Cláudio Humberto (De Brasília)
Vender remédios em supermercados é inaceitável
(Do presidente da Federação Nacional dos Médicos, Heder Murari Borba, sobre a idéia do ministro Pedro Malan)
Aedes tucanus, o vírus
O governo sabia desde 96 que o País corria o risco do reaparecimento da malária na Amazônia e da febre amarela e da dengue e em vários pontos do País, caso continuasse a reduzir os investimentos em programas de combate e prevenção da endemias.
Está tudo descrito e previsto em relatório entregue pelo então presidente da Fundação Nacional de Saúde, Edmundo Juarez, ao ministro da época, Carlos Albuquerque. O ministro sequer concedeu audiência a Juarez, médico sanitarista emérito, para receber o relatório que continha advertência tão grave. O presidente da Funasa se demitiu.
A mortalidade é alta
Mesmo sabendo que sua política de cortes nos investimentos em saúde pública poderia gerar o reaparecimento de doenças graves, que até provocam mortes, o governo continuou reduzindo as verbas, num processo contínuo, iniciado em 1993 e agravado de 1995 em diante.
Entre as doenças que reaparecem, até aquelas consideradas extintas, a febre amarela é das mais graves, porque mata 1 em cada 2 doentes.
O golpe do seguro
Ao abrir uma conta no HSBC (aquele banco com sede em Londres que protagonizou o primeiro bug antes mesmo da virada do milênio), um cliente carioca adquiriu compulsoriamente um seguro de vida. Há meses tenta livrar-se do produto não solicitado em idas e vindas à agência cheia e calorenta na zona sul do Rio.
Empurrar penduricalhos onerosos, além de ilegal, é imoral e cansa a paciência. O que diz o Procon a respeito?
Trânsito lento
Após um possível engarrafamento em seu sistema de assessoria de imprensa, a concessionária NovaDutra finalmente pagou o pedágio, publicando nos jornais, nesta quinta, um extenso comunicado aos usuários e à mídia em geral. Antes tarde do que nunca, apesar de não se tratar exatamente de um pedido de desculpas pelo tormento e pelos prejuízos causados durante o temporal do Réveillon.
Trânsito mortal
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, terá muito o que ver durante seu percurso, prometido para esta sexta-feira em toda a BR-470, onde ocorreram dois trágicos acidentes em menos de 24 horas.
Considerada corredor rodoviário do Mercosul, a estrada catarinense é um alçapão a céu aberto. O governador Esperidião Amim (SC), que correu para remediar o irremediável das mais de 50 mortes, vai correr agora para melhorar as pistas, que há dois anos não vêem manutenção. Para isso ele tem quase R$ 2 milhões disponíveis, quietinhos no cofre.
Descaso mortal
As fotos do acidente em Santa Catarina mostram o estado precário de uma placa, enferrujada e diminuta, junto ao monte de ferros retorcidos.
Quando imprudência (no caso, a do motorista argentino, que estaria correndo muito) e imprevidência se juntam, coisa boa não resulta.
A vida é sonho
O governador do Rio, Anthony Garotinho, não perde uma chance de aparecer na mídia, sempre com uma idéia nova. Durante a discussão no Senado do projeto de limitação de armas de fogo, ele pediu ao governo federal que iniba o contrabando do Paraguai, esquecendo que primeiro é preciso avisar aos bandidos e à Polícia Federal, que sequer descobriu ainda onde anda Fernandinho Beira-Mar. Garotinho também vai acionar os fabricantes de armas, obrigando-os a indenizar os parentes das vítimas, como acontece nos Estados Unidos com fábricas de cigarros.
É a lama, é a lama
É pau, é pedra, é o fim do caminho.
Os paulistanos mais uma vez comprovam que a lama não está apenas em cima, mas principalmente embaixo dos governos e prefeituras que desmoronam a cada chuva forte.
Trauma não dói
A ex-mulher do ministro Pimenta da Veiga (Comunicações), Elizabeth Pederneiras, não quis falar aos jornalistas ao chegar para depor, nesta quinta, na 10ª Delegacia de Polícia, em Brasília. Estou muito traumatizada, disse ela, evitando comentar o trauma causado pelos seus três cães raivosos, que mataram e estraçalharam Rafael Santos Silva, de 7 anos, na chácara de propriedade do seu ex-marido.
Ela contratou um advogado de Goiânia (GO), Ney Moura Teles, conhecido por defender o cacique e senador Íris Rezende.
Apocalypse now
Calor de rachar, porrada da PM, gás lacrimogêneo, cambistas à solta, torcedores no hospital. Parecia o fim do mundo no Rio, nesta quinta, e não a venda de ingressos para a final do Mundial Interclubes, entre Vasco e Corinthians. Desorganização total, com a concentração em um só local e quatro guichês no Estádio de São Januário, zona norte da cidade. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, achou tudo muito natural. Agora é torcer para que haja segurança e tranquilidade no Maracanã, e que vença o melhor.
Contra estrangeirismos
O líder do PCdoB na Câmara, Aldo Rebelo (SP), está que é só sorriso.
A prova de Redação da segunda fase do vestibular da Fuvest, em São Paulo, foi desenvolvida em cima do seu projeto que restringe o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Rebelo agora está empenhado em trazer o escritor José Saramago para o seminário internacional Idioma e Soberania Nossa Língua, Nossa Pátria, que organiza.
Vingativo e mau
FHC passou recibo de pequenez. Álvaro Valle foi protagonista ativo e decente da cena política brasileira por exatos 39 anos. Limpo, honrado e respeitado até pelos adversários ideológicos, jamais se envolveu em qualquer caso de corrupção. Morreu depois de longo calvário físico, corroído por um câncer implacável. E, mesmo homenageado pelo PCdoB, PT, Itamar Franco, PDT e forças políticas de todos os matizes, sua família ainda espera ao menos um telegrama do ressentido morador do Alvorada, a quem Valle fazia vigorosa oposição.
O PODER SEM PUDOR
Mr. Quadros, o tio
Jânio Quadros, governador de São Paulo, viajou à Europa, deixando no seu lugar o vice, general Porfírio da Paz. O interino recebeu a visita de um antigo professor de direito:
- Mestre, mas que honra recebê-lo aqui!
- Vim fazer-lhe uma visita, meu general. Muito trabalho?
- Nossa! Jânio me deixou uma papelada que Deus me livre. Mas faço questão de entregar o gabinete do jeito que ele deixou. Não mexo em nada: livros, cinzeiros, o retrato do tio na parede... deixo tudo no lugar.
- Mas que quadro, Porfírio? - interessou-se o antigo professor.
O governador em exercício apontou o retrato de Abraham Lincoln.
- Porfírio, aquele é o retrato de Lincoln, o grande presidente americano!
- Ah... é mesmo? Que coisa! Pois me haviam dito que esse homem aí se chamava Lincoln, um tio do governador que mora no Mato Grosso...





