Cláudio Humberto


De Brasília



Cláudio Humberto Rosa e Silva
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‘‘A guerra fiscal é uma ameaça à estabilidade da Federação’’
(Do deputado gaúcho Germano Rigotto, presidente da Comissão de Reforma Tributária)
Os métodos do deputado-bandido Paulo Marinho (PFL-MA) são muito parecidos com os do colega Hildebrando Pascoal, do Acre. Em agosto de 99, durante vôo da TAM entre Teresina e Brasília, ele saiu do seu assento, sentou-se ao lado de Washington Torres, procurador da Prefeitura de Caxias (MA), que move contra ele quase 200 processos, e, sob o testemunho do prefeito de Sóter (MA), Ivan Magalhães, ameaçou:
– Se não parar com essas denúncias, você pode aparecer morto por aí.
Como conhece os métodos do deputado, suspeito em inúmeros crimes, até hoje Torres e sua família estão sob proteção policial.
Sepultado vivo
Uma cortina de silêncio envolve as irregularidades nos contratos da Marítima com a Petrobras. O assunto deve ficar restrito à batalha jurídica e é dado como ‘‘encerrado’’, no âmbito da estatal. O presidente da empresa, Henri Reichstul, recebeu pressões do Planalto, originadas no gabinete do protetor da Marítima, ex-deputado Moreira Franco.
FHC finge não saber que seu atual assessor mandava na diretoria de Exploração e Produção, onde o escândalo Marítima foi gerado.
O preço da cascata
Eduardo Bueno pode ser obrigado a dividir os resultados do livro ‘‘A Viagem do Descobrimento’’ com os descendentes dos portugueses Carlos Malheiro Dias, Roque Guerreiro e Ernesto Vasconcelos.
Eles consultaram um escritório de advocacia paulista especializado em direitos autorais para processar o escritor, acusando-o de apropriar-se de textos, gravuras, mapas e até de títulos de capítulos da ‘‘História da Colonização Portuguesa do Brasil’’ (Litografia Nacional, Porto, 1921). Bueno teria copiado até os erros do livro cujos textos foram coordenados por Dias, as ilustrações por Guerreiro e os mapas por Vasconcelos.
Defesa da vaidade
O presidente do Cade, Gesner Oliveira, reclama da falta de dinheiro, mas achou útil à Nação torrar dinheiro público mandando imprimir um luxuoso catálogo com os currículos e fotos dos conselheiros da entidade.
Insaciável e volúvel
O homem cujo dever é impedir a formação de cartéis, no governo federal, resolveu formar seu próprio monopólio: após despachar a namorada e casar com a que havia abandonado, o volúvel reatou com a ex-ex, que é colega de trabalho. E continua aberto a novas fusões.
Cabeça de papel
O plano de combate ao crime organizado poderia começar pela fronteira do Brasil com a Bolívia, através de Mato Grosso, com 720 quilômetros de extensão e vigiada por 11 policiais federais. Isto mesmo: 11 homens. A casa do doutor Roberto Marinho, no Rio, deve ter um número maior de vigilantes.
A vez de Aparecido
Termina em junho o segundo mandato de Marcelino Moco, o angolano que chefia a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Como é a vez de o Brasil ocupar o posto, FHC tem a chance de fazer justiça e indicar o brasileiro de maior prestígio nesses países: o embaixador José Aparecido de Oliveira, responsável pela implantação da CPLP.
O chanceler Luiz Felipe Lampreia não gosta de Aparecido e inventou o critério de ordem alfabética, num golpe baixo para evitar sua nomeação.
Peri não viu Ceci
É só fazer as contas do rombo no nosso bolso: ‘‘O Guarani’’, de Norma Bengell, custou US$ 2,5 milhões e foi visto por menos de 25 mil pessoas, arrecadando R$ 143 mil de bilheteria.
Lojas de ensino
O presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, não poupa críticas à política do governo para o controle da qualidade do ensino superior no País. Ele diz que o Provão ‘‘só produziu diagnósticos’’:
– Não se conhece um único caso de faculdade que tenha sido fechada em virtude da baixa qualidade de seu ensino.
Entre as ‘‘arapucas profissionalizantes’’ que identifica, a OAB luta contra ‘‘lojas de ensino’’ criadas pelo empresário João Carlos Di Gênio, do Objetivo e da Universidade Paulista.
Inimigo da casa
FHC confidenciou a amigos por que hesita em indicar o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira para uma embaixada do Brasil no exterior.
Ele sabe que o corpo diplomático ficaria ofendido, para dizer o mínimo: quando passou pelo extinto Ministério da Administração, Bresser ganhou o título de maior inimigo da história recente da Casa de Rio Branco.
Cabrobó news
A PF descobriu a Conexão Cabrobó de tráfico de drogas em Pernambuco.
Depois da Operação Mandacaru, falta agora a CPI do Narcotráfico.
Só dói quando eu rio
Vale a pena dar uma olhada na página ‘‘Trial by Cartoon’’, do cartunista Latuff, que há dez meses vem julgando e sentenciando os responsáveis por violações dos direitos humanos. Está em julgamento este mês o ex-2º tenente do Exército Marcelo Paixão de Araújo, que entre 1968 e 1971 foi campeão de torturas, segundo inquéritos da Justiça Militar. Pelo menos 22 pessoas enfrentaram as garras de Paixão, que agora recebe on-line a sentença de Latuff. O endereço é http://members.tripod.com/latuff/trial.html.
Voando de costas
O inesquecível Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, achava que ‘‘em Niterói urubu voa de costas’’. O fotógrafo Sérgio Mendonça Alves, um ‘‘niteroiense arretado pela justiça’’, também acha, e quer dar sua contribuição à cidadania. Revoltado com o caos administrativo da bela cidade fluminense, ele criou o site www.verdedigital.com.br. E vem recebendo dezenas de e-mails solidários e também ameaças.
O PODER SEM PUDOR
Melhor que remédio
Raimundo Diniz acabava de chegar a São Simão (SE), durante sua campanha para deputado, em 1970, e passou mal, vítima de insolação.
Foi levado para casa e se deitou, enquanto seus familiares procuravam ajuda médica. Ele já estava dormindo quando chegaram Lourival Batista, Augusto Franco e Eraldo Lemos, todos médicos, mas concorrentes do candidato. Ele deu um pulo da cama, assustado e milagrosamente são:
– Estou ótimo, estou perfeitamente bem. Nada que uma aspirina não resolva. Muito obrigado, mas não preciso de médico.
Cláudio Humberto Rosa e Silva
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