Cláudio Humberto (De Brasília)
Começou a hora da pilhéria
(De ACM, ironizando o sonho tucano de eleger Aécio Neves presidente da Câmara)
Medo de vaia no ar
O Planalto decidiu torrar R$ 249 mil com o aluguel de um Airbus da TAM, para levar FHC a Lisboa no dia 7 de março, mas gastaria muito menos se aceitasse a sugestão de simplesmente adquirir passagens de ida e volta, em vôo regular, ao preço unitário de US$ 670. A proposta de uma empresa aérea incluía a cortesia de fechar toda a primeira classe do Boeing 747-700 para FHC e sua comitiva mais íntima. Mas o presidente não aceitou, temendo ouvir vaia dos passageiros comuns.
Os yankees chegaram
T.J. Glautier, secretário de Energia dos EUA, Jonh Garamendi, ex-secretário do Interior de Bill Clinton e tesoureiro da campanha de Al Gore, Kim Baker, diretor da Nasa e Thomaz Lovejoy, figurão do partido Democrata, estão passeando pelo interior do Amazonas.
Querem subsídios para o programa ambientalista de Gore e ignoraram solenemente os acenos e salamaleques do Itamaraty.
Sonhar, pode
Chega de intermediários, vote no marqueteiro: Nizan Guanaes se prepara para tentar viabilizar o grande sonho de ser prefeito de Salvador ou governador da Bahia e, no futuro, presidente da República.
Responsável pelo marketing eleitoral de FHC em 98, parece convencido de que é uma moleza eleger alguém. Nizan vai deixar a presidência da agência DM9, em breve, e assumir o comando do portal gratuito Ig.
Cai a máscara
Toda a estrutura da Cola-Cola em Brasília está auxiliando a Cervejaria Kaiser na luta conta a AmBev. Acintosamente, ricamente. E isso porque a Coca não tem nada a ver com a Kaiser. Imaginem se tivesse.
Um vizinho chato
O senador José Sarney já não sabe o que fazer com um vizinho chato, em Brasília. É um diplomata holandês mal-humorado, que reclama até do barulho dos passarinhos que frequentam o jardim do ex-presidente.
Mas a paciência de Dona Marly só se esgotou quando o vizinho bateu à sua porta para se queixar da lâmpada ativada por um sensor, à aproximação de estranhos. Sinto-me um marginal, disse ele, que escapou de ouvir poucas e boas. Entusiasta da lusofonia, Sarney ironiza:
Imagine se os holandeses tivessem colonizado o Brasil...
Pimenta no sal
Mudanças à vista num jornalão de São Paulo: o jovem príncipe-herdeiro quer a cabeça do atual manda-chuva.
O tio, rei cansado, já opera a transição sem qualquer trauma e quer passar-lhe o cetro e gozar do ócio com dignidade.
171 cultural
As contas da Fundação Bienal de São Paulo estão indo de mal a pior. Sem dinheiro em caixa e sem crédito na praça, não fosse a benevolência de gerentes amigos, até cheques já teriam sido devolvidos. Dos três banqueiros que compõem a direção da Bienal Milu Villela (Itaú), Guto Vidigal (Banco Paulista) e Edemar Cid Ferreira (Banco Santos) só o último se coçou, mas em vão, diante do silêncio do restante da diretoria.
O samba do Telecine doido
Além da sofrível e repetidíssima programação de filmes, a Net também abusa na tradução dos filmes. Neste domingo, o Telecine 5 mostrava o making off de O Vale das Sombras, um velho filme de guerra com Gary Cooper. Traduziram japanese planes por jatos alemães.
Ainda que os alemães do Telecine 5 tivessem lutado no Pacífico, eles nunca tiveram jatos.
Pegou
Em Brasília, no centro do Rio de Janeiro e na Av. Rubem Berta, em São Paulo, a pichação é uma só: Fuzilamento, já!
Máquina de fazer doido
A Comissão de Assuntos Econômicos já tem programa para esta terça, na Câmara: apreciar o projeto que obriga os fabricantes de aparelhos de TV a incluir um bloqueador temporário de programação imprópria.
Na TV aberta, o dispositivo teria que ficar ligado 24 horas por dia.
Deu branco
A prova foi moleza para Osmar Dutra, filho do presidente do Tribunal de Contas de Campo Grande (MS). O rapaz quer ajudar o pai, Astolfo Dias Ferreira Dutra, no TC. Entregou a prova em branco e ainda deu bronca no fiscal. O candidato a néspota não está sozinho: o concurso está sob suspeita, porque todos os peixinhos dos peixes grandes já teriam passado. Automaticamente. Essa prática, vale dizer, não ocorre só no Mato Grosso do Sul.
A outra Beth
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Beth Costa, afirma que não é ela a Elisabeth Costa cujo registro profissional foi impugnado na categoria de repórter-fotográfica, de acordo com o Diário Oficial de 2/2/98. Ela conta que o seu registro (15.897) foi publicado no DO de 26 de janeiro de 1998. Beth diz que iniciou sua carreira profissional no dia 2 de maio de 69, quando foi contratada como redatora da TV Cultura de São Paulo, trabalhando da sua assessoria de imprensa.
Rodovia da droga
Principal rodovia do País, a Via Dutra é o paraíso do pó. Por ela passam, sem qualquer fiscalização da Polícia Federal, todo tipo de veículos com drogas. Nos municípios do Vale do Paraíba proliferam as pistas clandestinas, onde pousam aviõezinhos de abastecimento da central distribuidora na Colômbia. O deputado Celso Russomano prometeu estender a CPI do Narcotráfico à região, onde transportadoras, policiais e comerciantes fazem a festa, regada a maconha e cocaína, há tempos.
Banho de loja
Esta coluna errou, ao informar que os deputados estaduais de Pernambuco receberam R$ 6 mil a título de ajuda paletó, para renovar o guarda-roupa. Na verdade foram R$ 12 mil, em duas parcelas.
O PODER SEM PUDOR
Populista esperto
Hélio Gueiros e Ademir Andrade disputavam a Prefeitura de Belém (PA) e participaram de um debate na TV. Cada um poderia fazer perguntas ao adversário. Andrade seria o primeiro, mostrando papéis que dizia serem provas de falcatruas de Gueiros na administração pública.
O que o senhor tem a dizer sobre isso? desafiou.
Político esperto, experiente e populista, Gueiros desconversou:
Besteira, Ademir. Eu tenho 40 no Ibope, você 3...
Quando chegou a sua vez, Hélio Gueiros acabou com a chance de estabelecer polêmica, como sonhava Ademir Andrade. Ao invés de formular uma pergunta, disse com desleixo:
Fale aí qualquer coisa...
Ganhou a eleição.





