‘‘O que poderia ser bom há dez anos, pode não ser hoje’’
(Ex-jogador Zico, no Senado, desencantado com a lei criada para beneficiar o esporte)

Conexão Genebra
Um senador tucano com muita influência em Brasília está andando com folhas de arruda na orelha, pé-de-coelho no chaveiro, figa pendurada no pescoço etc, torcendo para que o caso não venha a público.
Ele tem razão de sentir medo: um assessor seu foi preso com uma carga preciosa, ao desembarcar no Rio, vindo de uma rápida visita a Genebra. Trazia US$ 1,8 milhão na mala.
Na hora agá, abriu o bico: estava a serviço do chefe, o senador.
Como o santo é forte e tem prestígio no Planalto, o caso foi abafado.

Autarquia autônoma
A Secretaria da Receita Federal poderá ser transformada numa autarquia de natureza especial, como o Banco Central, adquirindo certa autonomia em relação aos humores do ministro da Fazenda.
O projeto é sigiloso, até porque não agrada aos fiscais nem aos auditores da Receita. Gatos escaldados, eles sabem que mudanças do gênero, no governo FHC, são sempre desfavoráveis aos servidores.

Levantando o véu
A empresa americana Brian Rooth foi agraciada pela administração Joel Rennó, na Petrobras, com o contrato milionário para a exploração do campo Barracuda-Caratinga, na bacia de Campos (RJ). Pudera.
As relações da Brian Rooth com German Efromovitch (dono da Marítima Petróleo, aquela dos contratos amigos e pivô da saída de Rennó) são mais próximas do que fazem parecer os envelopes de correspondência.

Pensando bem...
...FHC na Internet não precisaria de harckers.
Dizendo o que diz, é o hacker de si mesmo.

Guerra de sabores
Ninguém sabe quem é mocinho e bandido, sequer se há mocinho, na briga da Ambev com a Kaiser, mas a verdade é que o relacionamento dos fabricantes brasileiros de Coca-Cola com a multinacional é regido por um contrato de cinco anos, podendo ser renovado. Já o contrato da brasileira Brahma com a americana Pepsi-Cola é de vinte anos, com renovação automática. À exceção dos prazos, os contratos são idênticos.
Em miúdos: a Brahma é tão Pepsi-Cola quanto a Kaiser é Coca-Cola.

Leilão da Antarctica
Se a Kaiser fosse da Coca-Cola, como diz a Ambev, a Antarctica estaria hoje em outras mãos. O ex-presidente da Coca-Cola no Brasil, Luiz Lobão, tentou a ‘‘compra-arrendamento’’ da Antarctica. Os fabricantes de Coca-Cola engarrafariam o guaraná e a Kaiser a cerveja Antarctica.
A negociação, secreta, só morreu quando Lobão se lembrou de consultar os fabricantes brasileiros da Coca-Cola, acionistas majoritários da Kaiser. Depois, a Antarctica se ofereceu à Brahma e daí nasceu a Ambev.

Perdoa-me por me traíres
Tudo começou com um beijo na boca: foi a forma que a atriz e diretora Norma Bengell encontrou para agradecer ao então presidente Itamar Franco a assinatura da Lei do Audiovisual, em 1993. Um ano depois, La Bengell foi conduzida em carro oficial para uma visita a Itamar.
Ela chegou a receber um ‘‘Kikito’’ de ouro do festival de Gramado, pelo conjunto da obra, que acabou redundando numa das maiores trapalhadas com o dinheiro público.

Pelo método confuso
O diretor trapalhão Guilherme Fontes pretendia filmar a vida de Chiquinha Gonzaga, apostando em sua experiência com documentários para TV a cabo. Queria dirigir um filme mas ainda não tinha descoberto um jeito de produzir mais viável. Procurava uma ‘‘uma nova forma de filmar’’, começando com minissérie e terminando com um filme. Comprou os direitos de ‘‘Chatô, Rei do Brasil’’, de Fernando Morais, mas inverteu os rolos. Começou com filme e terminou com uma minissérie. Inacabada.

Parou no tempo
Nesta terça, a página do Senado on line exibia a seguinte data: 15 de fevereiro de 19100.

Falta coragem
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Antonio Viana, bateu duro em FHC, nesta terça:
- Há dois anos ele enrola a magistratura na questão do teto salarial. A situação está insustentável. Se ele tivesse coragem de enfrentar os rompantes de ACM, a situação já estaria resolvida e não haveria necessidade de uma greve da magistratura, marcada para o dia 28.

Oração de São Francisco
A cobiçada presidência da Comissão de Constituição de Justiça da Câmara, ocupada pelo partido com maior bancada, está sendo leiloado na base do ‘‘é dando que se recebe’’. Rolam denúncias de que o PSDB está soltando grana alta para presidir o filé mignon da CCJ, que indica os relatores do projetos governamentais mais importantes. Os convites para trocar de partido estão se multiplicando, em troca de dinheiro oriundo de pedágios, privatizações e outras fontes de dinheiro público.

Valei-me, Espírito Santo
Os rumores ultrapassaram o nível de fofoca. Ou ameaça.
O presidente da Assembléia Legislativa capixaba, José Carlos Gratz, vai se candidatar a prefeito de Vitória.
Ele está sendo investigado pela CPI do Narcotráfico no Espírito Santo, que nesta quarta será visitada pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias.

Vai trabalhar, vagabundo
O óleo de carnaúba está dando um brilho especial à cara-de-pau do deputado Themístocles Sampaio (PMDB-PI), aquele que emprega 16 agregados e parentes em sua assessoria. Sampaio quer que os miseráveis beneficiários das cestas básicas do governo prestem serviços comunitários que paguem a cesta nas frentes de trabalho. As prefeituras e a comunidade fiscalizariam o serviço prestado. O ilustre deveria investigar primeiro se as cestas chegam e quem realmente recebe e, depois, demitir sua turma de gulosos do nosso dinheiro.

O PODER SEM PUDOR

Mangueira de índio
Nas vésperas da Semana do Índio, em abril de 1999, a Funai montou malocas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em combinação com o ministro dos Esportes e Turismo, Rafael Greca. Na inauguração, dezenas de convidados assistiram as evoluções dos vistosos índios do Xingu, que dançavam vestidos a caráter – na verdade, despidos.
O ministro Greca exultava com o show de cultura indígena. Gritou:
– Olha a mangueira do índio!
Na platéia, houve a imediata troca de olhares maldosos. Até o sisudo cacique Aritana, ao lado de Greca, sorriu discretamente, com malícia.
– Olha a mangueira do índio! – repetia o alegre ministro, aos pulos.
Uma assessora cutucou Greca, cochichando-lhe alguma coisa.
– Estou me referindo à escola de samba Mangueira! – reagiu, indignado.
‘‘Ah, bom’’, suspiraram os mais próximos.

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