Cláudio Humberto (De Brasília)
Ele assiste ao trailler do que será sua humilhante despedida do poder
(Do senador Roberto Requião sobre a ida de FHC à vexatória despedida de Carlos Menem, na Argentina)
Desperdício contínuo
A Comissão do Exército Brasileiro em Washington tenta aprovar, na prefeitura local, as plantas de construção de mais um andar na sua sede de três pavimentos, na Av. Wisconsin. O chefe da comissão, coronel Antônio Burgos, que faz jus ao estereótipo do sargentão mal-educado, que coça o saco, fala palavrões e trata mulheres com desrespeito, deve invejar as comissões da Aeronáutica e da Marinha, mais luxuosas.
As três comissões mantêm em Washington cerca de duas centenas de militares fazendo compras sem licitação para as Forças Armadas.
Nova jogada
Não poderia ser mais cirúrgica a explicação do governador Mário Covas, ao nomear Luiz Carlos Mendonça de Barros e André (bonitinho, mas ordinário) Lara Rezende, da telegangue, para uma entidade que pretende ganhar dinheiro com os 500 anos do Descobrimento:
- O Brasil não pode se dar ao luxo de deixar certas pessoas fora do jogo.
Jogo? Ah, bom, então está explicado.
Cano agita Minas
A agência de propaganda SMP&B, de Minas Gerais, é acusada de dar um beiço de R$ 300 mil na Lastro Editora Gráfica, por serviços prestados na campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, derrotado por Itamar Franco em 98. Candidato a vice de Azeredo e ex-sócio da agência, Clésio Andrade, da CNT, não corre o risco de ser envolvido no processo que tramita na 17ª Vara Cível, de Belo Horizonte, porque ele também está acionando os atuais donos da SMP&B, que não lhe pagam os R$ 6 milhões pela venda de sua participação nessa e noutra agência, a DNA.
As razões de ACM
ACM reuniu jornalistas em almoço, nesta quinta, e passou boa parte do tempo falando mal do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Reginaldo de Castro, e da própria entidade.
Só não contou que uma das mais fortes razões de sua ira é o veto da OAB a três cursos de Direito pretendidos pelo empresário João Carlos Di Gênio, dono do curso Objetivo e da Unip, a Universidade Paulista.
Di Gênio é tão ligado a ACM que mora em sua casa, em Brasília.
Números dramáticos
Segundo o Ministério da Justiça, 70.681 presos estão abrigados em delegacias de polícia, em todo o País. Só em São Paulo são 31.179 detentos nessa situação. Ou 31.074, depois que bandidos humilharam a polícia libertando 105 colegas do 24º DP, enquanto Mário Covas participava de um baile do PSDB. Que não era o da Ilha Fiscal. Ainda.
Rescaldo da telegangue
A Telemar arrematou fatia importante no leilão das teles porque seu ágio de R$ 618,2 milhões era maior que o da concorrência. A ousadia, própria de empreendedores destemidos, agora será paga pelo contribuinte.
Sempre tão rigoroso e valente contra sacoleiros do Paraguai, o governo brasileiro vai abater essa quantia do Imposto de Renda da empresa.
O PT agora quer investigar os funcionários do governo que se empenharam no leilão e, agora, na concessão do inédito benefício.
Maldade porco-capitalista
Assim não dá. Não é que até a Internet conspira contra Cuba?
Bem que Fidel poderia dar jeito na página do jornal oficial G-ranma, intitulada Povo de Cuba contra o governo dos Estados Unidos.
Perdão, leitores, mas o endereço é www.cubademanda.cu/
A queixa do torturador
O ex-diretor da Polícia Federal, João Batista Campello, está processando os jornais O Povo, de Fortaleza, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil e Correio Braziliense, que revelaram suas ligações com a tortura.
Ele foi imposto pelo chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, contra a vontade do então ministro da Justiça Renan Calheiros.
Na posse de Campello, Calheiros fez o discurso mais curto da História. Foram os 18 segundos mais longos da minha vida, recorda ele, disposto a depor como testemunha de defesa dos jornais.
Cena peruana
Enquanto tomava champagne em Petrópolis com FHC, Fujimori foi desmoralizado por Carlos Castañeda Lossio, candidato da oposição à Presidência peruana. Ao perceber que estava sendo seguido por espiões do serviço de inteligência da presidência da República, ele desceu de seu carro em uma rua de Lima, com um revólver de plástico de seu filho, de 9 anos, rendeu os arapongas e os levou até a delegacia mais próxima, onde realizou um comício histórico contra Fujimori.
Sujou
Definitivamente, depois de limpar xixi do Garotinho e outras coisas mais, está na hora de vovô Brizola chamar o bicho-papão da Bahia.
Monsieur Badan?
O The New Yor Times chamou o caso de quebra-cabeças e a família do banqueiro quer ter acesso ao inquérito da polícia francesa, que está parecendo um laudo à la Badan Palhares. Ted Maher, o enfermeiro americano de Edmond Safra, incendiário confesso do apartamento do patrão, ganhava US$ 600 por dia, estava ficando rico e montando um empreendimento imobiliário nos Estados Unidos. Era considerado excelente profissional e foi devidamente checado antes de entrar no inexpugnável círculo pessoal do banqueiro. Maher teria matado a galinha dos ovos de ouro. Ou será que ainda vão descobrir que Safra se matou?
Plutão na área
O astrólogo Oscar Quiroga não gostou do astral do programa de Ana Maria Braga e tirou o time de campo. Vai ver, leu nas estrelas que o arrasador Plutão vai fazer, em breve, um estrago na loura do Mais Você e numa morena poderosa que anda errando as previsões de audiência.
O PODER SEM PUDOR
Toma lá, dá cá
Na inauguração do primeiro núcleo do Projeto Cingapura, em São Paulo, Paulo Maluf mandou organizar uma grande festa, com a presença dos seus secretários, assessores, trabalhadores envolvidos na obra, o radiante dono da empreiteira e, claro, as 300 famílias contempladas. Após discursar, o prefeito entregou as chaves à primeira moradora:
- E aí, minha querida? Feliz? Vai passar o Natal de casa nova, hein?
A mulher humilde não perderia a chance:
- A felicidade só não é completa, Dr. Paulo, porque não posso comprar nem um panetone...
Diante de câmeras e convidados, Maluf foi generoso. Tirou do bolso uma nota de R$ 50, que os inimigos dizem ser a mesma há anos, e a entregou à pobre senhora. O empreiteiro, o mais feliz dos presentes, fez as contas rápido e resolveu pagar um panetone para cada uma das famílias contempladas. Sairia barato e o prefeito aprovaria o gesto. Maluf não só gostou como segurou a mulher pelo braço e estendeu a mão:
- Devolve os meus cinquenta...





