‘‘(Brizola) me chamou de falso pastor e ninguém me defendeu’’
(Do governador do Rio, Anthony Garotinho, admitindo deixar o PDT)


A farra continua
Continua a farra das comissões militares no exterior. Só em Washington há cinco vezes mais funcionários do que na embaixada do Brasil – nossa mais importante representação diplomática. A única função dessa gente é fazer compras – sem licitação – que poderiam ser realizadas do Brasil.
Como não têm muito o que fazer, viajam. Viajam muito e bem: a pretexto de ‘‘dar apoio’’ a navios brasileiros, a Comissão Naval mandou quinze funcionários a Fort Lauderdale e a New Orleans, com passagens aéreas de primeira classe, cada uma a US$ 1.000, e os felizardos embolsaram ainda diárias de US$ 290 (o dobro do que é pago a ministros de FHC).

Afano comprovado
Está cada vez mais difícil para o líder pefelista Inocêncio de Oliveira (PE) proteger o amigo Paulo Marinho (PFL-MA), deputado-bandoleiro que já está com os direitos políticos suspensos, por decisão da Justiça.
Quase diariamente ele é sentenciado. A última condenação foi do Tribunal de Contas da União, nesta terça (decisão nº 45/2000), ordenando a devolução de R$ 1,5 milhão subtraídos da Prefeitura de Caxias (MA) através de laranjas. Seu próprio irmão, Nilson, endossava cheques emitidos pela prefeitura, para saques na boca do caixa.

Aviação enferma
A crise da Vasp serviu para mostrar que toda a aviação comercial brasileira está enferma. Escolhida para ser a bola da vez, a Vasp tem uma situação que não é mais grave, por exemplo, do que a da Varig.
Segundo comprovantes em poder desta coluna, a Vasp tem 20 registros no Cadastro de Inadimplentes (Cadin) do governo, incluindo os da Caixa (9) e Infraero, datado de 17 de janeiro último. A Varig tem 37 registros.

Espelho meu
Conforme esta coluna antecipou no dia 9 de janeiro último, o Palácio do Planalto se livrou do diretor-geral do Departamento de Aviação Civil (DAC), tenente-brigadeitro-do-ar Marcos Antônio Oliveira.
Será substituído, no dia 22, pelo major-brigadeiro-do-ar Venâncio Grossi, que chefiava o subdepartamento de Planejamento do órgão.

Candidato ET
O professor Roberto Mangabeira Unger, um candidato literalmente com legendas, vai precisar, além de um tradutor simultâneo, de um cursinho rápido sobre São Paulo, caso pretenda desembarcar de sua galáxia direto na prefeitura. Num debate com o colega do PPS, Émerson (in) Kapaz, Mangabeira apresentou propostas ‘‘mouderrnass’’ para a maior cidade do País, mas quase caiu no bueiro. Chamou as bocas-de-lobo dos paulistas de ‘‘bocas de leão’’. Devem ser de leão da Metro.

Em rio de piranha
O jacaré finalmente capturado no lago do Itamaraty devia estar nadando de costas. Durante alguns dias foi a alegria da bicharada local.

Piração pedetista
Tal como seu líder, parece que o PDT também pirou. Informa que o deputado Wanderley Martins (RJ) visitou com outros colegas da CPI do Narcotráfico diversos pontos de entrada de drogas nas favelas do Rio. Reuniram-se com a Polícia Federal e vão tentar identificar ligações do tráfico carioca com o ex-deputado Hildebrando Pascoal. Diz ainda o PDT que Martins – investigado por ligações com o narcotráfico – acerta o depoimento de Fernandinho Beira-Mar ainda esta semana. Eu, hein?...

A rosa púrpura do Acre
Assim como no filme de Woody Allen, o ex-deputado Hildebrando Pascoal ameaça sair das telas e invadir a platéia, se a greve do Judiciário se concretizar. Também poderá ser aproveitado no elenco da revista ‘‘A estranha turma do Zé do Caixão’’, versão infantil da Editora Brainstorm para as aventuras do personagem de José Mojica Marins. O próprio.

Pensando bem...
...nossos três Poderes são mesmo uma grande família.

Santo forte
Só invocando todos os orixás para que uma CPI do crime organizado se instale na Bahia. Mas o líder do PT, Aloizio Mercadante, acha que já é hora de mexer na comida do santo e pediu ao ministro da Justiça proteção policial para o colega baiano Geraldo Simões. Ex-prefeito de Itabuna, Simões foi ameaçado de morte pelo pistoleiro Marcone Sarmento, fugitivo da Justiça e principal acusado da morte do jornalista Manoel Leal, do jornal ‘‘A Região’’. Mercadante quer a reabertura do caso.

Santo fraco
Manoel Leal foi assassinado há dois anos, e o inquérito apurou o envolvimento de Marcone Sarmento; de Mozart Brasil, agente da Polícia Civil baiana e proprietário da firma de segurança Maveron e de Roque Souza, funcionário da empresa Norral e amigão de Sarmento. O inquérito da morte de Leal foi cheio de falhas e o promotor Ulisses Araújo deixou a bola rolar. A Polícia Federal investigou tudo mas se fechou em copas. A Anistia Internacional, os Repórteres Sem-Fronteiras, e a ABI, entre outras entidades, pediram ajuda a FHC. Será que ele baixa o santo?

Vespeiro
Se a turma do bingo palpitou em reuniões secretas da Conab para alterar a Lei Pelé, conforme revelou esta coluna e atestou o procurador da República Luís Francisco de Sousa, outra turma da pesada tem muita influência correndo solta por aí. São as multinacionais do jogo que se instalaram nos últimos anos no Brasil, entre elas a International Game Technology, a Novomatic e a Sodak, de Ciro Batelli, eterno entrevistado do apresentador Amaury Jr.

Só café e playmate
A Rede Mulher, outro braço televisivo da Igreja Universal, acaba de perder uma de suas estrelas. O figurinista Ronald Esper pediu demissão queixando-se da falta de estrutura e do baixo salário, sobretudo depois que soube dos R$ 15 mil que a ex-playmate Nani Venâncio vai receber para comandar um programa do tipo Silvia Poppovic, dando conselhos a mulheres da classe média em conflito. Ronald também ficou chocado com o corte de despesas que atingiu o pãozinho matinal para os funcionários de nível mais baixo. O pãozinho foi cortado; agora, só café.

O PODER SEM PUDOR
Presente cavalar
Presidente do Brasil, o general João Figueiredo fazia visita oficial à Argentina, quando foi convidado a ir até o pátio da residência oficial de Olivos, após uma reunião de governo.
– Escolha um deles, presidente, é um presente da Argentina para o senhor – disse o general Leopoldo Galtieri, ditador argentino, apontando para três belos cavalos.
– Nossa! – exclamou Figueiredo, que adorava cavalos e seus odores.
– Escolha um deles, por favor, esteja à vontade! – insistiu o anfitrião.
– Mas é que fica difícil de escolher só um...
Houve uma pausa até o brasileiro ouvir exatamente o que queria:
– Então, presidente, os três são seus.