Cláudio Humberto (De Brasília)
Sei de onde virá o tiro, mas não vou me esquivar
(Do senador Renan Calheiros, relator do projeto que proíbe a venda de armas no País, ao prever tiroteio do poderoso lobby dos fabricantes)
Reforma ministerial
O ano 2000 deve começar com uma mini-reforma ministerial, com a substituição dos ministros Eliseu Padilha (Transportes), Rafael Greca (Esportes e Turismo) e Pratini de Morais (Agricultura).
Fernando Henrique quer sacudir a poeira para dar a volta por cima e iniciar vida nova no novo ano. Por enquanto está definido que saem Padilha e Greca, carimbados por suspeitas de irregularidades, e Pratini, por insuficiência de desempenho, segundo interlocutor próximo de FH.
Seu nome é decepção
Se Pedro Malan pedir demissão, desta vez será aceita.
FHC não gostou de saber pelos jornais que o Banco Central, na maior moita, aplicou R$ 12,9 bilhões das reservas bancárias no Proer.
Ao presidente, Malan disse ter gasto R$ 20,3 bilhões para salvar bancos em dificuldades, mas na verdade foram torrados R$ 33,1 bilhões.
Padilha irritado
Eliseu Padilha pode até não esperar pela reforma do início do ano e pedir demissão do Ministério dos Transportes já nos próximos dias.
Ele é dos ministros mais irritados com a última encenação do Planalto, ao anunciar o descontigênciamento (ou desbloqueio) de R$ 1,3 bilhão de recursos do Orçamento. Os ministros continuaram com as mãos atadas, porque os projetos estão carimbados (definidos) pelo secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, em rara demonstração de força.
Feliz 2000
O governo raspa o tacho para custear uma grande campanha publicitária de fim-de-ano e dar uma injeção de otimismo nos brasileiros. Na linha o pior já passou, a campanha pretende contaminar a população com uma expectativa otimista. O Planalto aposta que a coisa vai melhorar.
Pelo menos no próximo milênio.
Morrendo pela boca
No Globo Repórter desta sexta, o ex-deputado Sérgio Naya voltou a ser vitimado pela chamada Lei de Naya aquela segundo a qual, com o perdão do trocadilho, um dia a casa cai.
No final da entrevista, quando ele imaginava que a câmera já estava desligada, o repórter perguntou sobre as imagens em que aparece reclamando dos copos de pobre para servir champagne no seu hotel em Miami. Descontraído, o homem do Edifício Palace II confessa:
- Ah, se eu soubesse que a câmera estava ligada, eu não teria falado...
Time disléxico
A má pontaria do time do Vasco no jogo contra o Vitória, nesta quarta, pôde ser atestada antes do jogo, quando o time entrou em campo vestindo camisetas cuja inscrição, embora meritória, está pelo menos três meses atrasada: Liberdade para Timor.
A meia ilha do Pacífico já foi libertada. Os 50 soldados brasileiros que lá chegaram após a libertação já completaram dois meses na missão.
Uma boa vida
O endereço do diretor financeiro de uma das principais estatais de Brasília, na aprazível Miami Beach, fica no nº 5757 da Av. Collins.
O nome do prédio é LExcellent, que além da praia particular é dotado de sala de ginástica, sauna e salão de festas. Seu dono oficial é uma empresa off-shore Lindsay Holdings Inc., com sede em paraíso fiscal.
Tudo por emprego
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) desistiu de criar um escritório de negócios em Nova York, que empregaria um garotão afilhado do cônsul-geral do Brasil na Big Apple, Flávio Perri.
O garotão agora se prepara para assumir emprego na Agência Nacional de Petróleo (ANP), no Rio, bem longe do entristecido padrinho.
Andor apressado
Antes do depoimento de Badan Palhares, nesta quinta, o relator da CPI do Narcotráfico, Moroni Torgan, disse à Rádio CBN que o legista poderia até ser preso se não apresentar argumentos que provem sua inocência.
Alguém precisa lembrar aos show men da CPI que o ônus da prova é de quem acusa, segundo um princípio universal de Direito.
Oi nós aqui, mãe
Cientes de que a GloboNews transmitia ao vivo o depoimento do legista Badan Palhares, nesta quinta, os deputados Robson Tuma (PFL-SP) e Celso Russomano (PPB-SP) estiveram insuperáveis como papagaios-de-pirata high-tech. Quando a câmera abria o plano, logo eles arranjavam um pretexto para saírem dos seus lugares e serem notados.
Sério, não é
Sinal dos tempos: o Brasil de Jango travou a guerra da lagosta com a França de De Gaulle; o Brasil de FHC trava com a Argentina de Carlos Menem a guerra da galinha.
Olho vivo, meninas
Bafafá no mundo das passarelas: a agência de modelos Elite, que paga salários bilionários a meninas de 14 anos, inclusive brasileiras, está enrascada até o pescoço com acusações de racismo, exploração sexual e tráfico de drogas. Num vídeo que circula entre jornalistas ingleses, um executivo da Elite, que tem no seu cast a celebérrima Naomi Campbel, chama modelos negras de neguinhas. Outro chefão diz que estava a fim de transar com adolescentes finalistas de um concurso e uma conhecidíssima manequim inglesa recebe uma boa partida de cocaína.
Santo de casa
O Papa João Paulo II declarou que mulher não foi feita para servir.
Tem machão argumentando que ele só diz isso porque não é casado.
O PODER SEM PUDOR
Estátua peregrina
O prefeito do Recife, Roberto Magalhães, reinaugurou esta semana a Praça da República, que fica entre o Tribunal de Justiça e o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. Mas tomou o cuidado de não passar perto da estátua de Augusto do Anjos, poeta paraibano que Magalhães abomina por conta de sua poesia trágica e mórbida.
Não é a primeira vez que Magalhães evita o poeta. Quando era governador, ele foi informado de que o artista plástico Luiz Pessoa conseguira do então prefeito Joaquim Francisco autorização para colocar na Praça da República uma estátua do poeta, voltada para o palácio do governo. Magalhães reagiu imediatamente:
- Dr. Joaquim, de frente para o palácio, não! Esse homem não é um pernambucano e sua obra só fala de coisas que não deram certo. Não quero ele olhando para mim. Por favor, arranje outro lugar.
Joaquim encontrou uma solução política: pôs o poeta olhando para o Tribunal de Justiça. Mas Magalhães, agora prefeito, continua passando longe do monumento.





