‘‘Vamos ter que importar água ou exportar nordestinos’’
(Do ministro da Integração, Fernando Bezerra, ao defender a transposição do Rio São Francisco e prever colapso no abastecimento de água no Nordeste)

Gastos espetaculares
As comissões militares brasileiras sediadas no exterior já torraram, só este ano, a espetacular quantia de R$ 226.741.344,07, até a última sexta-feira, segundo levantamento junto ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, em poder da coluna.
A Comissão do Exército na capital americana é campeã, com gastos que totalizam R$ 113.234.011,04. A Comissão da Aeronáutica em Washington gastou R$ 55,2 milhões e a de Londres outros R$ 21,7 milhões. A Comissão Naval nos Estados Unidos foi responsável por despesas de R$ 55,7 milhões e a de Londres por mais R$ 20,7 milhões.

Mordomia intocável
As comissões militares são mantidas pelas Forças Armadas em prédios próprios e luxuosos, com contingentes de funcionários várias vezes superiores às próprias representações diplomáticas brasileiras.
A embaixada mais importante do Brasil no exterior, a de Washington, tem cerca de quarenta funcionários. Só a Comissão da Aeronáutica na mesma cidade mantém 175 servidores, entre civis e militares. Esses postos têm sido até ampliados, apesar da aparente falta de necessidade. Apesar da criação do Ministério da Defesa, não se cogita na unificação das comissões, para economizar despesas, muito menos na sua extinção.

Caras e bocas
Devem ser obra da mesma pessoa as cirurgias plásticas que mexeram nos rostos da reboculosa Carla Perez e da ex-deputada Marta Suplicy.
Se não são a mesma pessoa, certamente faltaram às mesmas aulas.

Escândalo paraibano
Assunto dominante nas rodas de políticos paraibanos em Brasília é um escândalo post-mortem, envolvendo um ex-deputado federal do MDB do Estado. Um jovem, hoje aos 35 anos, apareceu com vasto material probatório do tórrido romance que viveu com o falecido. Cartas, cópias de cheques, fotos de viagens inesquecíveis, passagens aéreas, tudo...
Já tem advogado para incomodar a viúva e reclamar parte na herança, com base na lei do concubinato, já que viveram cinco anos juntos.

Lavagem de currículo
O ex-governador petista do Distrito Federal, Cristovam Buarque, tem dito a amigos que está ‘‘limpando’’ e diminuindo o seu currículo, até ser conhecido apenas pelo próprio nome. Modesto, ele.
E muito sabido, também: Cristovam não tem os títulos de mestrado e doutorado que seu currículo informa, conforme comprovantes disponíveis no ‘‘Dossi꒒ do site www.claudiohumberto.com.br.

O bócio avança
A milionária máquina de propaganda do ministro da Saúde espalhou uma mentira: que José Serra teria destinado recursos às moagens e refinarias do Rio Grande do Norte para a aquisição do iodo a ser adicionado ao sal de cozinha produzido no Estado. Os recursos, modestos, fariam parte da Campanha de Combate ao Bócio Endêmico.
Mas Serra cancelou a liberação dos R$ 3,5 milhões anunciados, segundo denúncia do sindicato potiguar de moageiros e refinadores (Simorsal).

Eles se adoram
Todo o mercado aéreo comenta a maneira apressada de como a Varig diminuiu os seus prejuízos, no balanço do ano passado. Contabilizou como lucro até a venda de sua oficina de motores para a General Eletric, quando, na verdade, foi mero pagamento de dívida vencida.
A grita da TAM contra o balancete da concorrente serve para mostrar como Fernando Pinto, Omar Fontana, Wagner Canhedo e Rolim Amaro se amam. De paixão.

Frente contra a fome
O deputado João Caldas (PL-AL), que se insurgiu contra a mão-de-vaca de FHC para programas sociais, organiza a Frente Parlamentar de Combate à Fome, à Pobreza e à Miséria, e diz que já conta com cerca de cem parlamentares de todos os partidos. É dele também a proposta que isenta de contribuição previdenciária os inativos e pensionistas que ganham até R$ 1.200,00. A proposta do governo é de R$ 600,00.

Andando nas nuvens
O governador do Piauí, Mão Santa, tem ido mais vezes a Fortaleza (CE) do que seria – digamos – natural, pela proximidade com Teresina.
Seus amigos acham que está na capital cearense a fonte da juventude que torna Mão Santa cada vez mais jovial e bem disposto.

Escassez de juízes
O futuro presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Costa Leite, aponta o número insuficiente de magistrados em atividade no País como uma das principais causas da lentidão do Judiciário.
Enquanto a Alemanha, por exemplo, possui um magistrado para cada grupo de 3 mil habitantes, e a França tem um para 5 mil, no Brasil a relação fica restrita a um juiz para 25 mil pessoas. ‘‘Isso é ridículo’’, afirma Casta Leite, que assume o STJ em abril do ano que vem.

Garantindo a pelada
Esforçado meia direita nos bate-bolas de fim-de-semana, o deputado Aldo Rebello (PCdoB-SP) pediu ao Ministério da Cultura o tombamento dos campos de futebol de várzea localizados em área da União, preocupado ‘‘em não deixar morrer uma de nossas formas de manifestação popular obscurecidas pelo desenvolvimento do País’’. Ele quer também tornar obrigatória a reserva de área para campos de futebol, na lei dos loteamentos.

Ao trator, com carinho
Co-autor de ‘‘Sérgio Motta: o Trator em Ação’’ (Geração, SP, 500 páginas), José Expedicto Prata testemunhou no Palácio do Planalto duas reações emocionadas à obra que escreveu em parceria com Nirlando Beirão.
A jornalista Ana Tavares, assessora de imprensa de FHC, simplesmente chorou. Já o presidente, recebeu o livro, tocou-o com carinho, como faria a um amigo, repousou o queixo sobre ele e murmurou:
- Ele me faz uma falta danada...

O PODER SEM PUDOR

Um corpo que cai
Paulo Lima era o apresentador oficial dos comícios do velho MDB, no Recife, na eleição de Marcos Freire para o Senado, em 1974.
Entre um comício e outro, a turma da campanha tomava umas e outras, que ninguém é de ferro. Mas Lima, bom de copo, ingeriu mais doses do que o razoável, naquele dia do comício no Cacote, bairro recifense.
Subiu o palanque com dificuldade, pegou no microfone, pronto para animar o comício, quando o mundo resolveu girar mais rápido e ele, cambaleante, desabou no meio do palanque.
Enquanto tentavam levantá-lo, Paulo Lima, microfone em punho, gritou:
- A oposição tomba, mas não cala!
O povo delirou.

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