‘‘As Forças Armadas, principalmente a Força Aérea, foram enxovalhadas’’
(Do brigadeiro Murilo Santos, do Clube da Aeronáutica, sobre a demissão do comandante da FAB, Walter Werner Brauer)

A vez do Exército
Pode estourar no Exército a próxima crise no Ministério da Defesa. A primeira resultou na demissão do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Walter Brauer, que recomendou ‘‘reputação ilibada’’ para quem exerce função pública. Agora, oficiais do Alto Comando do Exército estão indignados com a informação da ligação entre Dório Antunes, sócio do ministro Élcio Álvares num escritório de advocacia e irmão (e também sócio) da ex-assessora especialíssima Solange Antunes – e o advogado Cláudio Guerra. Em 89, ele foi condenado pela 2ª Auditoria Militar a quatro anos e meio de prisão por roubo e comercialização de armas do Exército.
Mais do que advogado, Dório declarou aos jornais, neste final de semana, que se considera um ‘‘irmão’’ de Guerra.

Estrelas que sobem
Com a queda da influente Solange Antunes Rezende, assessora e sócia do ministro Élcio Álvares, duas estrelas sobem: o chefe de gabinete Laércio Machado e o major-brigadeiro Astor Nina Carvalho, diretor da área internacional do Ministério da Defesa.
Irmão do ex-deputado João Faustino (RN), Astor é tido pelos próprios colegas como um dos militares mais bem preparados da Aeronáutica, além de ser muito bem articulado politicamente.

Denúncia confirmada
José Maranhão, governador da Paraíba, confirma por carta a veracidade da revelação desta coluna de que empregou em sua fazenda, no Piauí, o capataz Natanael Cruz Filho, foragido da Justiça paraibana.
O governador alega que o acusado ‘‘é réu primário’’ e que matou ‘‘em legítima defesa’’, mas politiza a resposta atribuindo o fato – gravíssimo – a uma disputa paroquial, a ‘‘uma trama tão sórdida quanto inverídica’’.
Diz que construiu uma vida limpa, sem nódoas. ‘‘Para desolação dos meus adversários, pela vontade de Deus, assim continuará sendo até o derradeiro dos meus dias.’’

A versão e o fato 1
O governador José Maranhão diz que seu capataz, ‘‘enquanto trabalhou’’ na sua fazenda ‘‘aguardava em liberdade a decisão da Justiça’’.
Não é verdade. A decretação de sua prisão preventiva, o mandado de prisão expedido pelo juiz da comarca de Belém (PB) e o despacho do oficial de Justiça atestando a fuga, desmentem o governador. Natanael, seu ex-empregado, era mesmo um fora-da-lei.

A versão e o fato 2
Maranhão afirma que a fazenda ‘‘vem sendo administrada há décadas pelo pai do acusado e sua simples presença no ambiente familiar (...) não pode ser entendida como acobertamento ilegal’’. Também não é verdade: Nadinha, pai do foragido, jamais administrou a Fazenda Canorte, no Piauí, onde Natanel se homiziou, mas em outra propriedade, Carnaúba, localizada em Tacima (PB), onde aliás é vereador.

Fatalidade e crime
Rafael tinha apenas 7 anos e chegou domingo de Caxias (MA), para passar o fim de ano com a mãe. Nesta segunda, ele estava com o padrinho, caseiro de uma chácara na QI 19 do Lago Sul, em Brasília, e, brincando, resolveu esgueirar-se para a chácara vizinha. Dois cães rotweiller e um dobermann atacaram-no ferozmente e o estraçalharam. Seu corpo foi encontrado com mais de 200 ferimentos. A chácara é do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e nela reside sua ex-mulher, a médica Elisabeth Pederneiras da Veiga.

Noutro poleiro
O anúncio do Red Bull, aquela bebida energética que ‘‘te dá aaaaaasas’’, sumiu dos breaks comerciais do ‘‘Jornal Nacional’’ somente alguns dias depois de o próprio jornal anunciar a proibição em todo o País. Mas reapareceu na Net do Dr. Roberto, nos canais Telecine.
Talvez sugerindo uma dose de energia extra para suportar tanta repetição e atraso na programação.

Indo para o brejo
Não bastasse o desmembramento, divulgado nesta coluna, da área onde está o Hotel das Cataratas, arrendado à Varig, agora o próprio Parque Nacional do Iguaçu corre perigo. Segundo o Comitê do Patrimônio Mundial (World Heritage Committee) da Unesco, a fronteira do parque com a Argentina vem sistematicamente sendo agredida pelo sobrevôo constante de helicópteros da empresa brasileira Helisul, prejudicando o ecossistema de toda a região. Para incrementar o turismo está valendo tudo, até abrir estrada dentro da reserva. A fauna local que se dane.

Valeu reclamar
Quem tem boca vai ao coração do Banco do Brasil. A instituição decidiu finalmente ressarcir o correntista Yamil Dutra, funcionário da OAB em Brasília, que teve R$ 10 mil roubados de sua conta há um mês, através do ‘‘home banking’’, conforme revelou esta coluna. Não é o único caso.
Geraldo José Melo Filho perdeu R$ 2,5 mil. Como Yamil, não informou sua senha a ninguém, mas o BB repete a ladainha: ‘‘o sistema é infalível’’. O gerente de Segurança do banco, Edson Lobo, nega invasão de hackers e diz que há ‘‘falta de cuidado’’ dos usuários com as senhas.

Espírito natalino
Taí uma boa idéia para a CPI do Narcotráfico. Enviar cartões de Natal para nossos traficantes locais e internacionais, para ver se eles colaboram abrindo o bico. Segundo a Agência Reuters, 100 mil cartões com Papai Noel, renas e desejos de um próspero ano-novo foram enviados pelo Exército colombiano aos guerrilheiros, simpatizantes e suas famílias, na tentativa de uma trégua.

Nem pensar
Kátia Maranhão nega, com veemência, qualquer tipo de relacionamento com o prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Ela tem namorado e disse que sequer gosta da figura, como político ou como homem.
A fonte da informação, muito ligada ao prefeito, esteve entre os convidados da socialite Marina de Sabrit, há dias, e insiste que havia ‘‘um clima’’ entre os dois. Pelo sim pelo não, a fonte está de quarentena.

O PODER SEM PUDOR

O sumiço do capitão
Gustavo Krause sucedeu a Roberto Magalhães no governo de Pernambuco, quando ele saiu para disputar (e perder) uma vaga de senador, e tinha um ajudante-de-ordens que era alucinado por telefone.
Certo dia, precisou ir a uma reunião no BNDES, no Rio de Janeiro, e o levou. No banco, assim que viu aquele monte de telefones boca-livre, o capitão começou a disparar interurbanos por conta do contribuinte.
A reunião acabaria logo e Krause precisava retornar ao Recife, mas não encontrava o capitão. Para não perder o vôo, o governador foi sozinho para o Galeão e já estava a caminho do avião quando chegou o capitão, esbaforido. Prestou continência e fez a única pergunta que não podia:
- Governador, onde é que o senhor estava?
Krause não o perdoou:
- Espere aí, capitão, essa pergunta é minha: onde é que o senhor estava?
E entrou no avião sem ouvir a resposta.

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