Cláudio Humberto


De Brasília



Cláudio Humberto Rosa e Silva
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‘‘Isso representa uma tentativa de intimidação a um juiz’’
(Do presidente do STF, Carlos Velloso, reagindo a acusações do deputado petista Fernando Ferro, a quem vai processar)
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos chega ao Espírito Santo em fevereiro, para aprofundar as investigações sobre o crime organizado no Estado. Quer esclarecer os assassinatos de José Maria Feu Rosa, ex-prefeito de Serra; do advogado criminalista Carlos Batista e do padre Gariel Maire, morto há quase onze anos, num assalto. Os suspeitos da morte de Feu Rosa são os empresários Antônio Roldi e Alberto Ceolin, que estão foragidos. O Tribunal de Justiça capixaba já negou, por unanimidade, um pedido de habeas-corpus para os dois.
Amor, doce amor
Para vender o seu poderoso conglomerado bancário Bozzano, Simonsen/Meridional, Júlio Bozzano não mirou somente os mais de R$ 1,5 bi. Pesaram as razões do coração: quer mais tempo para se dedicar à sua nova (e jovem) esposa, ex-veterinária de seu haras de puros-sangues. O diabo, depois de velho, transforma-se em ermitão.
Tão perto, tão distante
A CPI do Judiciário patinou durante meses, à procura de escândalos por todo o Brasil. Se os seus integrantes percorressem os dois quilômetros no Eixo Monumental de Brasília que separam, em linha reta, os prédios do Congresso e do novo Tribunal Regional Eleitoral encontraria razões de sobra para investigações.
Ira divina
Um grupo de religiosos, certamente do mesmo credo do governador do Rio, está passando um pito virtual para Garotinho nenhum botar defeito.
Numa lista na Internet, eles avisam que o governador vem abusando do sagrado nome do Senhor na política. E tem blasfemado, dizendo que teve aparições e é enviado de Deus (sic). A ira de Deus, avisam os internautas divinos, não se fez esperar. As manchas verde e vermelha nas praias, e agora a mancha negra, foram sinais, que estão na Bíblia. O pior ainda estaria por vir, ‘‘se Garotinho não parar de blasfemar’’.
Barganha óbvia
Não é para valer a candidatura do deputado Severino Cavalcante (PPB-PE) à presidência da Câmara dos Deputados.
Ele sabe que não tem condições, nem chances. Tudo o que lhe interessa é barganhar para garantia o cargo de 1º secretário da mesa, um dos mais ambicionados porque controla o cofre, apartamentos funcionais etc.
Pais e filhos
Para quem leu a biografia de Fidel Castro, do jornalista americano Tad Szulc, a batalha pela custódia do menino cubano Elián González tem lances freudianos. É que o próprio Fidel Castro esteve envolvido numa luta parecida há 45 anos, quando sua primeira mulher, Mirta Diaz-Balart, fugiu com o filho deles, Fidelito Castro Diaz, para os Estados Unidos. Ele convenceu a ex-mulher a deixar o menino uns dias no México e o entregou para um casal de amigos. Mas três homens armados pegaram Fidelito e a mãe obteve a custódia. Fidelito voltou a morar com o pai depois da Revolução, vive em Havana e está com 50 anos.
Ele não é bobo
Corrente do PMDB paulistano defende a candidatura do ex-governador Orestes Quércia à prefeitura da capital. O assunto ainda não foi tratado com o arguto líder político. E quando o for, ele terá todo o direito de duvidar da amizade dos que lhe propuserem tão infrutífera aventura. Quércia não tem vocação para bonzo budista, daqueles que se incendiavam nas ruas do oriente em protesto contra a guerra do Vietnã.
Esse é bobo
Carlos Menem, o milongueiro que governou os argentinos por uma década inteira, está louco para ser convidado para um fim de semana em Brasília, como homenagem pelo muito que fez pelo Mercosul e pela reeleição de FH. Ele disse a empresários brasileiros em Buenos Aires que o antigo colega deve ter algum tipo de gratidão a ele.
Vai esperar sentado, tocando seu bandoneón nas barrancas do Rio de La Plata, pois em pé se cansaria muito.
Espelho meu
Esta coluna antecipou com duas semanas de antecedência a sinecura reservada em Genebra ao brigadeiro Marcos Antônio Oliveira, diretor-geral do DAC, com gordo salário, para ‘‘representar o Brasil junto a organismos internacionais de aviação’’. Caiu por ter perdido a confiança do Planalto, remando contra a criação da Anac. Sua ‘‘promoção’’, apesar do salário, é como rabo de cavalo: para baixo...
E, como já adiantamos, o brigadeiro Bogalho Pettengil, presidente da Infraero, vai para casa.
Quem viver, verá
A dura carta de Evandro Carlos de Andrade à ‘‘Folha de S.Paulo’’ no dia 19, respondendo a críticas de Barbara Gancia ao jornalismo global, poderá trazer desdobramentos no lançamento de um diário de economia em São Paulo. Num texto tão bem escrito quanto virulento, Evandro trata o herdeiro do jornal pelo seu apelido de infância, ‘‘Otavinho’’.
Reconciliação
As redes Globo e Record, enfim, se entenderam. A emissora do bispo Edir Macedo, depois da bem-sucedida criação de uma entidade nacional congregando centenas de emissoras de TV e rádio, vai voltar à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), dividindo o poder com a Vênus Platinada. Os Marinho reconheceram, mesmo que discretamente, o esvaziamento da entidade classista que sempre os representou. Em troca, dança o atual presidente, um obscuro radialista de São Paulo, e a vice será de um destacado executivo da Record.
Mulheres de luta
Como o governo não se mexeu, as mulheres brasileiras foram à luta e vão discutir soluções para a violência, o desemprego e a fome.
Esses temas serão debatidos na 1ª Conferência de Mulheres da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que acontecerá em Salvador, de 30 de janeiro a 1º de fevereiro. A conferência, organizada pela Fundação Cultural Palmares, terá início com a presença da primeira-dama Ruth Cardoso.
O PODER SEM PUDOR
Respeito é bom
O ex-presidente Jânio Quadros fazia uma palestra para estudantes, em São Paulo, em meados de 1978, em plena mobilização nacional em favor da anistia. Um rapaz levantou o braço e disparou:
– Você é a favor da anistia ampla, geral e irrestrita?
Jânio não gostou do tratamento. ‘‘Voc꒒? Nem pensar:
– Intimidade gera duas coisas: aborrecimento e filhos. Com o senhor, não posso ter filhos e não quero ter aborrecimento. Por isso, exijo que me respeite. Trate-me de senhor.
Cláudio Humberto Rosa e Silva
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