‘‘Não houve deterioração do desemprego’’
(Do ministro da Fazenda, Pedro Malan, cujo emprego continua resistindo à deterioração do tempo)

Tenda dos milagres
O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) decidiu mexer num assunto proibido: a irresistível influência do escritório de advocacia do ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, nas cortes de Brasília.
O escritório tem sócios como o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e dele faz parte o filho de Jobim, Alexandre, aliás genro de outro ministro do STF, e ganha causas demais, principalmente as improváveis.
Indignou Rebelo uma sentença que favorece os fraudadores da eleição para a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, quando sumiram 3 mil cédulas eleitorais.

Decisão sob suspeita
O líder do PCdoB na Câmara denuncia que o desembargador Romeu Gonzaga Neiva, do Tribunal de Justiça do DF, voltou atrás de uma decisão reafirmada seis vezes no próprio TJ, ‘‘ao saber que milhões estavam em jogo’’, numa causa patrocinada pelo miraculoso escritório de Jobim. A Associação dos Funcionários do BB cobrava na Justiça o ressarcimento de R$ 25 milhões do seu antigo advogado, que procurou o caminho das pedras: contratou o tal escritório para defendê-lo.
- Trata-se de vergonhosa corrupção! - proclama Rebelo, convicto.

Vida de sacrifício
Ele mora nos Estados Unidos por conta do contribuinte brasileiro, ganha em dólares e faz compras à vontade, sem licitação (até agora, só em 99, foram R$ 113,2 milhões). Ainda assim, o chefe da Comissão do Exército em Washington, coronel Antônio Burgos, coitado, ainda é obrigado a passeios desagradáveis. Em outubro, gozou dez dias em Paris; em novembro, dez dias em Las Vegas, capital da jogatina, certamente a trabalho; em dezembro, dez dias no Brasil, porque ninguém é de ferro.

Onde há fumaça...
O vice-presidente Marco Maciel e sua comitiva levaram um susto a bordo do Boeing 707 que os levou a Amsterdã (Holanda). E puderam comprovar: voar pela FAB é mesmo uma droga.
...há fogo na turbina
Tudo bem que é só aparente o apreço de FHC e do Palácio do Planalto por Marco Maciel, mas não precisava fazer o vice-presidente viajar para a Holanda no ‘‘Lixão’’, o Boeing 707 que é reserva do ‘‘Sucatão’’.

Bug nostro
Os gênios do marketing oficial queriam porque queriam usar a novela ‘‘Terra Nostra’’ para veicular merchandising preventivo, a respeito do tal ‘‘Bug do Milênio’’, sobretudo nas cenas de amor de Giuliana e Matteo, personagens vividos por Ana Paulo Arósio e Tiago Lacerda.
Só a muito custo desistiram da idéia, diante da alegação óbvia: na época em que se passa a história não havia uma coisa chamada computador.

MalufZip
Paulo Maluf circulando na Internet não é notícia. É vírus.

Cinismo legal
Já se sabe quem é réu do caso em que a juíza Nirvana Viana, de Porto Calvo (AL), denunciou juizes, promotores, padres, policiais e fazendeiros pelo envolvimento com prostituição infantil: ela mesma. Nada foi apurado e até agora só a denunciante quem responde a processos, no Judiciário.
Em compensação, ela vai ser agraciada no próximo dia 20 com o prêmio de Direitos Humanos de 1999, a ser entregue por FHC, no Planalto.

Súdito potiguar
O colunista social Jeff Thomas, cidadão britânico nascido em Natal (RN), lança nesta quarta às 19 horas, no Xico’s Bar, na Lagoa, Rio de Janeiro, o seu livro ‘‘Emergente não é gente’’. Vai dar o que falar.

A revolta do embaixador
Às acusações do deputado Moroni Torgan, de que seria o braço direito do ex-ditador Dersi Bouterse no tráfico de drogas no Brasil, o embaixador do Suriname, Rupert Lurence Christopher, respondeu que o presidente da CPI do Narcotráfico é ‘‘mal educado’’ e que para acusar um diplomata em missão no País precisa de provas concretas:
- Ninguém pode se envolver nos problemas do Suriname. Não me meto em questões brasileiras - conclui o embaixador.

O show da vida
Vai faltar plim-plim num determinado programa para ressarcir os danos morais e a vida destruída de um casal no vergonhoso episódio da Escola Base, em São Paulo. Dentro de alguns dias, uma ação vai exigir da emissora R$ 1 real de cada um dos 160 milhões de brasileiros atingidos pelo jornalismo fantástico de certa imprensa brasileira que fatura muito nos breaks comerciais.

É logo ali
Finalmente a CPI do Narcotráfico descobriu o Paraguai.

Alegria, alegria
Ainda ecoam em Brasília os sons da festa de arromba promovida por gente graúda da Sasse Seguros, a seguradora da Caixa, a título de ‘‘confraternização’’ e à conta da Viúva. Foi proibido levar mulher, marido, noiva ou noivo. A noitada acabou numa boate.

Viagem ao passado
O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, fará uma visita à Holanda, em março, cuja utilidade pode até ser discutível mas tem lá o seu charme: na época da invasão holandesa, o Estado foi rebatizado de ‘‘Mauristad’’, até a expulsão dos gringos. Até hoje há quem lamente isso e que discorde da pecha de ‘‘traidor’’ atribuída a Calabar, que preferia os holandeses aos portugueses, como colonizadores.

Casal sociável
O senador Hugo Napoleão (PFL-PI) manda sua agenda para mostrar que ele e a esposa ainda são convidados para eventos sociais em Brasília.
Mulher de temperamento forte, Dona Leda Napoleão sempre externa suas opiniões nos encontros político-sociais de que participa, e alguns colegas do marido já não suportam isso. Nesta terça, o casal esteve na recepção ao primeiro-ministro da Coréia e no jantar de confraternização dos pefelistas Inocêncio de Oliveira (PE) e Heráclito Fortes (PI).

O PODER SEM PUDOR

Faixas polêmicas
Deputada estadual em 1966, Iara Vargas mandou fazer uma faixa formulando votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo. Mandou pendurá-la na entrada do túnel que liga o centro do Rio de Janeiro a Copacabana.
No outro dia, a faixa desapareceu, destruída por ordem do secretário da Justiça, Cotrim Neto, seu adversário.
No dia seguinte, a obstinada parlamentar mandou botar outra faixa, no mesmo local: ‘‘O Dr. Cotrim Neto não quer, mas a deputada Iara Vargas continua a desejar a seus amigos Boas Festas e Feliz Ano Novo’’.
O secretário ficou em dúvida se mandava ou não retirar a faixa outra vez, e a mensagem acabou ficando no local até o ano seguinte.

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