‘‘Não dá para governar sem medidas provisórias’’
(Do governista Artur Virgílio, explicando por que FHC mudou de idéia sobre o ‘‘caráter autoritário’’ das MPs)

Justiça em família
O presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, desembargador José Martinho Lisboa, gosta de cercar-se de bons amigos. E da família.
Na chefia do seu gabinete está a esposa, Carmi, tão pouco assídua que seus colegas mal a conhecem. A filha mais velha, Vânia, é chefe do serviço médico do TJ, e cujo esposo, José Braga, é juiz conciliador de pequenas causas. Herbert, genial filho do desembargador, em sua breve carreira (de apenas três anos) já é juiz de 3ª entrância.

Trabalhando unida
O advogado Marcelo Figueiredo Filho é acusado de tráfico de influência no Tribunal de Justiça da Paraíba e até responde a processo movido pela OAB local. O fato de ele ser genro de José Martinho Lisboa, presidente do TJ, agrava as suspeitas. Vereadores Juru (PB) reclamam que recursos do Fundo de Participação, destinados a obras sociais, foram desviados para pagar os serviços de Marcelo, amigo do ex-prefeito Francisco Emídio Batista, o ‘‘Buega’’, já cassado. A esposa de Marcelo, Mônica, é diretora do Tribunal Regional Eleitoral. Sua cunhada, Maine, filha do mesmo Lisboa, é responsável pelo distribuição de processos.

Renovação à vista
A notícia vai excitar o mercado publicitário.
O Sebrae Nacional decidiu abrir concorrência para contratar a agência que vai administrar sua obesa verba de propaganda.
Isso põe fim a um longo reinado da Giovanni, FCB, que tem essa conta desde os tempos de Guilherme Afif Domingos.

Educação popular
Para o governo petista do Acre há trabalhadores e trabalhadores.
Jorge Viana, o governador, e seu irmão senador, ambos médicos, fixaram em R$ 1.200,00 o salário-base nos novos planos de cargos, carreira e salários do pessoal da Saúde. Já o salário inicial dos professores de nível superior é exatamente a metade: R$ 600,00.
É a corda, como sempre, arrebentando no lado mais fraco.

Intervenção militar
Má notícia para as empreiteiras que já se assanhavam no submundo de Brasília: o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, recebeu uma carta do chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército, general Antônio de Araújo Medeiros, colocando-se à disposição para realizar as obras de transposição do Rio São Francisco.
Bezerra vai ao ministro da Defesa e ao comando do Exército, nesta semana, para dizer que aceita o oferecimento.

Rio não é mais aquele
O Rio São Francisco anda tão fraquinho que até já está paralisada uma turbina da Hidrelétrica de Xingó.
Se não chover na cabeceira do rio, avalia a Chesf, o Nordeste será obrigado a fazer racionamento de energia.

Recordar é viver
Faz um ano nesta segunda que FHC se livrou de Dona Ruth e foi pular a cerca da casa de veraneio do governador de Sergipe, Albano Franco, na Praia do Saco, perto de Aracaju. Ao desembarcar, ele ficou sabendo que o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, decidira ir para casa antes do combinado, abrindo a mais séria crise do seu governo. Contrariado e chupando dedo, ele foi obrigado a retornar a Brasília.

Está explicado
Um cacique do baixo clero do PMDB tem uma explicação que ajuda a compreender por que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, sobreviveu ao escândalo que revelou a cobrança de propinas para a liberação de precatórios milionários.
Os precatórios foram a fonte de inspiração para que o PMDB aumentasse significativamente a sua bancada, na Câmara.

Coincidência?
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, passou quinze dias em férias e ninguém sentiu falta. Parecia a economia emitindo um sinal positivo.
Foi o homem voltar ao batente e as bolsas despencaram.

Projeto tapioca
O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) usou o recesso para trabalhar num projeto – a ser apresentado em fevereiro – determinando a adição de 30% de farinha de mandioca na farinha de trigo exportada pelo Brasil.
Baseado em estudos técnicos, ele garante que não haveria qualquer perda nutricional e, de quebra, fortaleceria a agroindústria nordestina e faria o País ganhar cerca de R$ 300 milhões por ano.

Amargo caviar do exílio
O brigadeiro Marcos Antônio Oliveira, diretor-geral do DAC, pode ser despachado para Genebra, onde existe uma sinecura de US$ 15 mil para observador da FAB junto a organismos internacionais de aviação comercial. Como está remando contra a criação da Agência Nacional de Aviação Civil, projeto do próprio FHC, o brigadeiro pode vir a gozar do que os gregos da antiguidade batizaram de ‘‘ócio com dignidade’’.

Ele merece
Em silêncio, com seriedade e competência, a Receita Federal está esquadrinhando a vida contábil do ex-deputado e demolidor Sérgio Naya. O leão, raivoso e faminto, já tem certeza de que morderá firme o gordo bolso do ricaço encarcerado.

Necrológio de um cacique
Os bons índices alcançados pelo governador tucano Marconi Perillo (GO) estão sepultando o restinho de prestígio do senador Íris Resende em Brasília. O decaído cacique goiano já leva chá-de-cadeira, não vê seus pedidos atendidos como antes e perde espaço para o antigo protegido Maguito Vilela, hoje seu colega no Senado. Mais um pouco e veremos Íris Resende numa oposição feroz ao governo FHC.

O PODER SEM PUDOR

Floricultura política
Em 1978, o senador Agenor Maria rompeu politicamente com o líder potiguar Aluizio Alves. Mas o mundo dá voltas e, na disputa de 1982 pelo governo do Rio Grande do Norte, entre José Agripino e Aluizio Alves, Agenor preferiu ficar com o segundo. Um repórter de rádio em Mossoró tenta colocar Agenor Maria no canto da parede:
- O senhor vai votar em Aluizio, mesmo tendo dito que ele não é ‘‘flor que se cheire’’?
O senador Agenor Maria, com verve peculiar, saiu-se assim:
- É, meu filho, realmente eu disse isso. Mas acontece que o outro candidato nem flor é...

mockup