‘‘Menem saiu antes de repor o crescimento. Eu tenho tempo’’
(De FHC, recusando a previsão de que o final de seu governo tão melancólico quanto o do amigo Carlos Menem, na Argentina)

Suspeita omissão
O deputado Aluizio Mercadante (PT-SP) coordena um livreto revelando tudo o que o senador João Alberto (PMDB-MA) omitiu no seu relatório, sobre as investigações da CPI dos Bancos. O resultado é escabroso e, a rigor, merece apreciação da comissão de ética do Senado. O livreto conta, por exemplo, que o Banco Central fez o Banco do Brasil jogar R$ 4,3 bilhões no saco sem fundos do Banco Nacional, entre agosto e outubro de 96, portanto nos três meses anteriores à intervenção do BC, decretada no dia 18 de novembro do mesmo ano. No mesmo período, enquanto o Bradesco realizava lucro de R$ 1,08 bilhão, o generoso BB tinha o maior prejuízo de sua história: R$ 7,6 bilhões.

Antecedentes
Soou como uma bomba, em Brasília, a revelação do deputado Robson Tuma (PFL-SP) de que os nomes do comandante Rolim e da TAM já haviam aparecido na CPI do Narcotráfico antes mesmo de o foragido William Sozza, de Campinas (SP), ligá-los ao caminhoneiro e traficante Jorge Meres, seu antigo lugar-tenente. Mas não há provas.

Boas relações
O novo secretário de governo de Jaime Lerner, no Paraná, José Carlos Gomes de Carvalho, é compadre e foi sócio de Sérgio Buffara, aquele amigo do ministro dos Esportes, Rafael Greca, envolvido até o pescoço no escândalo dos bingos. Dr. Carvalhinho, como é mais conhecido, já andou no Sebrae local, na Secretaria do Trabalho e na Confederação Nacional das Indústrias. Sabe de tudo. Tudo mesmo.

Hienas eles não são
A cena chocou os frequentadores do Restaurante La Torreta, na 402 Sul, em Brasília, sexta-feira passada. Incomodavam as gargalhadas dos ocupantes de uma das mesas e a composição do grupo: quase todo o staff superior do Banco Central, incluindo Teresa Grossi (aquela que foi vetada para a diretoria de Fiscalização do BC) e Luiz Carlos Alvarez, o ex-diretor demitido por falar mal da CPI dos Bancos. Não se sabe de que ou de quem tanto riram, durante horas, enxugando garrafas de vinho fancês. Ignoram-se também o valor da conta e a identidade do pagante. Devem estar protegidos pelo sigilo bancário.

Lobby ambientalista
Manifesto de 189 organizações não-governamentais assegura que as mudanças no Código Florestal, sob exame do Congresso, colocam em risco a integridade da Amazônia. A idéia é reduzir o limite legal para a reserva ambiental em cada propriedade, na região, e eliminar esse tipo de exigência para áreas de até 25 hectares. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, conseguiu postergar a votação do projeto para a próxima legislatura, em março do próximo ano.

Desleixo no MEC
Alguém precisa avisar ao pessoal de comunicação social do Ministério da Educação para atualizar as notícias disponíveis na página do MEC na Internet. A informação mais recente é de 15 de setembro, sobre um debate a respeito da autonomia universitária. Aliás, em matéria de informação, a página do MEC é precária, além de mal-estruturada. Já foi invadida diversas vezes por ‘‘hackers’’, que deixaram lá seu protesto, provando que a página também é falha no quesito segurança.

Censura hilariante
A Justiça, no Piauí, inventou a moda de conceder liminares proibindo os meios de comunicação de citar nomes, empresas e até a municípios sob suspeita de envolvimento com o crime organizado. Isso produz efeitos hilariantes: para conseguir noticiar um grave acidente de trânsito, um jornal do Piauí, ‘‘Diário do Povo’’, mencionou a cidade de Brasileira como ‘‘o município cujo nome é a nacionalidade de quem nasce no Brasil’’.

Deu chabu
O Saci-2 foi literalmente para o espaço.

Pensando bem...
...definitivamente, satélite com o nome de Saci não dá pé.

Entre sem bater
No final de semana, a Ponte da Amizade viveu seus dias de ‘‘Operação França’’, só que falsificada. Agentes da Polícia Federal brasileira invadiram Ciudad del Leste, numa perseguição cinematográfica a um suposto ladrão de automóveis paraguaio, Sérgio Rafael Mareco, que furou o bloqueio dos agentes, largou a Saveiro que dirigia e atravessou a ponte a pé. Houve bate-boca com os ‘‘federales’’ do país vizinho, que chamaram a Marinha e a Polícia Nacional para manter o nativo, já abatido por algumas cacetadas brasileiras, em território pátrio.

A OAB tem razão
Os cursos de Direito oferecidos pelas instituições privadas de ensino, que se proliferam pelo País com uma rapidez incompreensível, sobretudo na Região Sudeste, levaram nada mais nada menos que 56 dos 66 conceitos D e E atribuídos pelo último Provão, de acordo com os resultados divulgados pelo MEC. Isso quer dizer que 84,8% dos cursos caça-níqueis foram reprovados. Apesar disso, o ministro Paulo Renato acredita estar havendo ‘‘melhoria da qualidade’’.

Salvos pelo gongo
Dos quatro cursos de Direito que estão sob ameaça de fechamento pelo Conselho nacional de Educação (CNE) e receberam prazo de seis meses para melhorar suas condições, apenas dois conseguiram se safar no Provão deste ano: o da Faculdade de Direito de Sete Lagoas (MG) e o da Universidade Católica de Petrópolis (RJ), que deixaram a zona de rebaixamento e conseguiram conceito C no exame.

Com testemunhas
ACM se apressa em esclarecer que quarta passada jantou com o senador Luiz Estevão, sim, como revelou esta coluna, mas não foi a sós.

O PODER SEM PUDOR

Faixas polêmicas
Velho cacique do Baixo Tocantins, no Pará, certa vez o deputado Amilcar Moreira resolveu contratar a assessoria de um jornalista, na sua campanha para a Prefeitura de Cametá. Sua tarefa era ficar atento para que o candidato não maltratasse tanto o vernáculo.
Foi inútil: nos comícios, Amílcar sempre escorregava:
- A gente vamos fazer aqui...
E o assessor cumpria o dever de soprar ao seu ouvido:
- Olha o português...
O político continuava falando errado e seu assessor advertindo:
- Olha o português...
Um dia, impaciente, o candidato sentenciou:
- Diz pro português ficar quieto que eu arrumo um emprego pra ele, na prefeitura.

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