Cláudio Humberto (De Brasília)
A prioridade da minha gestão será a luta contra a criminalidade
(Do ministro da Justiça, José Carlos Dias, anunciando que o plano contra a violência urbana sai nesta quinta)
STJ: juízo final
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou por unanimidade, nesta quarta, a suspensão (por seis anos) dos direitos políticos do deputado-bandoleiro Paulo Marinho (PFL-MA), após condená-lo por embolsar dinheiro público.
O caso nem precisa ir ao plenário da Câmara: à mesa diretora cabe agora declarar vago o seu cargo e convocar o suplente, Nam Souza.
Até roubo de caminhão
Enquanto em Brasília o STJ decidia afastar Paulo Marinho da vida pública, Marcelo Brito, seu ex-motorista, contava à polícia, em São Luís (MA), que o deputado também roubou uma carreta Scania. Depois incendiou o veículo para apagar pistas e escapar das investigações da CPI do Narcotráfico que já havia indiciado dois deputados maranhenses.
Como, cara pálida?
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, prometeu telefone para todos os índios brasileiros. Coitados. Se o serviço for Telemar, fiscalizado pela Anatel, é melhor manter o velho sistema da fumaça.
Parentes unidos
O ministro Pratini de Morais (Agricultura) chamou o indicado, entrevistou-o e formalizou o convite para a Diretoria de Operações da Conab, a rica e problemática Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Milton Lúcio, ex-deputado estadual paraibano, fora indicado pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e outros conterrâneos. Passados 22 dias, até agora nada.
É que está no cargo Sérgio Parente, que digamos gosta muito do emprego e é primo de Pedro Parente, chefe do Gabinete Civil de FHC.
PMDB gostou
A cúpula do PMDB ri à toa com a rasteira dos tucanos em ACM. Para a turma do senador Jáder Barbalho (PA), o babalaô baiano estava mesmo precisando de um chega-pra-lá. Mas não tem coragem de enfrentá-lo.
FHC não dormiu
Se arrependimento matasse, FHC teria amanhecido mortinho da silva, nesta quarta, e não apenas com cara de quem passou a noite em claro.
Ele consumiu boa parte da noite de terça tentando pedir desculpas a ACM e jurar que ele próprio é a principal vítima da rebeldia do PSDB.
Dúvida atroz
Os sindicalistas estão numa sinuca de bico: no leilão do Banespa, não sabem se torcem pelo brasileiro Bradesco ou pelo americano Citibank.
Se der Bradesco, muitas agências serão fechadas, porque as áreas de atuação do Banespa já estão cobertas pelas suas próprias agências.
Se der Citibank, mais agências permanecerão em funcionamento, porque o gigante americano vai precisar pulverizar sua área de cobertura.
Nenhuma dúvida
Para a área econômica do governo, que não se emociona com alegações nacionalistas, a melhor solução para o Banespa é aquela que render menos desemprego mais dinheiro para os cofres públicos, segundo definiu um diretor do BNDES, em off.
Ele ainda ofereceu uma pista sobre o time que torce: O Bradesco está disposto a oferecer um ágio máximo de R$ 800 milhões pelo Banespa, enquanto o Citibank promete pelo menos R$ 2 bilhões.
Sonho e realidade
Everardo Maciel explica que a transformação da Secretaria da Receita Federal em autarquia não é projeto, é sonho. Mais: uma necessidade.
Para ele, não faz sentido um órgão com a importância da Receita sem autonomia administrativa e financeira. Tanto não faz que todos os países desenvolvidos já adotaram esse modelo. O penúltimo foi o Canadá, em dezembro, e o último foi Portugal, em janeiro últimos.
Revendo contrato
A direção da Petrobras ainda não está totalmente convencida das vantagens da empresa no contrato assinado por Joel Rennó com a Odebrecht, para a exploração do poço Bijupirá-Salema, na Bacia de Campos (RJ). O contrato é de mais de US$ 2 bilhões e, na época, a Odebrecht queria a parceria da estatal para a exploração conjunta.
Não conseguiu e, por coincidência, logo após a assinatura do contrato, caiu o então ministro de Minas e Energia, Raimundo de Brito.
Relação conflituosa
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, tem mesmo problemas de relacionamento com jatinhos da FAB.
Nesta quarta, ele deixou o ministro da Justiça plantado, à sua espera, durante meia hora, na Base Aérea de Brasília. José Carlos Dias liderou a comitiva que esteve em Vitória (ES) para discutir ações contra o crime organizado, no Estado, e ofereceu carona a Brindeiro. Arrependeu-se.
Justiça de doido
O Ministério Público de Sergipe está em polvorosa, depois que o promotor Antônio Carlos Nascimento denunciou o desembargador Paschoal Nabuco DÁvila por má conduta. O Colégio de Procuradores de Justiça do MP defendeu Nabuco, divulgando nota de repúdio (paga com dinheiro público) e Antônio Carlos foi afastado, acusado de diversas irregularidades. Ele se diz perseguido por aliar-se ao ex-corregedor-geral do MP, Renato Sampaio, no saneamento da instituição. A OAB-Sergipe já interveio para evitar uma caça às bruxas e baixarias generalizadas.
Maribondos do Amapá
Alô, senador pelo Amapá, José Sarney: sai ou não a CPI do Narcotráfico em seu Estado? O senador já recebeu um ofício de parlamentares pedindo que apelasse ao ministro da Justiça. A OAB-Amapá também está se empenhando na abertura de uma ampla investigação do crime organizado, cada vez mais ativo. E ignorado, lá longe.
Vitrine de valentes
O que uma CPI não faz em prol de uma candidatura...
Aproveitando a vitrine, o deputado Morani Torgan (PFL-CE) voltou a atacar o embaixador do Suriname, Rupert Christopher, acusando-o de omitir informações sobre o crime organizado no seu país.
O deputado esquece, talvez ignore, que o embaixador tem imunidade e representa uma nação soberana. Se Christopher fosse branco e embaixador de um país rico, o que diria Torgan, o valentão?
O PODER SEM PUDOR
Esperteza milenar
Fernando Costa, interventor em São Paulo, caminhava por um bosque, em Minas, ao lado do amigo Benedito Valadares.
Enquanto conversavam, Costa se mostrava extasiado com um belo e imponente cedro. O anfitrião, percebendo a admiração que a árvore causara no amigo, recomendou:
Fernando, aproveita, pega umas sementes, e planta isso lá em São Paulo. Vai ficar lindo. Com um ano, vira árvore milenar.





