‘‘Garotinho acha que pode botar o partido debaixo do braço’’
(De Leonel Brizola sobre a ‘‘linha personalista’’ do governador do Rio, que apóia Benedita da Silva para a prefeitura)

Coração siberiano
O caso vem indignando a sociedade paulistana, mesmo a quatrocentona.
O mordomo de um rico banqueiro paulista, no emprego há mais de vinte anos, foi demitido e expulso após sofrer um violento derrame cerebral. Não tinha sequer seguro-saúde. Os vizinhos, condoídos, ratearam o tratamento e até a compra de uma cadeira de rodas para o velho empregado. Um vizinho, incrédulo, pediu ao banqueiro a sua parte na vaquinha, mas ele alegou que estava sem cheques.
O vizinho reagiu com elegância cortante:
- De fato, o sr. deve ter muitas dificuldades para obter talões de cheque.
O patrão desalmado pertence à família Setúbal, dona do Banco Itaú.

Novo assédio
FHC voltou a reiterar apelo ao amigo ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, para aceitar o lugar de Élcio Álvares no Ministério da Defesa. Mais um pouco e Jobim aceita.

Abra a gaveta, ministro
O ministro José Serra aparentemente ainda não sabe, mas na segunda gaveta de seu birô há um projeto que adormece há dois anos.
Trata-se da proposta de um programa de prevenção de saúde bucal, elaborada pela Fundação Nacional de Saúde.
Como ele excluiu do SUS o atendimento odontológico, o projeto da Funasa certamente seria muito útil.

De volta para o futuro
A saúde no Brasil anda para a frente, como os caranguejos.
Há exatamente um século, uma epidemia de febre amarela matava centenas de pessoas no Rio de Janeiro, devido às péssimas condições de higiene e pobreza. A doença era transmitida pelo stegomyia fasciata, hoje conhecido como aedes aegypti. O mesmo mosquito que vem transmitindo febre amarela em todo o País, às portas do século XXI.
O nunca demais lembrado médico Oswaldo Cruz criou as brigadas antimosquito, que foram então motivo de piada nos jornais. Os mesmos mata-mosquitos que o ministro José Serra, cem anos depois, eliminou de um só tapa, em nome da globalização.

Serjão vive?
No próximo dia 25, às 19 horas, o finado Serjão terá sua memória avaliada em Brasília. Vai ser lançado no restaurante Carpe Diem o livro ‘‘Sérgio Motta - O Trator em Ação’’ (Geração, SP, 500 páginas, R$ 35). Lá estarão os autores Nirlando Beirão e José Prata, ex-assessor e sócio de Serjão. Não se sabe se o tucanato vai estar presente em peso.
Em São Paulo, quando o livro foi lançado no Museu da Casa Brasileira, quase mil pessoas compareceram.

O número 200
José Mário Pereira, da Top Books, jovem e talentoso editor da mesma estirpe de Ênio Silveira, Othales Marcondes e Pedro Paulo de Sena Madureira, comemora o 200º livro editado de sua lavra.

Tacape explícito
O Rio de Janeiro enviou ao mundo, neste domingo, imagens que valem mais que mil palavras: uma mulher sendo humilhada diante das câmeras, porque estava de topless numa praia distante, de pouco movimento. Junto com o marido, ela foi algemada por ‘‘desacato’’ à autoridade, no caso cerca de 20 PMs fortemente armados, que pelo visto não tinham mais o que fazer no domingo ensolarado.

Exagerado...
Nesta segunda-feira, o governador do Rio chamou de ‘‘exagero’’ a atitude dos policiais que usaram até fuzis para deter a banhista deitada de bruços sem a parte de cima do biquíni. Creditou a alguém agredido ou incomodado com a visão na praia, que chamou a polícia. E a gente pensado que tudo aconteceu porque o governador é um Garotinho e não deve ver essas coisas ou por ser evangélico isso deve ser pecado...

O amor é lindo
Chama-se Joyce a simpática senhora de cabelos curtos e castanhos que posou para fotos ao lado do supersecretário mineiro Henrique Hargreaves, em clima de olho-no-olho, quando o homem forte do governador Itamar Franco circulou na região afetada pelas enchentes, em Itajubá e Pouso Alegre. Nas fotos – realizadas um pouco antes do mal-estar do secretário – aparecem copos de bebidas sobre a mesa.
O casal certamente não comemorava a tragédia do Sul de Minas.

Pensando bem...
...a antiga expressão ‘‘advogado de porta de xadrez’’ se transformou no Rio em ‘‘advogado de dentro do xadrez’’...

Mais violência
Circulam na Internet denúncias sobre a estatística da violência no Estado do Rio. Os dados estão sendo manipulados e, segundo a denúncia, só devem ser considerados aqueles apurados pela USP e pela Universidade Federal Fluminense. Nesse contexto destaca-se a premiação das PMs. Em agosto de 99, o 27º Batalhão ficou em terceiro lugar em desempenho, mas como havia interesse político, foi premiado o 20º BPM. O 7º BPM foi premiado duas vezes sem merecer.

Segurando o homem
O governador do Acre, Jorge Viana, tem poder: enquadrou o ex-deputado Hilbebrando Pascoal, cortando o alcance da motossera.
Pelo menos por enquanto, o coronel perderá alguns privilégios na cadeia: serão controladas as visitas e as continências no quartel da PM, em Rio Branco. Hildebrando ficará junto com o segurança Alexandre Alves da Silva, irmão do deputado José Aleksandro, do PFL. Questão de afinidade, sabe como é. Alexandre, o Nim, teria mandado matar um policial, seguindo ordens do colega de cela.

Parabéns para você
Leonel Brizola comemora 78 anos e, só para contrariar o Garotinho, aproveita para mostrar que prefeito velho é que dá bom caldo.
Lança sua candidatura à prefeitura do Rio dia 29, numa festança num clube na zona oeste carioca, apesar de toda a conversa mole de que não existe nada de oficial no PDT e que nomes ainda estão sendo discutidos.
Que nomes, Leonel?

O PODER SEM PUDOR

História de pescador
Candidato a governador de São Paulo, Ademar de Barros viajava em campanha para governador, em 1962, quando se aproximou da cidade de Porto Ferreira. Na estrada, viu um grupo de pescadores na beira do rio. Como tinha tempo, deu uma paradinha e puxou conversa:
- Bom dia, senhores! Como está a pescaria hoje?
- Não está muito bom, doutor Ademar, só conseguimos peixes pequenos.
Ele se empolgou e decidiu matar as saudades de pescaria. Pediu um caniço e, em poucos minutos, fisgou um bagre enorme. Seus assessores comemoraram a técnica e a perspicácia do chefe.
Um dos pescadores desabafou, desolado com a própria sorte e incomodado com a bajulação dos assessores de Ademar:
- O doutor tem puxa-saco até debaixo d’água...

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