‘‘O papel da oposição não é só embaraçar o governo, é falar ao povo’’
(De Miguel Arraes, para quem é preciso defender o socialismo para ganhar a eleição)

Bug, só no Tesouro
A história ganha contornos de escândalo, no âmbito do Tribunal de Contas e do próprio Ministério da Agricultura.
Celso Matsuda era secretário-executivo do ex-ministro Francisco Turra, quando cancelou um contrato com a Poliedro Informática, de Brasília, no valor de R$ 7 milhões, para poupar repartição do tal Bug do Milênio.
- Isso não pode custar mais do que R$ 3 milhões – concluiu Matsuda.
Turra caiu, Matsuda também, mas a Poliedro não.
A empresa não apenas voltou a assinar contrato com o Ministério da Agricultura, como conseguiu aumentar o seu valor para R$ 13 milhões.

Quando vaidade é crime
Enquanto pagou R$ 22,6 milhões na sua autopromoção, só em 99, o ministro da Saúde, José Serra, aplicou apenas R$ 4,6 milhões dos R$ 104,8 milhões previstos para o programa de Sistemas de Abastecimento de Água, da Fundação Nacional de Saúde, que pretendia reduzir a mortalidade (sobretudo infantil) em 347.903 famílias paupérrimas, que adoecem porque vivem em locais onde não há poços, cisternas, nada.

Saída honrosa
O PMDB agora está empenhado em manter Eliseu Padilha no cargo até que o partido realize sua convenção, no começo do ano.
Como há uma expectativa que a convenção decida pelo rompimento com o governo, Padilha sairia de forma ‘‘honrosa’’, voluntariamente.

Atentado à liberdade
A Justiça do Piauí abre grave precedente contra o direito à livre informação, concedendo liminares que proíbem a imprensa local de publicar notícias sobre determinadas pessoas. A prática foi inaugurada pela esposa do senador Hugo Napoleão (PFL), Leda, na campanha de 98, porque ela temia a divulgação de um dossiê. A Justiça proíbe até noticiar a censura: esta nota, por exemplo, não será publicada em ‘‘O Dia’’, de Teresina, um dos 23 jornais que reproduzem a coluna.

Irmão camarada
Newton Cardoso é amigo. Já avisou ao ministro Eliseu Padilha que, assim que passar a má fase em que se encontra, ele poderá usar novamente o seu luxuoso Learjet 55, como de costume, entre Brasília e Porto Alegre, para seus fins de semana em família.

Sem proteção
Criador do programa de proteção às testemunhas, o ex-ministro da Justiça Renan Calheiros anda preocupado com os rumos do projeto, cujas verbas para o ano 2000 são ainda menores que as de 1999.
Ele continua convencido de que o programa é essencial para reduzir a impunidade e cita o exemplo dos Estados Unidos, que gastam cerca de R$ 40 milhões por ano nesse item (50 vezes mais que o Brasil).

Longe do problema
O juiz Walter Maierovich, chefe da Secretaria Nacional Antidrogas, é tão apegado ao seu gabinete que só conheceu o chamado Polígono da Maconha, em Pernambuco, onde se produz a maior parte dessa droga no País, durante a gigantesca Operação Mandacaru, esta semana.
Antes, ele só conhecia a região através da leitura do Guia Quatro Rodas.

Perlim-plim-plim
O estrelismo de alguns deputados mostra que, a pretexto de procurar culpados pela disseminação do vício das drogas, a CPI do Narcotráfico acaba de revelar outros dependentes.
Os viciados em mídia.

Mineiros à frente
Sem alarde, bem à mineira, a estatal de energia de Minas Gerais, Cemig, já está no século XXI. Há meses os técnicos da empresa adiantaram o relógio do seu sistema operacional, para não ser surpreendida pelo tal Bug do Milênio, na virada do ano, e deixar seus clientes no escuro.

Sede braba
A Câmara dos Deputados fechou contrato de dois anos para fornecimento de água mineral Indaiá, no valor de quase meio milhão de reais (R$ 439.848). Algo como R$ 840 (e litros) por dia útil.

Voando alto
Dirigentes da Federação Nacional das Empresas de Seguro (Fenaseg) estão preocupados com a agilidade do transporte aéreo do presidente da entidade, João Elísio Ferraz de Campos. Segundo eles, os telefonemas para as empresas de táxi aéreo, para a reserva de jatinhos que transportem João Elísio, naturalmente por conta da entidade, a recomendação é sempre a mesma: avião novo, estofamento de couro e, é claro, muito gelo na galley, a cozinha do avião.

Bola dentro
O Leão da Receita Federal está farejando sonegação forte e grossa: os dois shopping centers sazonais Market Plaza, que entretêm a elite paulista em Campos do Jordão (inverno) e Guarujá (verão), estão sob suspeita de lavagem de dinheiro. O fato de serem empreendimentos do empresário João Dória Júnior, notório ex-presidente da Embratur, alavanca ainda mais a atenção do Fisco.

Pior que eu
Paulo Maluf reagiu com sonora gargalhada à pretensão do empresário Abraham Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, de ser candidato à prefeitura paulistana. No inferno astral em que se encontra, Maluf pôde desopilar o fígado e esclarecer tanta ironia:
- A ficha dele é pior que a minha!

Como se fosse seu
O empresário Valmir Amaral, suplente do senador Luiz Estêvão (PMDB-DF), está sob suspeita de invadir 20.000 metros quadrados de uma área pública do Paranoá, na periferia de Brasília. Teria desmatado uma reserva ambiental para construir a garagem de sua empresa de ônibus.

O PODER SEM PUDOR

O QI do secretário
O marechal e presidente Humberto de Alencar Castelo Branco fazia uma visita oficial a Fortaleza. No aeroporto, foi recebido pelo governador Plácido Castelo, que o apresentou cada um dos seus secretários.
- Dario Macedo, chefe da Casa Civil. É um prazer, presidente – cumprimentou o jovem secretário.
- Desculpe-me a indiscrição, mas quantos anos você tem? - perguntou Castelo Branco, intrigado.
- Vinte e um, presidente.
- Como é jovem para a função! Qual a sua profissão?
- Jornalista.
- Tão jovem... – murmurou o ditador, com ar desconfiado.
Antes que o presidente fizesse mais perguntas, Macedo antecipou-se:
- Jornalista e genro, presidente.
Castelo soltou uma gargalhada e continuou a andar.

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