Cláudio Humberto (De Brasília)
Eu sou músico; estou deputado
(Do capixaba Magno Malta, presidente da CPI do Narcotráfico e vocalista de Tempero do Mundo, grupo de pagode gospel)
Aliança espúria
Um café da manhã reuniu no Hotel Naoum, o mais chique de Brasília, dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de instituições privadas de ensino superior. Discutiram uma estratégia comum para o lançamento de uma nova ofensiva contra o Provão, aplicado desde 1996 pelo MEC para avaliar a qualidade dos cursos de graduação.
A posição da UNE é ideológica, por considerar o Provão instrumento do projeto neoliberal. Já os donos de universidades pagas não querem a avaliação para atrapalhar seus negócios. E seus lucros.
Bang-bang maranhense
O deputado Paulo Marinho (PFL-MA), protegido da governadora Roseana Sarney e amigo de infância do irmão desta, Fernando, está perto de entrar para o Guinness Book. Ele enfrenta 115 ações apenas no município de Caxias (MA), todas movidas pelo prefeito Hélio Queiroz (PSDB). Esse número chegará a 200 até o Carnaval. Marinho chefiou o município entre 1993 e 96 e é acusado de desviar verbas e de acumular dívidas superiores a R$ 50 milhões, segundo o procurador Washington Leite Torres, que, ameaçado, escondeu a família em outra cidade.
Buana is coming
Eles se acham o máximo.
O novo embaixador dos Estados Unidos, Anthony Stephen Harrigton, chega a Brasília nesta sexta com ares de celebridade.
Buana mandou convocar a imprensa para uma breve declaração, ainda no aeroporto, não sem antes de obrigar a reportalhada a se inscrever, para ganhar o direito de acesso a tamanho privilégio.
Numa demonstração do apreço do governo americano pelo Brasil, o cargo de embaixador esteve vago há 18 meses.
Hummm...
Ainda vão dar o que falar, e mal, as estreitas relações do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), com o Banco Santander.
Levantando o véu
Perseguido pela CBF porque ousou recorrer à Justiça comum para reverter a jogada que o devolveu à Segundona, o Gama de Brasília resolveu dar um troco na jugular do todo-poderoso Ricardo Teixeira.
Nesta quinta, dirigentes do clube visitaram o deputado Aldo Rebelo (SP), líder do PCdoB na Câmara, para apoiar a realização da CPI da CBF, por ele proposta para investigar o contrato nebuloso e sombrio com a Nike.
Troféu na estante
A Embratur marcou um tento importante: abocanhou o primeiro prêmio na Bolsa de Turismo de Lisboa deste ano, concorrendo com 84 países.
Quem recebeu o troféu foi o diretor de Marketing, Roston Nascimento.
Mão que lava a outra
O empresário catarinense Mário Petrelli, ligado à área de seguros, é um dos mais ardorosos defensores do ministro de Esportes e Turismo, Rafael Greca. Pudera.
Graças ao apoio do rechonchudo paranaense, Petrelli está viabilizando um importante e milionário complexo turístico no litoral catarinense.
Barra pesada
Está lá no paredão dos fundos da bela Catedral de Brasília:
Fuzilamento, já!
Multa 51
Foi o consultor jurídico do Ministério do Meio Ambiente, Luiz Sabóia, quem deu a dica para a Petrobras se beneficiar de uma brecha na legislação e descolar desconto de 30% na multa de R$ 51 milhões.
Se essa multa 51 já parecia irrisória, parcelada e com descontos é que ela não se revela mesmo uma boa idéia.
Imagine se o Ibama aceitasse pré-datado...
Sigla inesquecível
Quando pressionado pelo Greenpeace a fechar a Refinaria de Duque de Caxias, o presidente da Petrobras alegou que aqui não é a Suécia para poder se dar a esse luxo. O Greenpeace tinha razão.
Em 1969, explodiu um tanque; em 1972, quatro tanques de gás liquefeito explodiram, matando 33 pessoas, no pior acidente na Reduc; no mesmo ano, outros cinco ficaram feridos com a explosão de um forno; cinco anos depois, incêndio; em 83, explosão no pátio de bombas. Agora, os dutos.
Óleo no currículo
A tragédia ambiental na Guanabara poderia ter sido prevista, quando em abril do ano passado o presidente da Petrobras, Henry Phillipe Reichstul, visitou o Terminal Marítimo Almirante Barroso, em São Sebastião, após o vazamento de um duto que poluiu quatro praias do litoral paulista. Na época, Reischtul atribuiu o desastre a uma válvula defeituosa e garantiu que esse tipo de problema não ocorreria mais. Ah, bom.
Amigo da onça
Por falar em ecologia, o deputado (que não se perca pelo nome) Pauderley Avelino (PFL-AM) também deu uma grande contribuição ao meio ambiente, reduzindo de R$ 5 mil para R$ 3 mil o valor da taxa de fiscalização ambiental de grandes e médias empresas poluidoras.
O deputado é o relator da medida provisória (mais uma) que criou a TFA. Deve achar que pau-de-sebo é espécie em extinção.
Pedágios da ganância
O governo do Paraná informa que as rodovias a ser privatizadas são federais, não estaduais. Nega também que sejam extorsivos os pedágios cobrados pelas empresas que ganharam 2.035 km em rodovias (1.700 km federais) em troca de reparos em 300 quilômetros de estradas secundárias. Segundo a assessoria de imprensa do governo, as tarifas de pedágio em vigor no Paraná são hoje as mais baixas do País. E anuncia a criação de uma agência reguladora estadual assim que virar lei a Agência Nacional dos Transportes.
O PODER SEM PUDOR
Qualidade não vale
João Agripino, pai do escritor Ariano Suassuna, era governador da Paraíba e começou a receber notícias de que em Areia, terra de José Américo de Almeida, surgia uma liderança de oposição imbatível.
A cada dia cresciam as informações sobre a força do novo líder. Preocupado, Agripino resolveu cuidar pessoalmente do caso. Foi a Areia, reuniu os correligionários e falou claramente:
Precisamos encontrar algum defeito, o ponto fraco desse homem.
Um governista, levantando a mão, apressou-se em denunciar:
Governador, eu sei logo de dois defeitos desse sujeito...
Ótimo. E quais são?
O homem é cachaceiro e mulherengo! disse o delator, orgulhoso.
João Agripino respondeu de pronto ao caviloso correligionário:
Meu amigo, das qualidades do adversário que cuide ele próprio!





