Cláudio Humberto (De Brasília)
O que poderia ser bom há dez anos, pode não ser hoje
(Ex-jogador Zico, no Senado, desencantado com a lei criada para beneficiar o esporte)
Conexão Genebra
Um senador tucano com muita influência em Brasília está andando com folhas de arruda na orelha, pé-de-coelho no chaveiro, figa pendurada no pescoço etc, torcendo para que o caso não venha a público.
Ele tem razão de sentir medo: um assessor seu foi preso com uma carga preciosa, ao desembarcar no Rio, vindo de uma rápida visita a Genebra. Trazia US$ 1,8 milhão na mala.
Na hora agá, abriu o bico: estava a serviço do chefe, o senador.
Como o santo é forte e tem prestígio no Planalto, o caso foi abafado.
Autarquia autônoma
A Secretaria da Receita Federal poderá ser transformada numa autarquia de natureza especial, como o Banco Central, adquirindo certa autonomia em relação aos humores do ministro da Fazenda.
O projeto é sigiloso, até porque não agrada aos fiscais nem aos auditores da Receita. Gatos escaldados, eles sabem que mudanças do gênero, no governo FHC, são sempre desfavoráveis aos servidores.
Levantando o véu
A empresa americana Brian Rooth foi agraciada pela administração Joel Rennó, na Petrobras, com o contrato milionário para a exploração do campo Barracuda-Caratinga, na bacia de Campos (RJ). Pudera.
As relações da Brian Rooth com German Efromovitch (dono da Marítima Petróleo, aquela dos contratos amigos e pivô da saída de Rennó) são mais próximas do que fazem parecer os envelopes de correspondência.
Pensando bem...
...FHC na Internet não precisaria de harckers.
Dizendo o que diz, é o hacker de si mesmo.
Guerra de sabores
Ninguém sabe quem é mocinho e bandido, sequer se há mocinho, na briga da Ambev com a Kaiser, mas a verdade é que o relacionamento dos fabricantes brasileiros de Coca-Cola com a multinacional é regido por um contrato de cinco anos, podendo ser renovado. Já o contrato da brasileira Brahma com a americana Pepsi-Cola é de vinte anos, com renovação automática. À exceção dos prazos, os contratos são idênticos.
Em miúdos: a Brahma é tão Pepsi-Cola quanto a Kaiser é Coca-Cola.
Leilão da Antarctica
Se a Kaiser fosse da Coca-Cola, como diz a Ambev, a Antarctica estaria hoje em outras mãos. O ex-presidente da Coca-Cola no Brasil, Luiz Lobão, tentou a compra-arrendamento da Antarctica. Os fabricantes de Coca-Cola engarrafariam o guaraná e a Kaiser a cerveja Antarctica.
A negociação, secreta, só morreu quando Lobão se lembrou de consultar os fabricantes brasileiros da Coca-Cola, acionistas majoritários da Kaiser. Depois, a Antarctica se ofereceu à Brahma e daí nasceu a Ambev.
Perdoa-me por me traíres
Tudo começou com um beijo na boca: foi a forma que a atriz e diretora Norma Bengell encontrou para agradecer ao então presidente Itamar Franco a assinatura da Lei do Audiovisual, em 1993. Um ano depois, La Bengell foi conduzida em carro oficial para uma visita a Itamar.
Ela chegou a receber um Kikito de ouro do festival de Gramado, pelo conjunto da obra, que acabou redundando numa das maiores trapalhadas com o dinheiro público.
Pelo método confuso
O diretor trapalhão Guilherme Fontes pretendia filmar a vida de Chiquinha Gonzaga, apostando em sua experiência com documentários para TV a cabo. Queria dirigir um filme mas ainda não tinha descoberto um jeito de produzir mais viável. Procurava uma uma nova forma de filmar, começando com minissérie e terminando com um filme. Comprou os direitos de Chatô, Rei do Brasil, de Fernando Morais, mas inverteu os rolos. Começou com filme e terminou com uma minissérie. Inacabada.
Parou no tempo
Nesta terça, a página do Senado on line exibia a seguinte data: 15 de fevereiro de 19100.
Falta coragem
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Antonio Viana, bateu duro em FHC, nesta terça:
- Há dois anos ele enrola a magistratura na questão do teto salarial. A situação está insustentável. Se ele tivesse coragem de enfrentar os rompantes de ACM, a situação já estaria resolvida e não haveria necessidade de uma greve da magistratura, marcada para o dia 28.
Oração de São Francisco
A cobiçada presidência da Comissão de Constituição de Justiça da Câmara, ocupada pelo partido com maior bancada, está sendo leiloado na base do é dando que se recebe. Rolam denúncias de que o PSDB está soltando grana alta para presidir o filé mignon da CCJ, que indica os relatores do projetos governamentais mais importantes. Os convites para trocar de partido estão se multiplicando, em troca de dinheiro oriundo de pedágios, privatizações e outras fontes de dinheiro público.
Valei-me, Espírito Santo
Os rumores ultrapassaram o nível de fofoca. Ou ameaça.
O presidente da Assembléia Legislativa capixaba, José Carlos Gratz, vai se candidatar a prefeito de Vitória.
Ele está sendo investigado pela CPI do Narcotráfico no Espírito Santo, que nesta quarta será visitada pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias.
Vai trabalhar, vagabundo
O óleo de carnaúba está dando um brilho especial à cara-de-pau do deputado Themístocles Sampaio (PMDB-PI), aquele que emprega 16 agregados e parentes em sua assessoria. Sampaio quer que os miseráveis beneficiários das cestas básicas do governo prestem serviços comunitários que paguem a cesta nas frentes de trabalho. As prefeituras e a comunidade fiscalizariam o serviço prestado. O ilustre deveria investigar primeiro se as cestas chegam e quem realmente recebe e, depois, demitir sua turma de gulosos do nosso dinheiro.
O PODER SEM PUDOR
Mangueira de índio
Nas vésperas da Semana do Índio, em abril de 1999, a Funai montou malocas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em combinação com o ministro dos Esportes e Turismo, Rafael Greca. Na inauguração, dezenas de convidados assistiram as evoluções dos vistosos índios do Xingu, que dançavam vestidos a caráter na verdade, despidos.
O ministro Greca exultava com o show de cultura indígena. Gritou:
Olha a mangueira do índio!
Na platéia, houve a imediata troca de olhares maldosos. Até o sisudo cacique Aritana, ao lado de Greca, sorriu discretamente, com malícia.
Olha a mangueira do índio! repetia o alegre ministro, aos pulos.
Uma assessora cutucou Greca, cochichando-lhe alguma coisa.
Estou me referindo à escola de samba Mangueira! reagiu, indignado.
Ah, bom, suspiraram os mais próximos.





