Cláudio Humberto (De Brasília)
Aquilo é uma foto de dois gordinhos
(De Leonel Brizola sobre o flagrante do encontro entre ACM e o pedetista Anthony Garotinho, governador do Rio)
Dinheiro é capacho
Utilizando recursos do Fundo de Estabilização Fiscal, o governo pagou R$ 2.547,00, nesta sexta, por dois carpetes, tipo capacho, com brasões coloridos para limpar os pés de suas excelências que visitam o Grupamento de Apoio de Brasília, do Ministério da Aeronáutica.
O FEF mudará de nome para Desvinculação de Receitas da União (DRU), a ser votada nesta terça. O fundo é formado pela tunga de 20% da receita de impostos e contribuições sociais dos Estados e municípios.
O deputado Agnelo Queiroz (PCdoB-DF), que descobriu o desperdício, quer saber se o responsável pela compra meteria a mão no bolso para adquirir capachos tão caros para sua própria casa.
Reforma de país rico
Vai custar meio milhão de dólares a construção de mais um andar no prédio da Comissão do Exército Brasileiro em Washington um dos três monumentos ao desperdício mantidos pelas Forças Armadas na capital dos Estados Unidos. O projeto ainda não foi autorizado pela prefeitura porque há dúvidas quanto à sua legalidade e não há quem o defenda: o chefe da comissão, coronel Antônio Burgos, não fala inglês. Nem seu braço direito, o coronel Wandocyr Romero. A rigor, mal falam português.
Logo no Exército, onde há oficiais poliglotas e de muito melhor nível.
Festas por nossa conta
O dinheiro do contribuinte flui tão fácil para as comissões militares no exterior que a Comissão Naval em Londres, por exemplo, resolveu organizar não apenas uma mas duas festas de final de milênio. O comandante Arlindo Silveira decidiu que haverá uma festa para os 60 funcionários e outra, mais chique, para as famílias dos seus dez oficiais.
Um jantar a dois
ACM jantou quarta-feira com o senador Luiz Estêvão, segundo revelou a amigos o sr. Rubens Galerani, braço direito do presidente do Senado, ao embarcar a esposa do chefe para Salvador, nesta quinta.
A conversa se deu no Aeroporto de Brasília e Galerani, que só sente, pensa e fala o que ACM quer, desdenhou da caçada ao senador:
- Tudo isso é coisa da oposição. O PT só quer morder o calcanhar dele.
PMDB dá o tom
A mini-reforma ministerial do começo do ano vai esperar a convenção nacional do PMDB, em janeiro, que poderá decidir pelo rompimento com FHC, como querem Itamar Franco e a ala liderada por Paes de Andrade.
Se isso acontecer, além de Eliseu Padilha (Transportes), o partido perderá todos os demais postos. Pratini de Morais (Agricultura), do PPB, e o pefelista Rafael Greca (Esportes) já sabem que não continuarão.
Muy amigos
FHC pode dizer que jamais dará asilo ao ex-general Lino Oviedo, mas deu asilo ao ex-presidente Raúl Cubas, seu aliado político, que o tirou da cadeia depois de uma tentativa de golpe. Oviedo seria o autor intelectual do assassinato do presidente Luis Maria Argaña, que tentou derrotar os chamados barões de Itaipu brasileiros e paraguaios envolvidos no roubo de milhões de dólares em energia da Itaipu Binacional.
Sem contar que FHC é muy amigo de Carlos Menem, acusado de facilitar a fuga do ex-general. Por supuesto...
Vale a pena ver de novo
Depois da denúncia de que Badan Palhares recebeu R$ 400 mil pelo laudo da morte do PC Farias e sua namorada, a CPI do Narcotráfico deveria insistir com o médico-legista no esclarecimento de outra denúncia, a do legista Nelson Massini, de que seu ex-aluno e funcionário participava do tráfico internacional de órgãos. O caso foi abafado há dez anos, por ordem do então delegado-geral Amândio Malheiro Lopes. Badan estaria envolvido com o médico Rubens Brasil Maluf, que dirigia o IML paulista e manteria um freezer com hipófises retiradas de cadáveres, comercializadas a US$ 5 cada para o laboratório americano Sunrisa Industries.
Proibido reclamar
Comerciante em Brasília, Gumersindo Suerio López foi ao jantar da Associação Comercial do DF, há dias, com o superintendente local do Banco do Brasil, Luiz Mário Borelli. No papo, ele se queixou de que o BB cobra R$ 50 por Atestado de Idoneidade Financeira, exigido em licitações, enquanto outros bancos cobram só R$ 5. Borelli estendeu seu cartão e disse que, se está insatisfeito, que encerre sua conta. Cliente do BB há 37 anos, Gumersindo no mínimo levaria um soco se reclamasse da agiotagem que ajuda, inclusive, a pagar o salário do mal educado.
Jandira prefeita
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lança nesta segunda sua candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro, no descampado aberto pela divisão da esquerda fluminense. Sua candidatura nasce forte, com o apoio da vice-governadora Benedita da Silva (PT) e de gente importante como a atriz Fernanda Montenegro e o ator Carlos Eduardo Dolabella, que avisou: só não vai ao ato se estiver preso nos estúdios, gravando.
Gracias, Fidel
Os leitores agradecem a atenção dispensada à nossa nota Maldade porco-capitalista, desta sexta. Quem acessar a revista semanal Cuba Demanda, do jornal oficial Granma, já encontra um novo e mais palatável endereço: agora é granma.cu/cubademanda/index.html.
Abuso animal
Depois de ir para a cadeia por estupro de uma dona e cair em desgraça por morder a orelha de um adversário, o campeão dos pesos-pesados Mike Tyson arrumou encrenca com uma doninha, aquele bichinho que andou em moda, o ferret. Descobriram na casa dele, em Las Vegas, um ferret morto e outro nocauteado de fome numa gaiola. A fonte, o jornal inglês The Times, admite que pode não ter havido a mão pesada de Tyson na revela que o desalmado vai pagar US$ 1.000 de multa ou então encarar seis meses de cadeia.
O PODER SEM PUDOR
Parentes importantes
Antes de ser senador, prefeito de Salvador (BA) ou escritor, Heitor Dias foi gerente da Caixa Econômica em Ilhéus, para onde seguiu de navio, no dia da posse. O balanço do mar provocou enjôo. Isolou-se no convés até alguém fazer tudo o que ele não queria: puxar conversa.
- Balançando muito, né? experimentou o desconhecido.
Heitor Dias era educado e perguntou o nome dele.
- Joaquim da Silva Nabuco.
- É parente do Joaquim Nabuco?
- Sobrinho-neto.
- E do dr. José Nabuco, é o quê?
- Primo.
- E de Nabucodonossor? - insistiu, só de gozação.
- Rapaz, sei não... mas se tem Nabuco no nome, é meu parente.
Heitor se levantou e foi curtir o enjôo no seu camarote.





