Cláudio Humberto (De Brasília)
Viver autoritariamente para quem pregava a democracia é intolerável
(De ACM, o democrata, sobre a tentativa tucana de mudar o projeto que limita as MPs)
Pra que dinheiro...
O Ministério Público Federal em Curitiba investiga a vida de vários figurões que mandaram dinheiro para o exterior, via CC-5.
Entre eles encontram-se a nora do ex-governador José Richa, Fernanda, que despachou R$ 1,05 milhão, e Jaime Canet Jr., ex-governador do Estado, que enviou R$ 713 mil. Tudo isso entre 1996 e 1998.
O MP quer saber a origem do dinheiro e se dois pagaram os impostos.
Araucária nada teme
O presidente do Banco Araucária, Alberto Dalcanale Neto, informa que as operações de remessas ao exterior, via CC-5, são realizadas segundo a legislação vigente e por ordem dos seus clientes. Garante que nada tem a temer, até porque o banco não responde a qualquer processo judicial, e afirma que seu capital é de R$ 21,4 milhões, o patrimônio líquido soma R$ 14,6 milhões e que possui ativos de R$ 111,4 milhões.
É precisamente isso que intriga o Ministério Público Federal no Paraná: como um banco desse tamanho remete US$ 2,3 bilhões ao exterior.
Sivam faz água
A Construtora Schahin venceu a licitação do Sivam, na Amazônia. Foi a única concorrente de uma licitação de quase R$ 300 milhões, nestes tempos bicudos, o que já é muito estranho. O TCU deve abrir o olho.
Enquanto o embaixador Júlio César amarga glorioso exílio em Roma, premiado por sua participação no primeiro grande escândalo da era FHC, o projeto começa a fazer água: algumas obras estão paralisadas e outras quase parando, fruto da inexperiência da Schahin na região e do baixo e escorchante preço que paga aos subempreiteiros locais.
O melhor negócio
O Bradesco vai agitar o mercado de compra e venda de empresas, com a decisão de concentrar suas atividades apenas no mercado financeiro.
Isso significa que o gigante do sistema bancário venderá sua participação em cerca de 50 empresas, no Brasil.
Solução final
Com o novo cálculo da Previdência levando em conta a maior expectativa de vida do brasileiro, o aposentado hoje está valendo mais morto do que vivo.
Chora, Moreira
O esquema José Serra, que agora controla a Petrobras, acabou com a boca livre da Marítima, que mandava e desmandava na estatal desde os tempos de Joel Rennó, aquele que persegue a diligência.
Mas quem anda inconsolável é o ex-governador do Rio Moreira Franco.
Inconsolável mas calado, porque não é todo dia que ele pode arranjar um emprego como o que ganhou, no quinto escalão do Palácio do Planalto.
Caso Guilbaud
O presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, ligou para o presidente da Ordem dos Advogados de Portugal (OAP), Antônio Pires de Lima, para pedir o apoio da entidade portuguesa nas apuração das denúncias feitas pelo ex-diplomata brasileiro Jacques Guilbaud.
O ex-diplomata, que vive hoje na França e sobrevive com um emprego de vigia noturno, conforme revelação desta coluna, denunciou em 1980 que o Brasil pagou o dobro pela compra da nossa embaixada em Lisboa.
Na toca do leão
O ex-velocista Ben Johnson arranjou um emprego de risco. Banido das competições oficiais pelo uso de anabolizantes, ele vai para Trípoli ensinar Al-Saad Gaddafi a correr.
Al-Saad é filho do ditador da Líbia e conhecido encrenqueiro. O problema do treinador certamente não será fazer o garotão correr, mas correr dele (e do pai) depois.
Fim de um ciclo
Quanto mais a poeira baixa mais fica claro: a saída de Josias de Souza da Secretaria de Redação da Folha de S. Paulo, a 10 de janeiro, marcará na verdade o declínio do reinado de Otavio Frias Filho.
O enfant terrible da Paulicéia cede espaço ao irmão Luís e ao pai, que retomam o comando. Espera-se uma guinada conservadora na linha editorial do jornal. Otavinho comunicou a amigos que o seu afastamento não é temporário, como de outras vezes, e que se dedicará a outras atividades, como o Universo Online que aliás sempre disse detestar.
Cai a máscara
FHC tirou a máscara, ao dizer que não é possível governar sem as medidas provisórias. Reconheceu, finalmente, que sempre pensou como Getúlio e os militares de 64: esse negócio de lei feita pelo Congresso é o maior atraso, leva tempo, é preciso convencer os parlamentares...
Bom mesmo é o presidente fazer as leis e ele mesmo executá-las. Ainda assim, nada é perfeito: existem os chatos desses juizes.
Peixe na rede
Já está devidamente engaiolado pela Polícia Federal na cidade de Coronel Sapucaia (MS) o provável braço direito de Fernandinho Beira-Mar, o traficante Israel Morel. Ele foi preso em Capitán Bado, durante a operação pente-fino do Brasil na cidade fronteiriça de Ambaí, no Paraguai. Israel é irmão de João Morel, chefão do crime organizado da cidade, segundo a Secretaria Nacional Antidrogas, e estava com documentos irregulares.
Um pobre Natal
Pesquisa online da Rádio CBN não trouxe boas notícias para o comércio e o turismo. Ela mostra que 43,71% dos que opinaram pretendem gastar seu 13º salário com o pagamento de dívidas. Outros 20,37% declararam não receber a gratificação natalina e 21,26% notificaram desejo de aplicar o dinheiro. Somente 8,37% têm a intenção de gastar o 13º com compras de Natal e apenas 6,83% pensam em viajar.
Apelo aos céus
No Dia do Evangélico, comemorado nesta terça em Brasília com um feriado local, o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) recebeu a visita de um grupo de trinta pastores de 18 diferentes cultos.
Oraram pelo final do calvário político vivido pelo senador que foi o favorito dos evangélicos na eleição de 98.
O PODER SEM PUDOR
Dura vida de ministro
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, passou a manhã desta quarta telefonando para todos os parlamentares que pôde encontrar, sobretudo os de seu partido, conclamando-os a votar contra os juízes classistas. Mal teve tempo de almoçar.
Alguns deputados se esquivaram como podiam, até mandando dizer que não estavam. Um deles, o imprevidente Vadão Gomes (PPB-SP), foi surpreendido no celular e não pôde evitar a conversa com Dornelles.
- Mas eu estou no interior de São Paulo! argumentou Vadão.
- Ora, pegue o seu avião e venha para Brasília insistiu o ministro.
- Alô! Alô! Caiu... balbuciou na outra ponta da linha, e desligou.
Dornelles ficou furioso e comentou com assessores:
- FDP! Ele nem está onde diz, nem a linha caiu!





