‘‘Haverá um retrocesso inaceitável’’
(De Alfredo Assis Gonçalves, conselheiro federal da OAB, sobre as alterações no Código Civil)

Por que Sulivan morreu
Um gás paralisante disparado acidentalmente pode ter causado a queda do bimotor Seneca e a morte do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Sulivan Silvestre, em fevereiro do ano passado. O gás estava em poder dos dois seguranças que se encontravam a bordo do avião, também mortos no acidente. Cápsulas do gás foram encontradas nos destroços e junto ao corpo do segurança que ocupava o lugar do co-piloto, na cabine, quando a aeronave caiu. O gás teria provocado parada cardíaca no piloto, que perdeu o controle do avião, que se espatifou no solo minutos antes do pouso, em Goiânia.

Estranho silêncio
Até hoje não se conhece a conclusão das investigações oficiais sobre as causas do acidente que matou o presidente da Funai em fevereiro de 99.
O Departamento de Aviação Civil, responsável pela primeira parte da investigação, informou apenas que concluiu o seu trabalho em julho. Mas não diz, fiel à habitual política de não dar satisfações aos contribuintes que o sustentam. As conclusões do DAC foram encaminhadas ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa), responsável pela elaboração do relatório final, mas tudo permanece como autêntica caixa-preta.

Beiço na Paraíba
O governo da Paraíba encerra o ano encalacrado em dívidas que somam R$ 357,3 milhões – valor que corresponde ao triplo da arrecadação do Estado. O beiço atinge fornecedores e os municípios com os quais o governador José Maranhão assinou convênios.

Projeto sem graça
Ainda não caiu a ficha, mas o governo nem quer saber do projeto de Chico Anysio para que personagens da Escolinha do Professor Raimundo divulguem as ações governamentais nas áreas de educação, saúde, prevenção de acidentes e cidadania, com verbas do Fundo Rodoviário e dos endinheirados ministérios da Educação e da Saúde. Orçado em R$ 18 milhões, o projeto ‘‘Lições do Professor Raimundo’’ prevê a distribuição de cartilhas e até merchandising no programa ‘‘Zorra Total’’, da TV Globo. Para não melindrar o artista, o ministro Andrea Matarazzo (Comunicação Social) ainda não deu um ‘‘não peremptório’’.

Tunga no Tesouro
São mais vantajosas do que se supõe as relações entre o governador oposicionista Anthony Garotinho, do Rio, com o governo FHC, que até superfaturou o cálculo dos royalties do petróleo só para ajudar o pedetista a amortizar a dívida do Estado. Segundo a Associação dos Engenheiros da Petrobrás, dentre outras irregularidades, a Agência Nacional de Petróleo calculou os royalties com base em 10% da produção, quando a lei determina 5%, porque a área de exploração (Bacia de Campos) é considerada de alto risco.

Por que sonha Brindeiro
O procurador-geral da República Geraldo Brindeiro defende com unhas e dentes a posição do Palácio do Planalto na reforma do Judiciário. Há uma explicação: ele sonha com a indicação de FHC para substituir ao ministro Octávio Gallotti, no Supremo Tribunal Federal, em outubro de 2000. Como sabe que o apoio do primo Marco Maciel não é suficiente, até lá, Brindeiro fará de tudo para agradar FHC.

Guerra aos cães
O deputado César Lacerda (PTB), de Brasília, que vai acompanhar o inquérito sobre o assassinato do garoto Rafael Silva, de sete anos, estraçalhado pelos três cães da chácara do ministro Pimenta da Veiga (Comunicações), onde residem sua ex-mulher e filhos, teve vetado seu projeto propondo a esterilização de cães rottweiler e pit bull. Mas ele não desiste de punir os donos dos cães ferozes e até os próprios animais. Outro projeto seu prevê a eliminação dos cães agressores, independente de raça, e daqueles encontrados sem coleira e focinheira.

A rainha e os pelados
Nem os ingleses acreditaram. A rainha Elisabeth, o príncipe Philip e o arcebispo da Cantuária assistiram numa boa o espetáculo do casal de bailarinos praticamente pelados, simulando um dueto erótico em pleno ar no sensacional Dome, em Londres. Foi logo depois da meia-noite, fazia um frio de rachar mas frio na espinha mesmo foi ouvir dez mil pessoas cantando ‘‘All you need is love’’, dos Beatles, escolhida a canção-símbolo do século na Inglaterra.

Gastança em Alagoas
A notícia não foi exatamente uma surpresa para o Ministério da Fazenda, mas um assessor que se senta à direita de deus-pai, Pedro Malan, avisou que agora o socialista Ronaldo Lessa, governador de Alagoas, terá dificuldades adicionais para arrancar algum do Tesouro Nacional. Lessa acaba de criar três dispendiosas secretarias, só para acalmar a oposição indócil. O Estado está quebrado e não consegue sequer cumprir suas obrigações com a folha de pagamento.

Tiro pela culatra
O presidente em exercício da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Cláudio Baldino Maciel, não acredita que o projeto do senador Paulo Souto (PFL-BA), que confere ao Supremo Tribunal Federal competência para julgar magistrados por crime de responsabilidade, seja capaz de agilizar as punições. Ele alerta que a idéia do relator da CPI do Judiciário pode resultar em demora ainda maior, já que o Supremo está sabidamente abarrotado de processos.

O substituto de Tiradentes
O romance histórico do piauiense Assis Brasil, ‘‘Tiradentes – Poder oculto o livrou da forca’’ (Imago, SP, 464 pp., R$ 39) promete causar polêmica entre historiadores e interessados no assunto, na medida em que despe o mártir da Independência de sua auréola. É o terceiro volume da coleção ‘‘Brasil 500 anos – Das Origens à República’’, da Imago Editora.

Hasta la vista
Há um certo alívio do corpo diplomático em Brasília. O embaixador argentino, Jorge Hugo Herrera, está de malas prontas nem ele sabe para onde. Mas vai. O presidente Fernando De La Rúa acha que precisa de alguém mais querido e com senso de oportunidade mais acurado, para representá-lo junto ao governo FHC.

O PODER SEM PUDOR

Só à vista
Recém-empossado prefeito de Juazeiro do Norte (CE), Mozart Cardoso interessou-se por um enorme terreno da diocese local. Foi ao Crato falar com dom Vicente de Araújo e garantiu que quando recebesse a escritura, pagaria à vista. O bispo fechou a negociação na hora. O deputado Adauto Bezerra ficou alarmado e cochichou ao ouvido de Mozart:
– Pelo amor de Deus, prefeito, o senhor sabe que o município não tem dinheiro para pagar tudo isso à vista...
ᖠNão se preocupe. Eu vou juntando, vou juntando, e assim que tiver com todo o dinheiro, eu pago à vista...

mockup