‘‘FHC deveria ser fuzilado’’
(Do deputado e militar Jair Bolsonaro, do Rio, em declaração que o fará responder a sindicância da Câmara dos Deputados)

Desemprego na fartura
Após arrematar a estatal Telebrasília a preço de banana, em julho de 98, a Tele Centro-Oeste já demitiu – só no DF e no setor de telefonia fixa – exatos 700 funcionários. Até março de 2000, ela vai mandar embora 800 dos 1.500 que ainda restam, mesmo tendo registrado aumento de 11,9% em sua receita líquida de 99, atingindo recordes R$ 362,5 milhões. Segundo o sindicato dos trabalhadores do setor (Sintel), apenas nos últimos dois dias (28 e 29 de dezembro), foram demitidos 40 pais de família na empresa controlada pelo Banco Opportunity, Itália Telecom e fundos de pensão.

Barros contra lama
Paulo Maluf jogou a toalha: temendo um vexame, por causa de seu aval a Celso Pitta (‘‘se ele não for bom prefeito, não votem mais em mim’’, declarou, solene), não será mesmo candidato à prefeitura paulistana.
O ex-prefeito articula o lançamento de Reynaldo de Barros, seu fiel escudeiro, a quem apoiará integralmente com a condição de ocupar o espaço que for necessário para a sua defesa. Maluf acha que será novamente alvo da lama atirada pelos adversários.

Impostos no ar
Uma das empresas paranaenses autuadas pela Receita Federal por sonegação de impostos, na exportação de mogno, tem um nome que é uma viagem: Transbrasil Comércio e Exportação de Madeira.

Bug no peito
Só faltava essa. Portadores de marca-passo temem perder o compasso cardíaco na virada do ano. Os médicos alertam que como o equipamento funciona com baterias e não é programado como computadores, não há perigo de o coração parar de bater à meia-noite de 31.

Aires buenos
Na Argentina, foram os consumidores que exigiram a interrupção dos vôos pouco antes do Réveillon. Segundo a Rede CNN, a Associação de Usuários de Linhas Aéreas entrou na Justiça por precaução, devido ao grande número de acidentes com empresas aéreas locais.
Apesar de se dizerem preparadas para o bug, as autoridades tiveram a mesma idéia dos passageiros: cancelaram os vôos a partir das 20h30 deste dia 31. No Brasil, até agora, só 37% dos vôos foram cancelados.

Dica de livro
Quem pensa que os portugueses foram os primeiros a descobrir o Brasil, que o ouro de Minas ficou em Portugal e que fomos os mocinhos na Guerra do Paraguai, deve ler, neste feriadão, o esclarecedor ‘‘Ensaio Geral - 500 Anos de Brasil’’ (Ibep-SP, 224 páginas, R$ 15), livro do jornalista e historiador Heródoto Barbeiro e da professora Bruna Cantele.

Fernandinho ao vivo
Tudo pronto para ‘‘o telefonema do milênio’’ na Assembléia Legislativa de Minas, nesta segunda. É quando um possível Fernandinho Beira-Mar vai ligar de novo e falar, às 14 horas, com o deputado Paulo Piau, da CPI do Narcotráfico. Os demais parlamentares ouvirão num viva-voz o que o suposto chefão do tráfico tem a dizer sobre sua rendosa atividade e a fuga da cadeia em Belo Horizonte.
Até agora, a CPI não pediu à PF para rastrear a ligação, o que parece não estar preocupando nem um pouco o tal Fernandinho.

É trote
Para o advogado do poderoso chefão das drogas, os deputados da CPI em Minas estão pagando o maior mico, porque seu cliente ‘‘não é burro’’ e não marcaria hora e data para terminar apanhado por umas dessas trapaças do destino. Adalberto Lustosa acredita que, embora falando do exterior via satélite, em um celular Iridium, Fernandinho Beira-Mar pode acabar engaiolado pela PF, mas não duvida que tenha sido o próprio quem ligou para um jornal mineiro. O confuso advogado diz que há dois anos Fernandinho não liga para ele, não manda fax nem e-mail, postal...

País das maravilhas
Na sua folga de fim de ano, FHC cantou e sambou na praia. Depois, ainda tirou uma soneca balançando na rede. Bom sinal.
É prova de que o desemprego acabou, o brasileiro está com dinheiro no bolso e a violência foi reduzida a percentuais de primeiro mundo.
O problema foi quando ele despertou da soneca e caiu na real.

Ferramenta política
A jornalista carioca Carla Rodrigues, que foi (excelente) colunista em ‘‘O Dia’’ e hoje é sócia da Network, de jornalismo na Web, passou por uma experiência edificante, na utilização da Internet como ‘‘ferramenta política’’: ela e seus vizinhos, na Barra da Tijuca, isolados pelas chuvas, entupiram com reclamações a caixa de correio eletrônico do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde. Deu certo: os reparos foram realizados.

Ecco...
O tal do bug já está fazendo estrago na Itália. A privatizada empresa Telecom enviou a um jornalista suas contas telefônicas de dezembro e janeiro de... 1900. A empresa se safou porque o prazo de pagamento era 17 de janeiro de 2000, mas o caso virou piada em Roma e motivo de certa ‘‘paura’’ do que vem por aí.

O padre é pop
Honrar compromissos deveria constar entre os dez mandamentos do bom cristão. O padre Marcelo Rossi, arauto da ala mais conservadora da Igreja, deu o bolo no Réveillon da Band e vai pular e cantar para a Globo, com a qual já teria firmado um compromisso antes de se comprometer com a concorrente. O assessor do padre-estrela garantiu que Rossi vai dar uma força à Band depois das badaladas da meia-noite.

Buáááá...
O governo inglês vai gastar US$ 16 milhões para reduzir a gravidez em adolescentes, que abandonam a escola para cuidar dos filhotes.
O índice de jovens mães na Inglaterra é o maior da Europa e o programa inclui, entre outras medidas, arrastar pesados carrinhos de compras pelas ruas e ouvir fitas com bebês abrindo o berreiro, para convencer as meninas de que ser mãe nem sempre é padecer no paraíso.

O PODER SEM PUDOR

Chutando com as duas
Tancredo Neves morto, José Sarney assumiu a Presidência da República com a equipe montada pelo falecido. Mas não faltava quem o exortasse a mudar aquilo, nomeando também auxiliares de sua escolha. Ao receber um grupo de deputados, ouviu de um deles:
- O senhor é o presidente constitucional do Brasil. A Nação está a seu lado. Nomeie quem quiser, todos os escalões. Tem o nosso apoio.
Ele sorriu, compreensivo, e respondeu de forma enigmática:
- Os senhores certamente se lembram do Garrincha.
- Claro presidente. Grande Garrincha...
- Pois bem - continuou Sarney - na Copa de 58, o técnico Vicente Feola chamou Garrincha e sugeriu que ele chutasse com os dois pés. Ele ouviu e respondeu: ‘‘Seu Feola, se eu chutar com os dois pés, eu caio...’’

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