‘‘A cota de sacrifício da indústria tem sido unilateral’’
(Do presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, que não se referiu à ‘‘cota de sacrifício’’ dos trabalhadores, sobretudo os desempregados pela indústria paulista)

Amigo de fé no DNER
A Nabla Engenharia e Processamento de Dados está com tudo e não está prosa. Enquanto milhares de credores do DNER batem às portas do órgão atrás do pagamento de faturas penduradas há meses, o diretor-financeiro interino, Carlos Borges, esmera-se em ser pontual com aquela empresa. Mais que pontual, um amigo-irmão: paga antecipadamente.
Em 29 de junho, por exemplo, a Nabla recebeu R$ 227.020,24, que venceriam em 8 de agosto. E em 20 de julho, recebeu outra parcela do mesmo valor que estaria vencendo oito dias depois.

Pavimentando a estrada
Apesar de a Nabla Engenharia prestar serviço de informática, Carlos Borges fez questão de buscar recursos em outras rubricas e está retirando os recursos de ‘‘Desenvolvimento de Estudos para Restauração de Rodovias’’. A Nabla já recebeu R$ 2.222.774,12 em tão curioso expediente do amigo Borges, aliás um interino eterno.

Anote aí
A Polícia de Brasília está mal. Só ela não sabia o endereço do esconderijo de Sérgio ‘‘Rachadura’’ Naya. Lá vai: QI 13, conjunto 11, no bairro Lago Sul. A vizinhança jura que o viu chegar dois dias antes e sair, pela madrugada, para se entregar.

Alto nível
O que conversariam, na mesma cela, Sérgio ‘‘Demolidor’’ Naya e Hildebrando ‘‘Motosserra’’ Pascoal?

Jogando para a torcida
O procurador-geral da República Geraldo Brindeiro está há um mês sentado sobre o processo da prisão do jogador Edmundo, do Vasco.
O craque chegou a ser preso, mas o Superior Tribunal de Justiça concedeu-lhe liminar, livrando-o da cadeia. Antes de decidir sobre o mérito, o ministro Vicente Leal encaminhou o habeas corpus 10952 para que o Ministério Público Federal emita parecer, como manda a lei.
Já se passou mais de um mês e Brindeiro se finge de morto.

Reunião de líderes
O ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, não pensou duas vezes para aceitar o convite do deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) e comparecer, nesta terça, à reunião de líderes de bancadas aliadas de FHC no gabinete do líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Discutiu-se a estratégia governista para votar a reforma do Judiciário.
O que Jobim fazia lá? Ora, ele é o líder da bancada do governo no STF.

Falando sozinho
O PT, seus dirigentes e militantes ignoraram solenemente o lançamento do livro ‘‘A Segunda Abolição’’ (Paz e Terra, SP), de Cristovam Buarque, nesta terça, em São Paulo. Além dos frequentadores habituais da Livraria Cultura, àquela hora (19 horas), apenas alguns amigos atenderam ao convite de lançamento do livro que é a plataforma do ex-governador petista do DF para a sua candidatura a presidente.

Faltou dignidade
O governo FHC já foi mais altivo. Em 97, reagiu ao oferecimento de uma verba de US$ 600 mil do governo dos Estados Unidos para o combate ao narcotráfico. A mixaria, na verdade uma esmola, foi rejeitada.
Mas, agora, a Secretaria Nacional Antidrogas da Presidência da República aceitou, penhorada, a humilhante doação de dez computadores. Nem a Bolívia ou o Paraguai tolerariam esse insulto.

Bezerra vai à luta
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, pediu ao seu colega da Justiça, como manda a lei, que represente contra os dois deputados estaduais de Sergipe que o acusaram de pretender usar recursos do projeto de transposição do Rio São Francisco ‘‘para eleger uma bancada forte’’. A representação ao Ministério Público Federal é o primeiro passo do processo judicial. Um dos deputados, correligionário de Bezerra, chegou a chamar o ministro de ‘‘banda podre do PMDB’’.

Festa em família
O Procon de Brasília distribuiu nota à imprensa comunicando que o seu expediente desta sexta será apenas até as 11h30, tendo em vista a festa de confraternização de final de ano dos seus funcionários.
Como a diretora Maria Dagmar Bezerra de Moura Freitas trabalha na companhia de dois filhos, uma nora, uma sobrinha e oito primos, eis aí uma autêntica festa de família. A Viúva, encantada, paga o pato.

Timor é aqui
A coisa está tão preta que a ONU já não dá conta dos pedidos de brasileiros se oferecendo para trabalhar no Timor Leste.
São pessoas com nível superior e experiência em suas áreas de atuação, que topam receber apenas uma diária de alimentação e moradia no local designado pelo Serviço de Voluntários.
Salário, nem pensar.

Pensando bem...
...esse detector de mentiras da CPI do Narcotráfico vai valer só para quem responde ou também para quem pergunta?

Moacyr e dois livros
O professor Moacyr de Góis, potiguar radicado no Rio, autografa nesta quinta na Capitania das Artes, em Natal (RN), ‘‘Dois livros de Djalma Maranhão’’, escritos pelo ex-prefeito natalense no seu exílio no Uruguai.
Moacyr foi secretário de Educação entre 60 e 64 e implantou em Natal o programa ‘‘De pé no chão também se aprende a ler’’, na linha da ‘‘Pedagogia do Oprimido’’ de Paulo Freire. Além da própria história, Moacyr tem outros grandes motivos de orgulho: o filho Moacyr, premiado diretor de teatro, e a filha Clara Góis, poeta sensível e talentosa.

O PODER SEM PUDOR

Palavra cumprida
O general Joaquim Cardoso de Magalhães Barata foi interventor de Getúlio Vargas no Pará e fundou uma verdadeira legião de seguidores. O senador Jáder Barbalho (PMDB), por exemplo, é orgulhoso ‘‘baratista’’. Em campanha pelo voto direto, certa vez Magalhães Barata fechou acordo, no interior, com uma líder comunitária que lhe prometeu quinhentos votos em troca de sua nomeação para dirigir a escola local.
Ele arrancou um fio do bigode, colocou-o na mão da mulher e a apertou: ‘‘fechado’’. Eleito, Barata quis cumprir a palavra e mandou nomeá-la, nos termos do acordo. Como o ato demorava a sair, ele exigiu explicações. O secretário de Educação, sensato, ponderou:
- Governador, não fica bem nomear analfabeta para dirigir uma escola...
- Pára de criar confusão, rapaz. Nomeia e aposenta – decretou.

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