Cláudio Humberto (De Brasília)
Covas continua preconceituoso e provinciano
(Do governador da Bahia, César Borges, reagindo a novo ataque do governador de São Paulo aos incentivos para o Nordeste)
Mais um privilégio
Ao viajar para o exterior, há dias, FHC deixou vários abacaxis nas mãos do seu vice. Um deles Marco Maciel descascou no dia 19 de novembro, ao assinar o decreto nº 3.255, que institui um certo auxílio-moradia para dirigentes de empresas públicas e estatais federais, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas etc. Coisa de país rico.
Além de obesos salários, essa gente vai embolsar mais R$ 1.800,00 por mês para o pagamento dos seus aluguéis.
Ponte da concórdia
Para garantir a obra da ponte de 1.972 metros de extensão sobre o Rio Guamá (PA), no valor de R$ 80 milhões, o próprio consórcio de empreiteiras elaborou o edital do processo licitatório nº 1999/152952, da Secretaria Executiva de Transportes do governo Almir Gabriel.
A revelação foi feita durante a reunião de empreiteiras realizada no último dia 18, na sede da Queiroz Galvão, no Rio. O edital, é claro, limita em no máximo seis o universo das empresas que poderiam participar da licitação. A sexta, Camargo Correia, ficou de fora, mas avalizou o acerto.
Tem anestesia?
O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, declarou que o aumento do IPTU, que causa o maior bafafá na cidade, vai ser indolor.
Conde deve achar que aumento no IPTU dos outros é refresco.
As asas e o bolso
O presidente da TAM, comandante Rolim, distribui a bordo dos seus aviões um panfleto assinado por ele e intitulado A necessidade da reforma, onde tece loas ao talento e à pertinácia dos deputados Mussa Demes (PI) e Germano Rigotto (RS), no relatório da reforma tributária. Diz mais: se o projeto for aprovado, o Brasil ficará devendo aos dois.
Ele só não diz que o tal relatório concede escandalosa isenção perpétua de impostos às empresas aéreas e marítimas. Incluindo a dele, claro.
Batom na cueca
A comissão de sindicância do Ministério dos Esportes e Turismo acha que o ex-presidente do Indesp, Manoel Tubino, andou contando uma mentirinha na Câmara dos Deputados, e talvez até em casa.
Segundo Tubino, o ex-diretor Luiz Antônio Buffara assinava em seu lugar mesmo se ele estivesse em Brasília. Não foi bem assim.
Enquanto a agenda oficial indicava sua presença em Brasília, na verdade ele estava em outros locais, como São Paulo por exemplo, como consta do processo nº 23099.001107/99, relatado pela comissão de sindicância.
Fim da guerra
Caiu o poderoso secretário de Redação da Folha de S. Paulo, Josias de Souza. Será substituído pela jornalista Eleonora de Lucena, até agora editora da primeira página, com quem ele travou uma longa e acirrada disputa pelo poder, na Redação. Ela tem a confiança de Otavio Frias, o dono do jornalão; ele volta a chefiar a sucursal de Brasília.
O circo de Ciro
Foi um circo a convenção municipal do PPS de São Paulo, domingo.
O novo presidente da Juventude do partido foi Antenor Júnior, lugar-tenente do vereador malufista Bruno Feder, um fascistóide que propôs a proibição de nordestinos na cidade. Cezira Bianchi, braço direito do deputado cassado Hanna Garib, virou musa do PPS. Andrade Figueira, ex-diretor do Anhembi nos tempos de Maluf, é outro neo-comuna desde criancinha. Já o deputado Emerson Kapaz (de tudo), chefão do PPS, é candidatíssimo a 3% dos votos para a prefeitura, em 2002.
Conveniente maluquice
O Ministério das Relações Exteriores acusou o diplomata Jacques Guilbaud de problemas mentais para demiti-lo, em 1980, após suas denúncias de superfaturamento na compra da Embaixada em Lisboa.
Além de especialistas, alguns colegas de turma de Guilbaud bem que poderiam ser chamados a opinar sobre isso. Um deles é o embaixador Ronaldo Sardenberg, atual ministro de Ciência e Tecnologia.
A cobra vai fumar
O jornalista Mario Sergio Conti, autor do devastador Notícias do Planalto (Cia. das Letras, 719 páginas, R$ 35), foi convidado para o programa Roda Viva, da TV Cultura. O que ele não sabe é que também foi convidado, como entrevistador, o diretor de Redação da Gazeta Mercantil, Mário Alberto, que aparece no livro tentando subornar jornalistas para que escrevessem referências simpáticas ao senador Íris Rezende (GO).
Estranha cegueira
Os capixabas continuam achando muito estranho que a CPI do Narcotráfico ignore o Espírito Santo, um dos Estados mais violentos do País, onde política e banditismo andam de mãos dadas.
É ainda mais estranho quando se recorda que é o Estado do presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB).
Puro miserê
Submetidos à humilhante remuneração de R$ 2,40 por cada consulta aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), os médicos reivindicam reajuste para R$ 10, segundo proposta modesta da Federação Nacional dos Médicos.
Para inglês ver
O governador do Amapá, João Capiberibe, reassumiu nesta terça, após longo passeio no exterior, e trouxe na bagagem juras de encantamento dos europeus com o seu programa de desenvolvimento sustentável.
Em 1995, ele foi à Europa e retornou contando a mesma lorota. E até hoje o Amapá não viu a cor do dinheiro que ele jurou ter conseguido.
Salve, Pernambuco
Esta coluna tem a honra de estrear na Folha de Pernambuco, integrante do grupo de que faz parte também a Agência Nordeste.
Sob o comando do jovem empresário Eduardo de Queiroz Monteiro, em dois anos a Folha se transformou num autêntico fenômeno editorial, conquistando a liderança absoluta em venda avulsa em todo o Nordeste.
O PODER SEM PUDOR
Lições de um bandoleiro
Em 1934, prestes a deixar a Casa de Detenção de Recife, ao final de uma pena de vinte anos, o bandoleiro Antônio Silvino, famoso em todo o Nordeste, recebeu a visita de um grupo de estudantes de Direito.
Entre os visitantes um dos mais curiosos era Abelardo Jurema, que mais tarde seria ministro da Justiça:
- O que o senhor vai fazer, agora que está solto?
- Estou em dúvida... é que estou convencido que, no mundo, existem somente duas atividades boas: farmácia ou prefeitura. Se puder, monto uma ou outra.
- E qual a lição que o senhor tirou depois de tanto tempo de prisão? - insistiu Jurema.
- Lição? Rapaz, de uma coisa eu sei: nunca vi ninguém com mais de 50 mil-réis ser preso.





