‘‘O presidente preferiu criar a taxa de autorização e moralizar a atividade’’
(Do ministro Rafael Greca, sobre a decisão de não proibir os bingos no Brasil)

Primeiro depoimento
A médica Elisabeth Pederneiras da Veiga, ex-mulher do ministro Pimenta da Veiga, deverá depor na polícia no próximo dia 10, no inquérito aberto para apurar o assassinato do garotinho Rafael, de sete anos, que teve o corpo estraçalhado por três cães ferozes da chácara em que reside no Lago Sul, em Brasília. Ele responderá à acusação de alimentar mal os cães para deixá-los ainda mais ferozes e terá de explicar por que os soltou às 17 horas daquele dia em que o menino foi morto pelos animais. Tanto Silvana quanto o ministro, proprietários da chácara, podem ser indiciados por crime de homicídio culposo.

Algo de velho no ar
Os novos proprietários do Canal 23, de Belo Horizonte, constituem uma atração à parte. Dalmir de Jesus Graças dirigiu durante doze anos a Assembléia Legislativa do Estado e usufrui polpudos proventos integrais como ‘‘diretor apostilado’’. Promoveu inúmeras obras na Casa, inclusive um anexo que deu o que falar (o sogro estaria na jogada). É ligado ao deputado Romeu Queiroz, provável candidato à sucessão de Itamar.
Se depender do perfil de sua sócia, empresária Liliane Hermeto, Dalmir já tem garantido na grade um programa musical: dona Liliane acaba de lançar dois CDs de MPB e seu marido, o deputado estadual Hermeto, está sempre afinado com o amigão Queiroz, parceiro de campanha.

Caixinha, obrigado
O ministro Rafael Greca, cuja ficha ainda não caiu, está contando com cerca de R$ 50 milhões anuais que começarão a ser recolhidos dos bingos a partir deste mês em todo o País e destinados em parte à PF e à Receita. É a chamada taxa de autorização, editada em outubro através de medida provisória. Provisória como a sobrevivência do ministro.

O dragão vem aí
Será boa ou má notícia para os brasileiros? Dia 5 de fevereiro começa o ano do Dragão, segundo o horóscopo chinês. Para os místicos, será um ano de decisões arriscadas, que podem provocar grandes alterações políticas. Os chineses dizem que o dragão é um bicho muito cheio de si, nada sutil, sempre querendo ser o centro das atenções. E recomendam prudência não apenas nos investimentos mas também com as amizades.

Pensando bem...
Essa briga da ex-TV Manchete com a atual Rede TV! ainda vai acabar no Programa do Ratinho...

Castelo de pó
Mixou o projeto político do PFL capixaba. O notório presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz, alvejado pela CPI do Narcotráfico, parece que desistiu da candidatura ao Senado em 2002 e ao governo do Espírito Santo, em 2006. Dono de extenso prontuário, o conhecido bicheiro viu entrar areia em seu sonho. Ou melhor, pó.

David Nasser, a biografia
Depois de ‘‘Chatô’’ (Cia das Letras, SP, 737 pp., R$ 37), de Fernando Morais, e de ‘‘Notícias do Planalto’’ (Cia das Letras, SP, 752 pp., R$ 35), de Mário Sergio Conti, vem aí mais um livro que promete dar o que falar.
Ainda saborendo o sucesso do seu último livro, ‘‘Mulheres que foram à luta armada’’ (ed. Globo, SP, 484 pp., R$ 29), o repórter Luiz Maklouf Carvalho, conhecido por ser tão meticuloso quanto competente, dedica tempo integral à biografia do polêmico David Nasser, a ser lançada em dezembro – quando se completam vinte anos da morte do jornalista.

Bispo boca suja
O arcebispo de Campo Grande (MS), dom Vitório Pavanello, defendeu a virgindade com inédita grosseria, em entrevista à ‘‘Folha do Povo’’:
– Mulher usada não tem valor. Você vai ao supermercado e vê lá aquelas prateleiras cheias de qualidade de óleo de cozinha. Aí você vem, estuda, pega, fura a lata, toma um pouquinho e... devolve. Acabou-se. Essa lata não tem mais valor. Só serve para que? Para dar aos pobres. Moça namora... furou. E serve para que? Perdeu o valor.
Quem tem boca diz o que quer, inclusive idiotices.

E os sonegadores?
Autor da ação judicial que evitou a sangria previdenciária do bolso dos aposentados, o presidente nacional da OAB, Reginaldo Castro, não poupa críticas ao governo pelo desrespeito à Constituição. Ao invés de aumentar a contribuição previdenciária, o governo deveria cobrar dos sonegadores: levantamento da Receita Federal mostra que só os bancos devem ao País mais de R$ 9 bilhões em impostos. Esse valor é cinco vezes o cálculo da perda de arrecadação previdenciária estimada pelos técnicos do governo.

Três séculos
A partir de hoje, os muitos amigos e admiradores do presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho, contarão os dias para que ele chegue ao final do ano 2000 com a saúde e a lucidez que Deus lhe deu. Será, então, um homem de três séculos, digno no Livro dos Recordes: nascido no século 19, viveu intensamente o século XX e terá chegado ao século XXI.

Quem dá mais?
O submundo do lobby já se organiza para nadar de braçadas, em São Paulo, na construção de ‘‘piscinas’’, para reservatórios d‘água, e na reforma do autódromo de Interlagos. Já há funcionário de terceiro escalão da Secretaria de Obras pedindo R$ 50 mil para antecipar os dados reais das obras que se destinam, em bom português, a financiar campanhas amigas.

O milagre do milênio
Parece novela. Mas é assim que os americanos estão chamando a súbita recuperação de uma mulher de 42 anos, do Novo México, que, após 16 anos em coma, despertou, levantou e se vestiu sozinha. Patty White Bull ficou em estado vegetativo após o nascimento do mais novo dos quatro filhos. Os médicos estão absolutamente espantados, porque o recorde de permanência em coma até hoje era de dois anos e meio. As TVs não perderam tempo e estão agendando entrevistas com Patty, que terá, no entanto, muito mais a ouvir do que falar.

O PODER SEM PUDOR

Amigos, vírgula
O diálogo aconteceu há poucos meses.
O homem de cabeça branca, conhecido pelos maus-tratos que impõe aos inimigos, recebia o ministro careca que sucedeu Serjão na administração das áreas – digamos – mais rentáveis do governo.
– Estou aqui para pedir a ajuda do senhor, que é meu amigo... – começou o ministro, enxugando o suor da calva com um lenço.
– Jamais o ajudaria. Não somos amigos. Quero mais é acabar com o senhor e com suas intrigas – cortou o homem da cabeça branca.
O ministro José Serra ficou pálido, sorriu amarelo e desconversou. Cinco minutos depois despediu-se e foi embora. À saída, ACM comentou vitorioso com uma testemunha da conversa:
– Além de cretino, não tem caráter. Não deu um pio.