreendendo aqui e ali armamento pesado na paradisíaca cidade de Capitán Bado, onde armas militares são trocadas por cocaína ou vendidas a US$ 4.500, cada.
O PODER SEM PUDOR
Lei revogável
Mesmo após o golpe de 45, os getulistas conservaram esmagadora maioria no Rio Grande do Sul. Pelos idos de 1948, numa cidade do interior, a Câmara discutia a construção de uma ponte. A verba era curta e os vereadores chamaram o engenheiro para explicar obra. Ele disse:
A ponte será em concreto, com três pilares...
E se fizermos com dois pilares?
É possível respondeu o engenheiro.
E se fizermos com apenas um pilar? quis saber outro.
Bem, aí não é possível por causa da Lei da Gravidade.
Mas, tchê, nós semo maioria e derrubamos essa tal Lei da Gravidade.
Um terceiro vereador ponderou, liquidando o assunto:
Colega, não vai dar. Essa lei é do Getúlio Vargas e nós não vamos mexer naquilo que o homem fez...
A ponte acabou sendo construída com três pilares.





