Cláudio Humberto (De Brasília)
Ele não paga porque não quer
(Do ministro Pimenta da Veiga sobre a decisão do governador Itamar Franco, de aplicar novo calote nos credores de Minas)
MP aciona Alejandra
O Ministério Público Federal decidiu levar à Justiça a argentina Alejandra Herrera Riesnik, a misteriosa amiga de FHC que ganhou um contrato milionário da Agência Nacional de Telecomunicações.
A Anatel paga a ela R$ 12,6 mil por mês mais do que recebem o presidente da República e os ministros do Supremo Tribunal Federal.
O MP quer anular o contrato e obrigar Alejandra a devolver o dinheiro já embolsado. O presidente, que ordenou a sinecura, ou o diretor-geral da Anatel, Renato Guerreiro, devem ser responsabilizados.
Uma ligação especial
A estreita ligação entre FHC e sua ex-aluna Alejandra Herrera foi revelada nesta coluna, sob o constrangido silêncio da grande imprensa.
No dia 1º de julho do ano passado, o presidente esteve por quatro horas (das 20h30 às 0h30) no apartamento 105, de Alejandra, num prédio situado na QRSW 1, no Sudoeste, bairro de classe média em Brasília.
O Palácio do Planalto a princípio negou o fato, depois informou que Alejandra seria uma amiga da família. Mas FHC a visitou sozinho, sem Dona Ruth, que só tomou conhecimento do encontro através da coluna.
Papo furado
A principal argumentação de Gesner Oliveira para articular via medida provisória a sua continuação na presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça, é que ainda não foram concluídos alguns processos como o que examina a complicada fusão da Brahma com a Antarctica. Logo ele, que, ao assumir o cargo, pegou a meio caminho situações ou causas de valor superior aos PIBs do Uruguai e do Paraguai somados.
O preço da justiça
Em dezembro de 1997, uma fiança recorde de R$ 1,08 milhão entrou para os anais do Judiciário brasileiro. Era o preço da liberdade do banqueiro Arnaldo Gueller, que dirigia o Grupo Sulbrasileiro SP Crédito Imobiliário, criado em parceria com o Montepio da Família Militar. Foi um dos maiores escândalos financeiros do País. Condenado a cinco anos de prisão por crime do colarinho branco, Gueller deu pinote. Defendia-o (e também ao especulador Naji Nahas) José Carlos Dias, atual ministro da Justiça, que criticou o capitalismo do crime em entrevista a IstoÉ.
A hora da ratoeira
O Ministério Público cearense vai pedir hoje a intervenção em dez municípios do Estado, cujos prefeitos meteram a mão nos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), do MEC.
Pedirá também a declaração de inelegibilidade de 21 prefeitos envolvidos na ladroagem, no Ceará. Por enquanto.
O que ele teme?
Trêmulo, José Expedicto Prata, ex-sócio e amigo dileto do falecido Serjão, recusou-se participar em Brasília, nesta terça, do lançamento do livro Sérgio Motta - O Trator em Ação (Geração, SP, 500 páginas R$ 35).
Desconhece-se o motivo da súbita síndrome de pânico.
Talvez ele tenha medo de ser cobrado por aquilo que o livro não conta, apesar do empenho e do brilho do co-autor, Nirlando Beirão.
Entrando pelo duto
Do alto de seu apartamento de US$ 500 mil na Lagoa, no Rio de Janeiro, o novo superintendente de Meio Ambiente da Petrobras, Alceu Barroso Lima Neto, sempre se preocupou com qualidade de vida.
Demitido da área de Engenharia, virou assistente de Antonio Agostini, chefão de Produção, um protegido de Moreira Franco afastado pelo próprio Reichstul. Agostini era ligado ao ex-presidente Joel Renó, aquele que de tanto perseguir a diligência, na função pública, enrolou-se com a Marítima Petróleo, a que beneficiou com contratos de US$ 2,5 bilhões.
Cifra inesquecível
Em 1989, a multinacional de petróleo Exxon arrasou uma península no Alasca ao despejar quase 40 milhões de litros de óleo, na maior tragédia ambiental dos Estados Unidos. Além de estar sendo obrigada até hoje a recuperar a fauna e a flora não apenas local, mas de todo o país, o castigo pior veio em forma de multa: aproximadamente U$ 1 bilhão.
Não é nada não é nada, a Petrobras pagar pouco mais de R$ 50 milhões de multa não é mesmo coisa nenhuma.
Valha-nos, Deus
Pior é saber que a Petrobras mantém 12 mil quilômetros de dutos no País. Mais do que toda a extensão do litoral brasileiro.
Ou vai ou racha
Severino Cavalcante (PPB-PE) avisa que sua candidatura à presidência da Câmara dos Deputados é mesmo pra valer. Ele não aceita qualquer composição para assumir outro cargo. Nem a 1ª secretaria, como lhe foi proposta por Aécio neves (PSDB-MG), nem mesmo um ministério:
- Minha candidatura tem o apoio dos companheiros e vamos acabar com essa divisão entre iluminados e baixo clero. Todos têm a mesma representatividade.
Atchim!
Executivos de multinacionais no Brasil estão voltando gripados do exterior. Essas empresas poderiam seguir o exemplo da Secretaria de Saúde de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio. Ela está vacinando os funcionários da usina de Angra 1 contra a gripe australiana A-Sidney.
Um funcionário pegou a gripe da mulher, que voltou contaminada da Europa, onde foi visitar parentes. É grande o número de alemães trabalhando em Angra 1 e a empresa preferiu prevenir que remediar.
Plutão na veia
A astróloga carioca que, ano passado, previu nesta coluna graves problemas de saúde para ACM, alerta que o presidente do Senado deve ficar atento. A suspeita agora é de pneumonia e, segundo seu médico particular, Bernardino Tranchesi, Antônio Carlos Magalhães talvez precise de uma semana no hotel para se recuperar. ACM está tomando antibióticos por causa de uma infecção e deixou o hospital Albert Einstein para evitar uma possível contaminação hospitalar.
O PODER SEM PUDOR
Como faz um amigo
Mário Soares presidia Portugal, em 1995, e saboreava altos índices de aprovação popular. Chefe de Estado, viajava muito. Certa vez, em Túnis, provocou escândalo ao receber em almoço, na embaixada portuguesa, o socialista Bettino Craxi, foragido da Justiça italiana e exilado na capital da Tunísia. A imprensa chegou a sugerir o impeachment de Soares: afinal, Craxi era procurado pela Operação Mãos Limpas.
Havia grande excitação quando Soares desembarcou em Lisboa, voltando da viagem. Com seu jeito singular, aproximou-se dos jornalistas, ainda no aeroporto, para fazer uma declaração (na verdade, uma lição):
- Portugal não tinha chances de entrar na Comunidade Européia até Bettino Craxi, o então primeiro-ministro da Itália, assumir sua presidência. Foi Craxi quem nos colocou na União Européia. Ele é um amigo de Portugal. É meu amigo. E eu não deixo cair os amigos.
Foi embora. E nunca mais se falou no assunto. Craxi morreu no último dia 19 de janeiro, de enfarte, no exílio.





