Cláudio Humberto (De Brasília)
Reforma tributária não é Fla-Flu
(De FHC, nesta sexta, sobre a reforma que o governo, a rigor, não deseja)
Devassa na Saúde
É crescente o número de parlamentares indignados com os gastos excessivos do Ministério da Saúde com propaganda e assessoria de imprensa. Por isso o Tribunal de Contas da União deverá iniciar uma devassa nas contas da autopromoção do José Serra. A revolta de deputados e senadores (por causa da penúria da rede pública de saúde) já inspirou vários requerimentos de informação e pedidos de auditoria.
Viúva paga a conta
Segundo comprovante do Sistema de Acompanhamento Financeiro (Siafi) do governo, em poder da coluna, até esta sexta a repartição de Serra torrou exatos R$ 782.034,25 com a agência de propaganda Giovanni/FCB, R$ 9.479.908,89 com a Master e outros R$ 12.339.210,36 com a DM9 Publicidade Ltda. Apenas em 1999. As despesas com assessoria de imprensa podem chegar a R$ 2 milhões, só este ano.
Aviso prévio
FHC chamou dois dirigentes do PMDB, nesta quinta, e com aquela expressão de velhinho desamparado, contou que está sob pressão irresistível para demitir o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Pedem a cabeça de Padilha os tucanos dos quais o presidente tem até medo físico, na definição de seu mais antigo assessor: os governadores Mário Covas (SP) e Tasso Jereissatti (CE) e o ministro José Serra.
Quem será?
O senador Jonh McCain, candidato a presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, revela em seu livro Faith of my Fathers (páginas 139 e 140), sem citar o nome, que manteve tórrido romance com uma socalite carioca durante sua primeira viagem como cadete da Marinha, em 1957. Ele conta que passou nove dias no Rio de Janeiro e foi levado pela namorada a vários jantares chiques, chegando a ser apresentado a Juscelino Kubitschek. McCain foi piloto na guerra do Vietnã. Capturado, esteve preso cinco anos e meio (três anos numa solitária).
Tá na área
O comerciante libanês Gassan Hussein Audi, que já esteve preso como suspeito no atentado contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, apareceu de surpresa nesta quinta, na Redação de um jornal de Assunção, para dizer que não tem nada a ver com o fundamentalismo islâmico e com o tráfico de drogas, muito pelo contrário. E que só quer tocar seus negócios no Paraguai. Huumm....
O tempo passa
A presença do legista Badan Palhares na CPI do Narcotráfico não deve estar exatamente trazendo boas lembranças ao deputado Celso Russomanno. Há nove anos, após exumar os restos de Adriana Russomanno, a equipe do Dr. Palhares atestou a morte da jovem de 26 anos por septicemia grave. Ao filmar a agonia da própria mulher em busca de socorro num hospital de São Paulo e exibi-la numa emissora de TV, Celso Russomanno tornou-se conhecido nacionalmente.
Lá, como cá
O jornal ABC Color, do Paraguai, escancarou na primeira página desta sexta: a Câmara de Comércio Paraguio-americana chegou à conclusão que tanto o setor público quanto o privado devem parar de roubar pelo menos durante noventa dias para tirar o país da crise.
Os empresários estão preocupados com a situação insustentável das finanças do Estado e exigem drástica diminuição dos gastos públicos.
Daqui a pouco, dizem eles, não será possível pagar mais os salários.
Regular, só agora
O Consulado dos EUA no Rio atesta, em curiosa carta à coluna, a inteira legalidade da International Procurements Services (IPS), de Bethesda (Maryland), fornecedora amiga da Comissão Naval Brasileira em Washington. O mesmo Department of Assessments and Taxation, citado pelo consulado como sua fonte, certificou no dia 23 de setembro passado que não havia qualquer empresa registrada com aquele nome, conforme documento em poder da coluna. Sua suposta regularização é posterior à publicação da nota Fantasmas camaradas, de 30 de setembro.
Outra que se acertou
A Defense Trading Corporation, outra amiga íntima da Comissão Naval Brasileira em Washington, também regularizou o seu registro no Department of Commerce Regulatory Affair da capital americana, no dia 11 de outubro passado. Esta coluna revelou que a empresa (uma das principais fornecedoras da Comissão) estava em situação irregular desde 97, mas fez vendas à Marinha do Brasil em 98 e pelo menos oito vezes em 99. E continua merecendo o comovente apreço da Comissão Naval.
Nome ao boi
Chama-se Jorge Motta e Silva o diretor financeiro da Caesb, empresa de água e saneamento (a maior estatal de Brasília), que é o feliz proprietário do apartamento 907 do Edifício LExcellence (Av. Collins, 5.757, em Miami Beach, Flórida). Produto, é claro, de sua incansável labuta.
A vida é bela
Os serviços de manutenção dos vasos ornamentais e das áreas ajardinadas da Câmara dos Deputados custam ao erário R$ 395.042,04 por ano (média mensal de R$ 32.920,16)! No mínimo, um escândalo.
Embora suficiente para pagar salários a mais de 250 jardineiros, o dinheiro é pago curiosamente à empreiteira Santa Helena, de Brasília.
Briga na Justiça
O líder do PCdoB na Câmara, deputado Aldo Rebelo (SP), ingressou com notícia-crime contra o secretário de Comunicação da Presidência da República, Andréa Matarazzo, devido à resposta que considerou desaforada a um requerimento de informações questionando a prorrogação de contratos com agências de propaganda.
Bateu, levou: Matarazzo também processa o deputado, por quem se considerou insultado, em declarações que fez à imprensa.
Palhares, pensando bem...
...além do ET de Varginha, cadê a Dana de Teffé, o Martin Bormann, o...
O PODER SEM PUDOR
Disposição malufista
Paulo Maluf desembarcava na cidade em São José dos Campos, na reta final do segundo turno das eleições para o governo de São Paulo, em 90. Ao descer do helicóptero com um salto, um bajulador ficou extasiado:
- Nossa, Dr. Paulo! Com toda essa disposição, está garantida a sua arrancada nesses dias finais da eleição.
- Aos 59, faço muitas coisas que jovens de 18 anos nem sonham. Aguento sorrindo o que muita gente não consegue chorando disse Maluf, orgulhoso dele mesmo.
Só parou de sorrir quando derrotado pelo adversário Luiz Antônio Fleury.





