‘‘No meu gabinete não tinha chicote’’
(Do governador Mário Covas sobre o sadomasoquista Murillo Porto, que o assessorou no Senado)


Calabi, nova vítima
Mesmo depois de tantos anos trabalhando com FHC, o ex-presidente do BNDES, Andrea Calabi, só agora ficou conhecendo FHC. Ele foi recebido no dia da demissão e ouviu do presidente só palavras tranquilizadoras:
– Está tudo bem, fique tranquilo. Converse com o ministro Tápias, se entenda com ele, porque você vai continuar no cargo.
Calabi saiu do encontro afirmando que ‘‘estava’’ presidente. Com cara de tacho, ficou sabendo da demissão através da TV, momentos depois.

Rede de intrigas
Velho amigo e ex-subordinado de Andrea Calabi, o chefe da Casa Civil, Pedro Parente, ficou desesperado com a revelação de que ajudou a derrubar o ‘‘capo’’ do BNDES. Ligou para colunista de ‘‘O Globo’’, nesta sexta, pedindo nota e jurando que nada teve a ver com o caso.
Só falta convencer Calabi disso.
Pensando bem...
Aquele chopinho de Andrea Calabi e Francisco Gros, no centro do Rio, está com toda pinta de monopólio, não?

Meu garoto
A Inepar está levando a melhor na sua briga com a Schahin (ex-Schahin Cury) pelo linhão de Tucuruí.
Atilano de Oms Sobrinho e Mário Petraglia conseguiram tocar o coração do poder com atraentes argumentos. Digamos que de forma filial.

Bom de briga
O Grupo Folha de Pernambuco, liderado pelo empresário Eduardo de Queiroz Monteiro, assume oficialmente nesta quarta (1º) o controle do ‘‘Jornal de Brasília’’. Monteiro chega à capital decidido a fazer um jornal de elevado padrão para vencer a hegemonia do ‘‘Correio Braziliense’’.
Ele sabe o que faz: em Pernambuco, em menos de três anos de vida, a ‘‘Folha’’ já é líder absoluta do mercado. Segundo auditoria do IVC, sua venda avulsa média em janeiro foi de 35.792 jornais, a do ‘‘Jornal do Comércio’’ 17.281 e o bicentenário ‘‘Diário de Pernambuco’’ só 15.589.

Saco de pancadas
Quem diria, o Senado tem o Tiozão e também o Tiozinho...

Valor simbólico
Enquanto o líder Inocêncio de Oliveira anunciava o referendo da executiva nacional do PFL para a proposta do Movimento Trabalhista do partido, para o salário mínimo de R$ 177, um rumor se espalhava pelos corredores da Câmara: por que não R$ 171?
Afinal, 171 fica abaixo dos US$ 100 que tanto assustam FHC e é um número muito sugestivo.

Adivinha quem?
Candidato oficial à Prefeitura do Rio, Vovô Brizola quer ensinar ao Garotinho a arte de não perder cavalo encilhado. Como só deu ele mesmo na eleição desta quinta-feira no diretório do PDT no Rio, Leonel afirmou que o partido foi coerente e assumiu a diretriz da candidatura própria, não apenas no Rio, mas em outras 27 capitais.
Anthony Garotinho vai agora ficar chupando o dedo do PT.

Imunidade no trânsito
Diplomatas estrangeiros fazem e acontecem no trânsito de Brasília e fica tudo por isso mesmo. Os autos de infração são enviados ao Ministério das Relações Exteriores, que os encaminha às embaixadas apenas a título de advertência, sempre solenemente ignorada.
Segundo o diretor-geral do Detran-DF, coronel Almir Maia, em 99 foram 84 notificações mensais, em média. Do total de 967 autos de infração, 692 diziam respeito a automóveis de diplomatas e o restante – 273 – a de organismos internacionais etc. As multas não são pagas, nem os motoristas perdem pontos. A menos que sejam brasileiros.

Expulsão sob pressão
O PFL vai expulsar o prefeito de Hidrolândia (CE), Luiz Farias, que manteve em cárcere privado e torturou repórteres do jornal ‘‘O Povo’’, de Fortaleza. A medida decorre da indignação geral e da forte pressão da sociedade. Se dependesse da vontade do presidente e do vice do PFL do Ceará, deputados Moroni Torgan e Roberto Pessoa, o prefeito continuaria pefelista, impune e aterrorizando pessoas.

Óculos quebrados
Amigos do chefe da Advocacia Geral da União, Gilmar Mendes, contam uma história bem diferente da briga ocorrida há um ano com o ex-secretário da Receita, Osires Lopes Filho, revelada nesta coluna.
Após uma discussão, em que criticara Osires por perseguir contribuintes e elogiara Everardo Maciel por melhorar a arrecadação apenas otimizando recursos do Leão, Mendes deu as costas e foi embora. Já no corredor, seu braço fora alcançado com força por Osires mas, ao libertar-se com um safanão, atingiu o rosto do inimigo, quebrando-lhe os óculos.

Parabéns, Brasil
No dia do aniversário, quem vai dar o bolo é o padre Marcello.

Maconheiro não vota
A diretoria da Federação da Agricultura da Paraíba alterou os estatutos, de olho nas eleições dos próximos dias, e o seu artigo 60 agora torna inelegível ‘‘o candidato de má conduta comprovada, ou que seja viciado em maconha ou outra droga similar’’. O documento foi registrado no Cartório Toscano de Brito, em João Pessoa (PB). Os estatutos não esclarecem como identificar os tais viciados, nem discrimina outros vícios, como cigarro e álcool. Nem cancelou a verba de representação e jetons mensais, nem a gratificação natalina que os diretores embolsam.

O PODER SEM PUDOR

Anúncio oficial
Faltava pouco para as 20 horas de 16 de janeiro de 1969 e as emissoras de rádio finalizavam a transmissão da Voz do Brasil. A vinheta de encerramento já rodava quando o locutor empostou a voz para uma notícia de última hora sobre os resultados da audiência formal do Conselho de Segurança Nacional, realizada naquele dia.
– O conselho aproveitou a oportunidade para aposentar os ministros Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Víctor Nunes Leal, do Supremo Tribunal Federal – informou o locutor.
Passado alguns anos, Hermes Lima, falecido em outubro de 1978, ainda se lembrava com mágoa daquela noite. Dizia que poderia ‘‘até perdoar a cassação, mas jamais a forma como que fora anunciada’’. Os três ministros do STF souberam pelo rádio. Lima ainda conseguia brincar:
– ‘‘Aproveito a oportunidade’’, como disse o locutor oficial, a gente aproveita para desejar Feliz Natal ou Feliz Ano Novo. Aproveitar a oportunidade para anunciar cassação, isso não.

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