‘‘É urgente colocar um ministro com força política e militar’’
(Do petista José Genoino, pedindo a cabeça do ministro da Defesa, ao criticar o pronunciamento de militares da reserva contra FHC)


Impunidade canina
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, não tem queixas da Polícia de Brasília: continua na estaca zero a apuração do assassinato do garoto Rafael Silva, de 7 anos, cujo corpinho foi estraçalhado pelos três cães em sua chácara, onde residem a ex-mulher e seus filhos. O ministro ou sua ex-mulher podem ser indiciados por homicídio culposo.
Até agora, sequer foi concluído o laudo pericial que indicará se houve ou não negligência dos donos da chácara e dos cães raivosos. E o inquérito só será iniciado após a segunda semana de janeiro.

Caminhando sozinho
No programa de rádio ‘‘Palavra do Presidente’’, FHC propôs uma ‘‘caminhada de solidariedade’’ de todos os brasileiros.
Falou bonito, mas como diz o Zé Simão, ‘‘vai indo, que eu não vou’’.

Inversão tucana
A cúpula pefelista está morrendo de rir da pretensão do ministro da Saúde, José Serra, de ser candidato a presidente tendo como sua vice a governadora do Maranhão, Roseana Sarney.
Seria o primeiro caso de vice com mais votos que o titular.

Prova do crime
Para quem tem alguma dúvida sobre a independência das agências reguladoras, há um vexame institucional no ar: as milionárias campanhas publicitárias da Anatel (telecomunicações) e da Aneel (energia elétrica) são assinadas pelo ‘‘Governo do Brasil’’.
Como esclarecem as leis que as criaram, as agências não pertencem ao governo federal, mas ao Estado brasileiro.

Falando bobagem
Os principais líderes do PT promoveram uma espécie de disputa de mancadas, por ocasião da morte do ex-presidente João Figueiredo.
Lula afirmou que seu governo ‘‘foi uma ditadura’’, incorrendo no mínimo em grosseiro erro de avaliação. Já o senador Eduardo Suplicy (SP), brilhante como uma porta, disse que Figueiredo censurava jornais, ‘‘que traziam receitas de bolo e versos de Camões nos espaços em branco’’. Trocou as bolas: isso foi obra da ditadura do general Garrastazu Médici.
O forte do PT não parece ser grandeza humana. Nem a História.

Presente de grego
O ministro da Justiça, José Carlos Dias, ‘‘muy amigo’’ de Alagoas, quer os sentenciados por narcotráfico de todo o País cumprindo pena no Estado. Seu antecessor, o alagoano Renan Calheiros, começa a achar que se trata de retaliação do desafeto Mário Covas, governador paulista, a quem Dias serve com lealdade de fazer inveja a FHC.
Pelo sim pelo não, a OAB alagoana já protestou através de seu presidente, Humberto Martins: afinal, segundo a lei, os condenados devem cumprir pena nos Estados onde cometeram seus crimes.

Avis rara
Perambulando feito alma penada no Congresso, o deputado Antônio Kandir (PSDB-SP) tenta recolher os cacos da reforma tributária.
Ele fica na deserta Brasília até o final do milênio, tentando vencer as resistências da equipe econômica para a reforma, que – acredita – entrará na pauta ainda na primeira quinzena de janeiro. É ver para crer.

Sem Alberico
Liliane Hermeto, da Construtora Líder, e Dalmir de Jesus, da Guaraná do Brasil, são os novos proprietários do Canal 23, de Belo Horizonte (MG), que pertencia ao jornalista Alberico Souza Cruz e outros dois sócios. Os números da transação não foram divulgados, e já a partir de 5 de janeiro os novos proprietários, que admitem haver outros grupos envolvidos na compra, pretendem definir os novos rumos da TV. Alberico, que investiu com seus parceiros cerca de US$ 5 milhões no Canal 23, hoje dirige o jornalismo na Rede TV!, sucessora da finada TV Manchete.

Fernandinho online
O suposto Fernandinho Beira-Mar que ligou para o deputado Antônio Carlos Andrada, nesta segunda, na Assembléia Legislativa de Minas, sabia direitinho como encontrar o parlamentar: deixou recado e voltou a telefonar na hora certa, 14h30, para o seu celular. Na conversa de dez minutos, o supertraficante negou ligação com o tráfico em Minas. O Bina registrou apenas um monte de zeros. Fernandinho prometeu ligar dia 3 de janeiro, às 14 horas, quando, ao contrário do que muitos jornais divulgam, será possível, sim, rastrear a origem da ligação.

Alô, cidadão
Por falar em TV a cabo, uma perguntinha para o Procom: ‘‘O Globo’’ divulgou o endereço de dois cidadãos que tiveram a idéia de jerico de instalar clandestinamente a Net em suas residências. Os ‘‘gatos’’ foram descobertos através da deduragem anônima, numa espécie de disque-denúncia classe média, que pune e expõe publicamente contribuintes espertinhos, como se fossem perigosos bandidos. Isso pode?

Alô, Bug
O ministério da Defesa, que até nesta quarta testa a capacidade do governo diante do bichinho da virada do ano nos computadores, colocou o telefone 0800-610-600 à disposição do público para tirar dúvidas, das 8 às 18 horas, até quinta. Mas na sexta, 31, o ‘‘Fala Cidadão’’ (sem vírgula mesmo) funcionará sem parar até 1º de janeiro. O serviço também pode ser acessado no endereço www.a2000.gov.br/. Boa sorte, cidadão!

Fronteiras do paraíso
Não vai faltar uísque no Réveillon paraguaio. Mais de 4 mil caixas de uísque Johnnie Walker, avaliadas em US$ 865 mil, sumiram na estrada de Salto do Guaíra e boa parte apareceu na fazenda do brasileiro Ariovaldo Lanconi, em caminhões com placas do Brasil, carregadinhos.
Na fazenda de outro brasileiro, Antônio Tormenta, a Secretaria Antidrogas do Paraguai quer saber para que serve um aviãozinho suspeito com matrícula brasileira, e deu uma batida na ‘‘estancia’’ de Fátima Serrano, viúva de um tal de Vanderley Serrano. Brasileiro, para variar.

O PODER SEM PUDOR

O sequestro do governador
Roberto Magalhães herdou de Marco Maciel a missão de tocar um dos mais importantes projetos do Estado: o Complexo de Suape, uma idéia de que não gostava porque dependia de financiamentos externos. Preferia o que chamava de ‘‘dinheiro azul e branco’’. O responsável por Suape, Eliezer Menezes, começou a ter problemas para negociar empréstimos porque Magalhães, além de não ajudar, falava mal do projeto que sequer conhecia. Menezes decidiu provar sua viabilidade e armou um plano. Preparando-se para visitar obras com outro secretário, o governador tomou um susto quando Eliezer Menezes entrou no carro, sentou-se e fechou a porta. Magalhães foi ríspido:
- O que o senhor está fazendo aqui?
- O senhor pode até me demitir, mas eu vou levá-lo a Suape porque o governador não pode falar mal de um projeto que não conhece.
E pegou a estrada, iniciando um genuíno sequestro. Magalhães viu e se entusiasmou tanto com o Complexo de Suape que se empenhou como poucos na consolidação do projeto de que fala bem até hoje.

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