‘‘Os responsáveis deveriam ir para a cadeia’’
(Do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, desolado com a tragédia da Baía de Guanabara)

Não pagou, dançou
O governador da Paraíba, José Maranhão, está em maus lençóis: sua prestação de contas ao TRE, referente à campanha de 98, informa que foram gastos R$ 407.500 em ‘‘produções audiovisuais’’, que incluem os programas do horário gratuito. O problema é que o marqueteiro Duda Mendonça não recebeu o que lhe é devido e o caso vai à Justiça, com uma prova explosiva: o contrato de gaveta no valor de quase US$ 3 milhões. Como apresentar prestação de contas falsa é crime, a Justiça Eleitoral pode até determinar a sua destituição do cargo.

Manobra continuísta
Gesner Oliveira, presidente do Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), está apelando a deus e ao diabo na terra do sol para FHC editar uma medida provisória alterando a lei que proíbe a prorrogação do seu segundo mandato à frente do órgão.
A jogada beneficiaria dois outros conselheiros do Cade, Marcelo Caliari e Lúcia Salgado, com quem Gesner manteve tórrido e público ‘‘affair’’.
Motiva o esforço continuísta os milhões de argumentos, embriagantes, que devem fazer o Cade aprovar a fusão da Brahma com a Antarctica.

Obra sob suspeita
O novo prédio do TRE do Distrito Federal foi erguido sob a suspeita de terem sido alteradas suas especificações, para baratear custos.
Já no início da obra, houve denúncias de mudança do projeto de estrutura e fundações, mas o diretor empresarial da Construtora Paulo Octavio, Marcelo Carvalho, garante que as especificações originais foram rigorosamente respeitadas.
Até agora, o TRE não procedeu ao recebimento oficial da obra. Nem pagou os R$ 1,3 milhão que ainda deve à empreiteira.

Gente bronzeada
Quinze motociclistas percorrem o litoral brasileiro utilizando apenas a areia da praia como pista. O grupo já viajou todo o Nordeste.
O passeio tem uma motivação, digamos, cultural: o inventário (com fotos) da incrível diversidade de embarcações artesanais construídas pelos pescadores brasileiros, de norte a sul do País.
Um dos motoqueiros cuida da redação do material que será reunido em livro: o senador Teotônio Vilela Filho (AL), presidente nacional do PSDB.

Família-problema
Não bastasse o primeiro-filho aprontar confusões em viagens aéreas internacionais, o PDT até hoje pergunta o que foi feito com a anulação da nomeação de Luciana Cardoso, filha de FHC, para o cargo de secretária-adjunta do gabinete do secretário-geral da Presidência. Em julho do ano passado, a juíza Lana Lígia Galati deu ganho de causa a uma ação popular e anulou a nomeação da bióloga, alegando que feriu o princípio de moralidade pública, previsto no artigo 37 da Constituição. O Palácio do Planalto entrou com recurso no Tribunal Regional Federal.

Amor único
Noite agitada esta semana, numa mansão do litoral fluminense, juntou mais uma vez o galã do momento e um banqueiro apaixonado.
Os olhos, claros, encontraram-se em processo de ardente paixão, apesar da barreira da idade. O amor é lindo.

O nome do pai
Há quatro anos a auxiliar de escritório Gilmara Xavier Duarte (a cantora ‘‘Tamara’’, da noite brasiliense), de 23 anos, tenta conseguir que o deputado Wigberto Tartuce (PTB-DF), atual secretário do Trabalho do governo de Brasília, pague pensão para seu filho Luan Henrique Xavier Duarte, de 4 anos. Em julho de 99, um exame de DNA provou que ele é mesmo o pai de Luan, mas agora a briga é outra: desde o reconhecimento de paternidade, na 5ª Vara da Família (processo 24070/96), ‘‘Vigão’’ – esforçado beque nas peladas de ‘‘futebol society’’ que organiza na sua mansão, em Brasília – dribla os oficiais de Justiça.

Cuidado, Moreira
Amigos do ex-governador Moreira Franco estão preocupados. No dia em que Maradona dava entrada num hospital em Punta del Este, no Uruguai, ele desmaiou no banheiro de sua elegante residência, no Rio de Janeiro.

Traição nada inocente
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira (PE), anda tão desgastado que já não consegue liderar nem a própria bancada pefelista de Pernambuco. A rigor, ele só controla o seu próprio voto e o do correligionário Toni Gel. Ele se queixa da ‘‘traição’’ de Ricardo Fiúza, a quem entregou a relatoria do importante projeto do novo Código Civil, e do deputado Joaquim Francisco, feito presidente da comissão especial que examina o projeto de Responsabilidade Fiscal.

Ligações perigosas
A governadora Roseana Sarney (MA), o agenciador de pistoleiros Joaquim Lauristo, os deputados estaduais cassados Francisco Caíca e José Gerardo (pilhados pela CPI do Narcotráfico) aparecem, juntos, numa foto impressa aos milhares, pelo PT maranhense.
Para o secretário de Comunicação petista, Márcio Jardim, o panfleto que motivou o processo judicial da governadora contra o partido ‘‘apenas pedia mais rigor nas investigações da CPI’’.

Tesoura covarde
O cabeleireiro que faz as cabeças mais coroadas de Brasília, com nome brasileiro e sobrenome de origem nipônica, pode (ou deveria) ir em cana a qualquer momento: na Delegacia de Mulheres da capital, ele é acusado – em mais de uma ocorrência – de aplicar brutais corretivos em sua mulher, em público e em privado, entre um penteado e outro, inclusive quando ela tinha o filho nos braços.

Parabéns, Brasil
O site www.brasil-outros500.org.br pretende comemorar o aniversário da Descoberta fora dos padrões oficiais do oba-oba. Iniciativa de entidades ligadas ao movimento social, o projeto quer ser um espaço para expressar a verdadeira história, pela perspectiva da população, não de uma ‘‘fatia da sociedade que deu certo’’. Documentos, imagens, textos e depoimentos vão contar a luta do negro, do imigrante e dos índios.

O PODER SEM PUDOR

No paraíso das estatais
Deputado estadual no Espiríto Santo, Berredo de Menezes ficou famoso por suas tiradas inesperadas e, até hoje, é um ícone do folclore político capixaba.
Naqueles tempos em que o Brasil ainda era o paraíso das estatais, Berredo de Menezes passeava pelas ruas de Vitória, no carro oficial da Assembléia, quando o motorista cometeu uma brusca manobra, fazendo um desvio indicado por uma improvisada sinalização.
O deputado não se sobressaltou, apenas leu a placa que alertava para o desvio e comentou com o motorista:
– Engraçado, conheço tudo que é repartição oficial, Petrobrás, Eletrobrás, Telebrás ... mas nunca tinha ouvido falar nessa tal de Emobrás.
No desvio, a placa de advertência anunciava: em obras.