‘‘Se quebraram o meu, quebro o deles para ver se são transparentes como eu’’ (Do deputado José Carlos Gratz, ameaçando o sigilo bancário do presidente da CPI do Narcotráfico, o também capixaba Magno Malta)

Tourinho pisa na jaca
Não convidem para o mesmo pregão o presidente Fernando Henrique e seu ministro de Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, do grupo de ACM.
Logo após a aprovação de projeto do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) na Comissão de Constituição e Justiça, nesta quinta, proibindo a venda de ações da Petrobras, Tourinho disse que o presidente vetaria a decisão.
FHC ficou furioso, como raramente se vê, por considerar a declaração de Tourinho uma provocação ao Senado.

Esquenta a frigideira
O ministro Rodolfo Tourinho, aliás, tem sido severamente criticado pelos assessores do Palácio do Planalto, com a discreta concordância de FHC.
Acusam-no de duas características: arrogância típica de ‘‘amigo de ACM’’ e a fidelidade taurina que devota mais ao babalorixá baiano, que o indicou, do que ao presidente, que o nomeou. ACM está ciente de que um pedido de demissão será aceito alegremente pelo presidente.

Amor, sublime amor
Está esclarecido o escândalo do pagamento antecipado de gordas faturas do DNER ainda por vencer, revelado nesta coluna.
A Nabla Engenharia e Processamento de Dados, de Brasília, recebe por seus serviços na curiosa rubrica ‘‘Desenvolvimento de estudos para restauração de rodovias’’. A chefe do orçamento do DNER é Suzete Leal Mello, que vem a ser mulher do Sr. Bruno Campos.
O maridão é o dono da Nabla. Ela, da grana.

Lições arquivadas
Chico Anysio procurou o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Andrea Matarazzo, e propôs o projeto ‘‘Lições do Professor Raimundo’’. A idéia seria fazer os personagens da ‘‘Escolinha do Professor Raimundo’’ dar lições sobre Educação e Saúde, segundo as ações do governo FHC nessas áreas, através da distribuição de 2 milhões de cartilhas nas 25 capitais brasileiras.
A idéia foi considerada boa, mas o custo a inviabilizou: R$ 18 milhões.

Espelho meu
O Prêmio Esso não é mais aquele. O de Economia deste ano, por exemplo, foi atribuído ao jornal ‘‘O Globo’’ pela reportagem ‘‘Gustavo Franco cai e Francisco Lopes é o novo presidente do BC’’, no dia 13 de janeiro de 1999. A matéria de Jorge Moreno é competente, mas não é um furo: no mesmo dia a ‘‘Folha de S. Paulo’’ publicou informação idêntica.
Mais importante: quatro dias antes, 9 de janeiro, esta coluna antecipou tanto a queda de Franco quanto a nomeação de Lopes. Tsk, tsk.

Em defesa de Edmundo
O botafoguense Agnaldo Timóteo, cantor que é um craque, escreve para ponderar que o jogador Edmundo ‘‘foi mais um que teve a infelicidade de provocar a morte de pessoas através de acidente’’.
Ele lembra que já passou por experiência idêntica e sabe o trabalho que dá provar a própria inocência. E pede: ‘‘Rogo piedade para o consagrado jogador que, se preso for, por certo não terá condições de dar aos seus familiares e dependentes a dignidade de uma vida respeitável’’.

Indefensável
A julgar pelo ensurdecedor silêncio de FHC sobre as acusações contra seu ministro Élcio Alvares, cuja principal assessora teve o sigilo bancário quebrado, já está na hora de mudar a denominação daquele cargo.
Que tal Ministro Sem Defesa?

Caça ao mico
Os micos estão saindo caro para a família Mayrink Veiga, que já caçou raposas com as cabeças coroadas da Europa e tinha um Rolls-Royce em Paris. Depois da matriarca Carmem passar atestado de pobre num anúncio do provedor Aol, foi a vez de o filho, Antenor, ver seu apartamentaço, numa das áreas mais nobres do Rio, ser leiloado por R$ 270 mil. O sogrão de Antenor, o riquíssimo empresário Antônio Barros Leal, nem se coçou para evitar o vexame familiar.

O mistério Safra
A imprensa brasileira não deu mais bola, mas a morte de Edmond Safra continua rendendo muitas dúvidas. A edição européia da revista ‘‘Time’’ desta semana revela que o advogado de Lily Safra, Marc Bonnant, pediu acesso aos arquivos da Polícia de Mônaco. Ele acredita ainda haver muitas contradições na morte trágica do banqueiro, que pagava US$ 600 por dia ao enfermeiro americano, que foi entrevistado pela própria Lily e, nesse caso, teria forjado seu currículo e enganado um dos homens mais vigiados do mundo.

O outro Naya
Podem nem ser parentes, mas alguma coisa eles têm em comum.
O célebre juiz espanhol Baltazar Garzón está louco para botar a mão no argentino Roberto Naya, acusado, entre outros delitos graves, de tortura e genocídio. O Naya de lá é um dos militares que deram sumiço em cidadãos espanhóis durante a chamada Guerra Suja. Mas o governo argentino até agora não aceitou a extradição dos acusados.
Esse Naya portenho está duro de agarrar.

Tá quente
A fronteira do Brasil com o Paraguai está um agito só. Em Ciudad del Leste, a casa de câmbio ‘‘Real’’ (que não se perca pelo nome) ficou desprovida de R$ 160 mil e de um funcionário, levados por um policial paraguaio no Fiat Palio BAB-3060, com outros três ocupantes.
A Polícia brasileira ajuda na busca dos ‘‘elementos’’, que não atendem no celular 0983-672419 do sequestrador. Semana passada, em Capitán Bado, onde estaria refugiado Fernandinho Beira-Mar, encontraram na rua um ‘‘presunto’’ chamado Alcenir de Souza, vulgo Neguinho de Senna.

Só falta Brizola
Leonel Brizola está desolado.
Depois de ver o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), posando todo-sorrisos ao lado de ACM, agora é a vez de outro brizolista histórico, Cristovam Buarque, bajular o presidente do Senado.
O ex-governador do DF entregou a ACM, nesta quinta, um exemplar de seu último livro e elogiou sua ‘‘preocupação com a pobreza’’. Comovente.

O PODER SEM PUDOR

Só se for unânime
Terra do então governador Orestes Quércia, a cidadezinha de Pedregulho (SP) deu 65% dos seus 8 mil votos para o candidato oficial ao governo do Estado, Luiz Antônio Fleury Filho, na eleição de 1990.
O meio político considerou extraordinário o desempenho do quercismo nas urnas de Pedregulho, o que levou um jornalista a marcar entrevista com o pai de Quércia, Seu Octavio, cacique político da cidade.
Mas ao contrário de ouvir declarações triunfantes, o jornalista encontrou o pai do governador muito irritado:
- Blasfêmia! Apenas 65% dos votos? Não consigo acreditar que alguém daqui possa ter votado em outro candidato que não o apoiado por mim!

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