‘‘A Justiça no Brasil é para os ricos’’
(Do deputado Fernando Ferro, da CPI do Narcotráfico, sobre a decisão do STF favorecendo a ex-assessora do ministro Élcio Álvares))

Madeira sem lei
As garras do Leão da Receita Federal alcançaram 202 empresas exportadoras de mogno, em vários Estados brasileiros, que sonegaram R$ 126 milhões em 1996 e mais R$ 120 milhões em 97.
São 67 empresas do Pará, 48 do Paraná, 33 de Santa Catarina e três do Amazonas. A falcatrua com a exportação da madeira é tão grande que as autoridades estão suspeitando de lavagem de dinheiro do narcotráfico. Cabeças coroadas do empresariado vão rolar.

Caça às bruxas
A Comissão Naval Brasileira em Washington segue uma pista errada, rastreando telefonemas que seus funcionários fazem na privacidade de suas casas, na tentativa de identificar as fontes desta coluna.
Os funcionários participam de um plano da MCI, que dá acesso a interurbanos mais baratos. A Comissão paga e desconta no fim do mês.
Diplomatas brasileiros em Washington tentam avisar o comandante da Comissão, Paulo Almeida, que isso é crime grave nos EUA e dá cadeia. Lá, a confidencialidade desses dados é protegida por lei federal.

O nome dele é Moreira 2
O atual assessor de FHC foi protagonista de uma das maiores fraudes eleitorais do Brasil, o chamado escândalo Proconsult, quando a computação final dos votos tentou reverter a vitória de Leonel Brizola, em 1982, em favor de Moreira Franco. Nas eleições de 94, anuladas no Rio por fraude, Moreira foi um dos deputados federais ‘‘mais votados’’ e teve o pedido de registro cassado pelo procurador-regional eleitoral, Alcir Molina, que alegou desqualificação moral de Moreira para o mandato.

O nome dele é Moreira 3
O ex-governador do Rio teve que devolver aos cofres do Estado os US$ 230 mil utilizados na impressão de 50 mil exemplares da obra ‘‘Moreira governou para todos’’. Para tanto, viu seu apartamento cinematográfico na Lagoa, zona sul do Rio, ser penhorado por determinação da Justiça depois de vários recursos em vão.

O nome dele é Miguelzinho
Em 1995, houve 110 sequestros no Rio. Segundo a polícia, em pelo menos dez deles esteve envolvido Miguel Alves da Silva Neto, o Miguelzinho Copa, que pôs a boca no trombone envolvendo o assessor de FHC e seu personal trainer, o Nazareno.

O nome dele era Nazareno
Quando personal trainer ainda não era moda, Nazareno Barbosa Tavares, professor de educação física do Fluminense do Rio, ajudou a manter a forma do presidente João Figueiredo e depois a do deputado Moreira Franco. Com eles aparecia nos jornais e foi assessor do irmão de Moreira, Nélson, ex-secretário de Habitação no governo do maninho.
Condenado a dez anos de prisão pelo sequestro do empresário Roberto Medina, em 1990, Nazareno estava em liberdade condicional quando foi assassinado em seu carro zerinho, placa LAU-6263. Integrante do Comando Vermelho, o finado pretendia escrever um livro denunciando o envolvimento dos políticos e empresários em crimes diversos.


A demissão de Solange Antunes do Ministério da Defesa foi comemorada discretamente na própria casa do ministro Élcio Álvares. Sua esposa, dona Irene, nunca escondeu a amigos que já não suportava a humilhação de dividir o mesmo teto com o marido e sua sócia.

Inocêncio na mira
O sequestrador Miguel Alves da Silva Neto revelou no Recife que uma das próximas vítimas da quadrilha era o líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira (PE). O deputado acha que os bandidos passaram a considerá-lo rico após reportagem em que uma revista semanal mostra sua condição de homem bem sucedido, posando à beira da piscina.
Moral da história: revista que mostra a intimidade dos poderosos, para sequestrador é cardápio.


O ministro gargalha
O ‘‘Correio Braziliense’’ desta quarta publica uma foto do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, às gargalhadas.
Trata-se do flagrante de uma reunião, em seu gabinete, menos de 24 horas depois que Rafael, de apenas 7 anos de idade, ter sido assassinado e seu corpo estraçalhado por três cães, numa chácara de sua propriedade, onde residem a ex-mulher e seus filhos.
Não parece nem um pouco preocupado com a possibilidade de alguém, naquela chácara, ser julgado por homicídio (culposo, no mínimo).

Voar é com os pássaros
Existe alguma coisa no Brasil além dos aviões de carreira. Pierre Jeanniot, diretor da Iata, a associação internacional de transporte aéreo, diz que recebeu relatórios completos de manutenção de equipamentos, medidas de emergência e controle de tráfego dos associados, entre eles a Varig, Vasp e TAM. Muitas empresas internacionais, como a British Airways, cancelaram os vôos na noite de 31 por falta de passageiros. No Brasil, cancelaram os passageiros por falta de vôos.

... e com os morcegos
Pelo visto, serão eles os únicos a continuar voando na virada do milênio brasileiro.

Saturação acadêmica
O resultado do Provão preocupa o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Reginaldo de Castro. Para ele, isso comprova o estrago causado pelo excesso de cursos jurídicos no país.
No Distrito Federal, das dez faculdades de Direito, apenas uma recebeu a nota A, mas nem todas foram avaliadas. Reginaldo de Castro espera que o MEC tome medidas concretas para evitar a deterioriação do ensino jurídico no País. ‘‘Não basta avaliar e revelar mazelas’’, critica.

O PODER SEM PUDOR

Uma coisa de cada vez
Faz parte do anedotário político de Brasília a capacidade de o presidente Fernando Henrique mudar de opinião segundo os interlocutores.
Com uma turbina em chamas, o velho ‘‘Lixão’’ (o Boeing 707 da FAB reserva do ‘‘Sucatão’’), com o vice-presidente Marco Maciel a bordo, foi obrigado a um pouso de emergência em Amsterdã.
Nos dias seguintes ao susto, o episódio ainda rendia conversas e piadas, Num almoço do Clube da Aeronáutica, às gargalhadas, FHC disse ao então comandante da FAB, brigadeiro Walter Werner Brauer:
- O Maciel é frouxo, brigadeiro; eu, não!
Brauer explicava que o ‘‘Sucatão’’ era seguro, tinha boa manutenção, e lembrou os US$ 2 milhões gastos na sua última reforma. FHC assentiu:
- Claro! Se os senhores acham que é um avião é seguro, vamos continuar com ele. Eu mesmo acho um ótimo avião.
Menos de 24 horas depois, o Palácio do Planalto mandou Brauer anunciar a aposentadoria do ‘‘Sucatão’’.

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