Cláudio Humberto (De Brasília)
O projeto social-democrata do governo permanece intocável
(Do presidente nacional do PSDB, Teotônio Vilela, ao defender as alianças de FHC)
Dossiê põe Geap a nu
Diante da estranha letargia do governo, um grupo de servidores públicos resolveu investigar por conta própria o que se passa na Fundação Geap de Seguridade Social, criado à sombra do Ministério da Previdência com pinta de instituição caridosa mas que atua no mercado como um plano de saúde iguais aos outros. Com uma diferença: detém a hegemonia de milhares de servidores, cuja contribuição é descontada em folha.
O resultado foi um dossiê explosivo, já em poder de autoridades, revelando o que se faz no Geap com o dinheiro dos servidores.
Sem fiscalização
Apesar de na década de 80 ter aumentado sua receita e o número de segurados (hoje estão integrados à Geap os ministérios do Trabalho, Previdência, Saúde, além de órgãos como INSS, Inamps e Dataprev), a Geap nunca foi alvo de fiscalização sistemática por parte do poder público. Do dossiê preparado pelos servidores, e que deve estourar a qualquer momento, há de tudo um pouco, inclusive envolvendo escândalos imobiliários e gente graúda. É bom prestar atenção.
Atrás de emprego
Por coincidência, é um ex-diretor da Fundação Geap, Ricardo Ackel, quem pleiteia agora o cargo de Diretor de Benefícios do INSS. O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, já sinalizou que nem quer ouvir falar nessa história, mas Ackel está apelando a deus e o diabo na terra do sol.
Pesa contra ele a sua boa administração (no bom e no mau sentidos) dos recursos do Geap, como aplicações de risco no Crefisul e no BMC, que alimentam muitas suspeitas e inesgotável falatório.
Vendetta di Guzzo
O amor com amor se paga.
Vem aí, pelas páginas da revista Exame, o troco de José Roberto Guzzo ao jornalista Mario Sérgio Conti, autor de Notícias do Planalto (Cia. das Letras, 719 páginas, R$ 35). Conti insinua, no livro, que Guzzo recebeu dinheiro para publicar matérias simpáticas ao goiano Íris Rezende.
A vingança de Guzzo, diretor de Exame, é coordenada pelo diretor adjunto da revista, Paulo Nogueira.
Tudo bem no Sivam
A Construtora Schahin tem obras paralisadas na Amazônia, segundo garante o diretor de Marketing Sérgio Marcondes.
Responsável por 102 canteiros de engenharia em 102 localidades diferentes, no âmbito do Projeto Sivam, a Schahin entrega em fevereiro o a primeira obra, na cidade de Jacareacanga (AM).
Lerner gerou no Paraná...
O auditor Luiz Fernando Vieira Caldas cumpriu o seu dever. Convocado em 1997 para sanear a administração do Senac em Curitiba, ele descobriu a existência de funcionários-fantasmas ligados a políticos do Estado, como a dentista Léa Lerner, irmã do governador Jaime Lerner, lotada na gerência financeira sem nunca ter estado lá; Jane Marie Rigo, apadrinhada do ex-deputado Luiz Carlos Martins, e uma pediatra com consultório em Londrina, a 390 quilômetros de distância.
...o Guilbaud do Senac
As denúncias de Luiz Fernando foram confirmadas pelo TCU, mas os dirigentes do Senac-Curitiba, Frederico Wiltemburg e Érico Morbis, nada fizeram a não ser afastar os fastaminhas camaradas.
Luiz Fernando, como Guilbaud, que denunciou irregularidades na compra da embaixada do Brasil em Lisboa, foi demitido depois de 21 anos de casa. Está na economia informal, enquanto Guilbaud, diplomata de carreira, é vigia de um hotel na França. Ambos esperam justiça.
A mãe de Gláuber
Será na próxima quarta a estréia do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) como escritor, ao lançar seu livro Lúcia, a mãe de Gláuber (Geração, SP, 250 páginas), no Restaurante Carpe Diem, em Brasília.
A biografia, que tem prefácios de Zuenir Ventura e Cacá Diegues, conta a dramática história da mãe do falecido cineasta Gláuber Rocha, que, dizem os admiradores, é mais admirável que o filho.
A nossa é maior
Os portugueses ficaram estarrecidos, na quinta, com o especial exibido em horário nobre pela SIC, canal privado de TV, sobre a mais miserável cidade do Brasil: São José da Tapera, sertão de Alagoas.
Talvez não haja pobreza igual em Trás-os-Montes, onde há portugueses vivendo em cavernas em pleno final de século.
Bicudos e imaturos
Para a inauguração da suntuosa nova sede do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, há dias, foram convidados o governador Olívio Dutra e aquele a quem ele chamou sempre de meu oponente, Antônio Britto.
Seria o primeiro encontro depois da eleição (Britto não passou o governo e viajou para a Espanha), mas Olívio não foi, mandou representante. Brito também não, talvez pensando que Olívio fosse. Assim, os dois bicudos não se beijaram, mais uma vez.
Ai, Jesus. E o BEG?
Joaquim Roriz, governador do DF, agiu rápido ao demitir os responsáveis pela barbárie desta quinta, quando a PM matou um e cegou dois manifestantes. Mas a escolha do novo secretário de Segurança já provoca tititi: o goiano José de Jesus Filho coordenou a campanha de Íris Rezende ao governo do seu Estado e foi acusado de assinar suspeito contrato com o combalido Banco do Estado de Goiás (BEG), no valor de US$ 1,6 milhão para cuidar de um único processo da instituição, cujo corpo jurídico é numeroso e eficiente. O contrato foi assinado a 11 de novembro, após a vitória nas urnas do atual governador, Marcone Perillo.
Proibido para menores
Com a linguagem que prega e a incitação à violência, quando o candidato à Presidência pelo PPS, Ciro Gomes, começar a falar durante a propaganda eleitoral na TV, é melhor tirar as crianças da sala.
O PODER SEM PUDOR
Vivo, só o deputado
- Senhores, ocupo esta tribuna com profunda tristeza no coração.
Foi assim, emocionado, que o deputado estadual Vasconcelos Torres, do Rio de Janeiro, comunicou que acabara de chegar da casa da família de um funcionário da Assembléia Legislativa:
- Infelizmente, perdemos essa grande pessoa. Mas fui lá, em nome de todos, representar esta Casa, levando nossa solidariedade.
Todos pareciam emcionados quando adentrou o recinto o funcionário morto, alvo da homenagem. Vasconcelos Torres nem engasgou:
- Senhor presidente, encerro aqui meu discurso porque neste mundo tudo é possível...
Desceu da tribuna e deu um forte abraço no falecido, que não entendeu nada. Nem ele nem ninguém: até hoje não se sabe ao velório de quem o deputado compareceu. Se é que foi a algum.





