‘‘Se o presidente quiser trocar a aliança conservadora por uma de centro-esquerda, pode haver diálogo’’
(Do senador Roberto Freire, do PPS, sobre a reaproximação entre Ciro Gomes e FHC)

A Viúva vota. E gasta
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não medirá esforços, nem gastos, para ‘‘motivar os eleitores’’, nas próximas eleições. Esta semana, o TSE fechou contrato de R$ 7,4 milhões com o Instituto Superior de Administração e Economia, da FGV, para ‘‘assessoria eleitoral e propaganda institucional’’. A boca livre foi assinada pelo diretor-geral do TSE, Ney Natal de Andrade Coelho. A campanha começa em fevereiro com apelos aos 10,6 milhões de eleitores que justificaram os votos, na última eleição.

Tudo será castigado
O secretário para o Desenvolvimento Audiovisual do Ministério da Cultura, J. Moisés, anda se jactando dos humilhantes pedidos de clemência que recebe da atriz e produtora Norma Bengell.
Ela está mesmo enrolada e isso pouco tem a ver com a arrogância do inexpressivo burocrata. Deveria ter devolvido em novembro R$ 4,9 milhões referentes aos incentivos que recebeu e às multas e juros, aplicados após a descoberta de mutreta na sua prestação de contas.

Seguuuura, Malan
Têm causado alvoroço, no Rio de Janeiro, os frequentes encontros de fim-de-semana do presidente da estatal Transpetro, Mauro Campos (gente do ministro Pimenta da Veiga), com o português Fernando Souto, diretor no Brasil do estaleiro norueguês Aker, e Omar Rezende Peres, sócio no Estaleiro Mauá com German Efromovich, aquele da Marítima.
Quando acontece a pajelança, o Erário enrubesce. De medo.

Cabeça-de-chapa
A amigos, o senador José Sarney (PMDB-AP) avisa que sua filha nem considera a possibilidade de se candidatar a vice-presidente.
Se não emplacar uma cabeça de chapa, disputará uma cadeira no Senado. Entrar no páreo apenas como emblema feminista, ainda mais de uma mala-sem-alça como José Serra, nem pensar.

O último dos moicanos
Com a saída de João Yunes da Secretaria de Polícias de Saúde, o governo FHC perde o último dos médicos sanitaristas de renome. E um dos derradeiros ‘‘tucanos históricos’’ que restavam ao seu lado. Para seu lugar deve ir Cláudio Duarte, atual diretor do Serviço de Assistência.
Sai um especialista em saúde pública e entra um especialista em assistencialismo. Valha-nos, Deus.

A lorota de Serra
O ministro José Serra plantou em colunas amigas que ‘‘não hesitou’’ em aceitar o pedido de demissão de João Yunes do cargo de secretário de Políticas de Saúde. Não foi bem assim. Esta semana, em reunião no Ministério da Saúde, o chefe de gabinete Otavio Mercadante revelou o convite de Serra para Yunes ocupar outro cargo. Mas ele preferiu voltar a dar aulas na Faculdade de Saúde Pública da USP. Elegante, Yunes sai sem atirar nos velhos amigos Ruth e FHC, nem no ex-amigo Serra.

Noves fora zero
O bug do milênio atacou os Classificados do ‘‘Jornal do Brasil’’. Perderam-se cadastros de clientes e anunciantes com a virada do ano 2000.
O departamento comercial do jornal carioca está arrancando os cabelos.


Nunca te vi
Marketeiro de carteirinha, o então deputado Rafael Greca gostava de espalhar que FHC considerava imprescindível sua presença no Congresso. E reconhecia nele uma das maiores expressões políticas do Brasil. O que será que FHC anda dizendo do atual ministro agora, isolado e sem apoio político durante o melancólico depoimento de quinta-feira, no mesmo Congresso onde seria imprescindível?

À la grega
Greca, que em italiano quer dizer ‘‘grega’’, sempre foi um entusiasta da abertura dos cassinos no Brasil, porque gerariam empregos. Estava de olho no lendário Hotel Quitandinha, em Petrópolis, zona serrana do Rio.

Casa de ferreiro
Elizabeth Costa, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, teve impugnado seu registro profissional na categoria de repórter fotográfica, de acordo com o Diário Oficial de 2 de fevereiro de 1998. Ela obteve o registro pleno na década de 80, ou seja, deve ter provado que trabalhou em alguma empresa antes de 1979, de acordo com a lei. Mas um leitor, devidamente registrado no Ministério do Trabalho, acha que Beth Costa precisa dar explicações, como líder da cruzada pelo registro dos jornalistas.
Que tal o site da Fenaj na Internet exibir os registros de toda a diretoria?

Óleo suspeito
Os engenheiros da Petrobras estão desconfiados do vazamento de óleo na Baía de Guanabara e suspeitam até de sabotagem. Através de sua associação, a Aepet, vão investigar minuciosamente o que aconteceu, pois acreditam que além de o desastre municiar a corrente favorável à privatização da empresa, está em fase final a negociação entre a Petrobras e a Repsol, da Espanha, para a compra da Reduc.

Aquecendo motores
Mal o ano começou, os candidatos a prefeito já se movimentam intensamente, definindo equipes de campanha.
Só o experiente jornalista (Prêmio Esso) e marqueteiro Jorge Oliveira já tem quatro convites para chefiar campanhas em Aracaju (SE), Maceió (AL), Salvador (BA) e Manaus (AM).

A vez de Pernambuco
Muita gente duvida da CPI do Narcotráfico em Pernambuco. Ela foi prometida pelo deputado do PT, Fernando Ferro, e as investigações começariam pelo Polígono da Maconha, que tem ramificações em outros Estados. Um esquadrão da morte envolvendo policiais nos moldes da Scuderie Le Cocq há muito atuaria na fronteira entre Pernambuco e a Paraíba, onde homens encapuzados desovam corpos e promovem execuções de traficantes ou bandidos de João Pessoa ou do Recife.

O PODER SEM PUDOR

Pobres concursados
O presidente Jânio Quadros ficou comovido com o gesto de um amigo, que lhe pediu emprego para um sobrinho que permanecia desocupado, não obstante suas muitas qualidades. De posse de uma lista de cargos disponíveis, o presidente chamou o amigo:
– Que tal o menino ser o tesoureiro dos Correios, no Recife?
– De quanto é o ordenado? – perguntou o amigo, curioso.
– Quase 27 mil cruzeiros – respondeu Jânio, após consultar a lista.
– Nossa! Em absoluto! É muito dinheiro. Ele é muito novo para ganhar quase igual a mim. O que tem mais?
– Tesoureiro auxiliar do IAPC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários) – respondeu Jânio – 15.300 cruzeiros por mês.
O homem recusou de novo. Era muito dinheiro. O presidente explodiu:
– Abaixo disso, meu caro, só com concurso público. Vai querer ou não?