Cláudio Humberto (De Brasília)
É preciso melhorar o mínimo para termos a base moral de aumentar o teto
(De ACM, voltando a afirmar que FHC e o STF querem aumentar teto para R$ 12,7 mil)
À flor da pele
O navegador solitário Amyr Klink não parece mais habituado a viver em sociedade, sobretudo em terra firme. Dá nos nervos.
Sexta-feira passada, ele foi preso após um ruidoso piti no aeroporto de Porto Velho (RO). Acusam-no de depredar instalações, quebrar computadores, ofender uma funcionária da Transbrasil etc.
Foi solto após prestar depoimento. Um vexame.
Covas é fogo
O rápido Zuzinha, filho do governador Mário Covas e corredor de automóvel, só é tímido mesmo nas pistas. Piloto de modestas possibilidades, ganhou o patrocínio da Taurus, a fabricante de armas de fogo que não é exatamente fã do ex-ministro da Justiça Renan Calheiros, desafeto de papai Covas e autor do projeto que pretende proibir a fabricação e vendas de armas de fogo no Brasil.
Que matam mais em São Paulo do que as bombas russas na Chechênia.
Imprensa nas telas
Vai virar filme o livro Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti (Cia. das Letras, SP, 719 páginas, R$ 35). O primeiro cineasta a manifestar interesse foi Cacá Diegues, mas as chances maiores estão com Bruno Barreto, premiado diretor de cinema que reside nos Estados Unidos.
Na boléia
Os caminhoneiros querem parar o País pela segunda vez, fechando as principais rodovias em protesto contra as promessas não cumpridas pelo governo federal: reduzir o valor dos pedágios, o preço do combustível e dar um basta nas extorsões de que são vítimas, por policiais.
Ele já avisaram que não aceitam mais como interlocutor o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, a quem chamam de embromador.
Negando tudo
Ricardo Mansur, aquele do Mappin, telefonou nesta segunda a vários amigos para jurar que não é ele o autor dos boatos contra o Bradesco, através da Internet. Cospe fogo pelo DDI e diz que tem coisas muito piores contra o banco de Amador de Aguiar na hora exata.
Pagar aos credores, que é bom, o indigitado nem fala.
A volta do ôgabão
O governador de Alagoas, o socialista Ronaldo Lessa, quer pagar o 13º dos servidores com vales a serem trocados por mercadorias, numa única rede de supermercados. Os servidores, assim, ficarão impedidos de usar seu 13º para pagar dívidas ou gastá-los como quiserem.
Além da suspeita exclusividade, que garante à empresa amiga um faturamento certo, a medida ressuscita o antigo gabão o vale com que os usineiros pagavam os seus semi-escravos, trocados por víveres nos barracões pertencentes às próprias usinas.
Socialite procurada
Uma brasileira de 42 anos figura na galeria do FBI como uma das fugitivas mais procuradas do mundo. Trata-se da paranaense Terezinha Queiroz Bodott, que se assina também Terezinha Queiroz Barnabell e Adriana Bodott. A polícia federal americana descreve a vigarista como socialite e acredita que esteja no Brasil, de onde mantém contato com a família no Texas e com amigos em Nova York. Com a ajuda de uma bancária na Flórida, que já está na cadeia, a múltipla Terezinha surrupiou cerca de US$ 100 mil da conta inativa de um finado casal de velhinhos.
Bouchés
Na sua página de programação de TV desta segunda, o jornal La Provence, um dos mais prestigiosos da França, recomenda o documentário Des fliccs dans la ville, no canal France 2, sobre a criminalidade no Brasil. No texto explicativo, refere-se ao Rio de Janeiro como a capital do Brasil. Para os franceses, que só enxergam o próprio umbigo, não citar Buenos Aires como a nossa capital já foi um avanço.
Viajante emérito
Quando voltar dos Estados Unidos, no próximo dia 12, o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), poderá comemorar um recorde: terá sido o governador que ficou mais tempo fora do País nos últimos anos.
Nem FHC viajou tanto. Em cinco anos no governo do Paraná, Lerner já fez 32 viagens ao exterior, licenciando-se por cerca de oito meses.
Para cada oito dias de trabalho, Lerner passa um em tour pelo mundo.
Em causa própria
O presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, criticou a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado do projeto de lei que anistia as multas eleitorais aplicadas a candidatos das eleições municipais de 1996 e das eleições gerais de 1998, por propaganda indevida. Ou seja, é legislar em causa própria, acusou.
Apenas bons amigos
O deputado João Alfredo (PT) nega seu namoro com a colega Patrícia Gomes (PPS), ex-Ciro, mas não economiza elogios à colega.
Ele diz que ambos integram a Comissão de Direito Humanos da Assembléia Legislativa do Ceará (ela, com muita dedicação e competência) e que acabamos por construir uma amizade (...) fundada na afinidade em que pesem as diferenças de ordem política no que concerne à defesa intransigente dos direitos da cidadania.
Ah, bom.
Guilbaud foi araponga
O ex-diplomata Jacques Guilbaud disse a esta coluna que se houvesse um pelourinho, colocaria nele o ex-presidente João Figueiredo, o antigo embaixador em Lisboa, Carlos Alberto da Fontoura, e o diplomata Raul Fernando Leite Ribeiro, que considera seus algozes. Ele foi demitido após denunciar superfaturamento na compra da residência da embaixada em Lisboa. Contou que pertenceu ao serviço secreto brasileiro, na época da ditadura, e diz que até foi ameaçado de morte.
Ele perdeu o emprego no hotel. Agora é motorista num seminário.
O PODER SEM PUDOR
Ele e os bichos
Tão maluco quanto autoritário, o ex-governador alagoano Silvestre Péricles de Góis Monteiro não tinha o menor respeito pelos adversários ou pelas instituições. Justiça, para ele, só a que o obedecia.
Foi assim que ele acabou rompendo com os desembargadores do Tribunal de Justiça, chegando mesmo a mandar sujar com cocô as portas das casas de cada um deles. E o pior é que Silvestre não apenas se orgulhava disso, como fazia apologia dos seus atos.
Certa vez, em visita à Paraíba, ele foi apresentado pelo governador Osvaldo Trigueiro ao presidente do TJ paraibano, e provocou:
- Você também tem desses bichos por aqui, governador? Lá tem sete cabras desses. Seis são cornos e o outro, ando desconfiado, é veado.





