Cláudio Humberto (De Brasília)
Tinha aval para colocar a cocaína no Rio, mas preferi o sequestro
(De Miguel Alves da Silva Neto, o Miguelzinho Copa, à Folha de Pernambuco)
O nome dele é Moreira
A CPI do Narcotráfico chega finalmente ao Palácio do Planalto: o traficante Miguel Alves da Silva, preso no Recife pelo sequestro de um megaempresário de transporte coletivo, revelou à Polícia que participou de vários crimes semelhantes, no Rio, cujos resgates foram usados para financiar campanhas eleitorais. Ele citou dois vereadores de Niterói, incluindo um ex-presidente da Câmara Municipal, e o ex-governador Moreira Franco, atual assessor de FHC. O contato com Moreira seria Nazareno, personal trainer e suposto testa-de-ferro do ex-governador.
Peixe grande é isso aí
O sequestrador Miguel Alves da Silva disse no Recife que contará tudo à CPI do Narcotráfico, desde que garantam a segurança de sua família.
Ele envolve autoridades como o ex-governador Moreira Franco, assessor do presidente da República com gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto, e conta que traficantes e o Comando Vermelho estavam por trás das ações de sequestro, no Rio, que favoreciam os políticos.
Agora a CPI tem uma excelente oportunidade de mostrar sua valentia.
FHC virou refém?
Nesta terça, desafetos de Moreira Franco no governo federal já chamavam o Palácio do Planalto de cativeiro, numa singela homenagem ao suposto envolvimento do ex-governador em sequestros, no Rio, e em memória do discurso de re-posse de FHC, quando disse não pretender ser refém da crise.
Que governo!
FHC não pode se queixar de monotonia.
Já teve ministro acusado de envolvimento com a máfia dos bingos, no setor de Esportes e Turismo, ministro denunciado por chefiar a máfia dos precatórios, na área de Transportes, e ministro responsável pela Defesa nacional suspeito de envolvimento com o crime organizado.
Só faltava alguém ser ligado ao narcotráfico e à indústria de sequestros.
Faltava.
A mesma pessoa
É mais próximo do que se supõe o relacionamento entre a advogada Solange Antunes, investigada pela CPI do Narcotráfico, e seu ex-chefe e sócio Élcio Álvares, ministro da Defesa.
Ambos moram na mesma casa, em Brasília.
Carimbo de culpa
No Planalto (e na torcida do Flamengo) soou como confissão de culpa a atitude da amiga do ministro da Defesa de impedir judicialmente a quebra do seu sigilo bancário, pela CPI do Narcotráfico.
Quando o brigadeiro Walter Werner Brauer falou em reputação ilibada quis dizer, certamente, que a quebra do sigilo bancário de Solange Antunes, e até do próprio ministro Élcio Álvares, deveria ter sido feita por sua própria iniciativa, até para demonstrar inocência.
Leão ri à toa
Everardo Maciel tem motivos de sobra para comemorar: em dezembro, a arrecadação de impostos possibilitará um superávit superior a R$ 1 bilhão e o ano fecha com um aumento de R$ 12 bilhões na receita.
Quando Maciel tomou posse na Receita Federal, em 95, o governo arrecadava R$ 72 bilhões. Pulou para R$ 142 bilhões em 99.
Nada a temer
Sérgio Naya disse que morria de medo de ir para o Rio de Janeiro.
Curioso. Não se tem notícia de que sua empresa, a Sersan, tenha construído cadeias na cidade.
Deus castiga
Depois de tanta pregação pelo País, o governador do Rio, Anthony Garotinho, anunciou oficialmente ao PDT que não será candidato à Presidência.
Mas ninguém acredita na mais recente lorota do ex-governador.
Serra contra Scolari
O ministro da Saúde, José Serra, que já brigou com Xuxa e meio mundo, resolveu disparar telefonemas para conselheiros do Palmeiras pedindo a cabeça do técnico Luiz Felipe Scolari, com quem também já trombou. Serra ficou inconformado com o empate do seu time com o Flamengo, nesta segunda, valendo o título da Copa Mercosul, e acha que a culpa é de Felipão. O técnico, por sua vez, já disse o que pensa do estado da Saúde no Brasil. E sua opinião não é nada lisonjeira.
Público e privado
Para a reflexão do ministro Pimenta da Veiga, auto-intitulado parlamentarista roxo, em cuja chácara um garotinho de 7 anos foi estraçalhado por três cães-feras pertencentes à sua ex-mulher: nos regimes parlamentaristas, casos como este resultam na imediata demissão do ministro, mesmo não envolvendo questões de governo.
Mas, no Brasil, parlamentarismo no governo dos outros é refresco.
O rei na barriga
No lançamento do livro Coitadinhos e Malandrões, do jornalista Ricardo Kotscho, na Cervejaria Continental, em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva deu uma de malandrão: furou a fila, não cumprimentou a maioria dos presentes, conseguiu a dedicatória do amigo e ex-assessor de imprensa e foi embora, sob os olhares de reprovação da maioria petista.
Imagine se o homem fosse eleito presidente da República.
A mãe é uma mala
Sexta-feira, na bela mansão paulistana do empresário Luiz Osvaldo Pastore, num almoço de fim de ano com a presença de intelectuais, artistas, políticos e empresários, pontificava a candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy. Um empresário malufista presente, entre Fafá de Belém e Naji Nahas, lançou uma instigante observação: Olhem ali o Supla, filho da Marta. Ele é muitíssimo mais simpático que ela, e nem assim se elegeria prefeito de São Paulo.
O PODER SEM PUDOR
Sem aviso prévio
Interventor no Pará, Magalhães Barata era imprevisível.
Entrava no automóvel e, sem qualquer prévio aviso, fazia visitas de surpresa nas repartições e às obras em andamento.
Certo dia, ele foi à cidade de Capanema, onde, além de algumas irregularidades, não encontrou o prefeito em seu local de trabalho.
Quando soube que o general interventor estava na cidade, o prefeito Antônio Neves foi ao seu encontro, onde chegou esbaforido:
- Boa tarde, senhor interventor!
- Boa tarde. Quem é o senhor?
- O prefeito.
- Foi-o!
Assim Neves soube que havia sido demitido.





